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sábado, 24 de janeiro de 2026

Independência em xeque? Como o Fed e outros 4 bancos centrais enfrentam a pressão política

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Estudos mostram que a interferência em bancos centrais tende a elevar a inflação e prejudicar a economia. Relembre fatos históricos envolvendo as instituições em cinco países.
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TOPO
Por Reuters — São Paulo

Postado em 24 de Janeiro de 2.026 às 07h00m
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Brasil se une a bancos centrais globais em defesa do presidente do Fed após ameaça de Trump
Brasil se une a bancos centrais globais em defesa do presidente do Fed após ameaça de Trump

A independência dos bancos centrais — ou seja, a capacidade de definir os juros sem interferência política — é considerada essencial para o bem-estar econômico de um país.

Em países onde os bancos centrais se alinham às preferências de políticos, os resultados costumam ser piores, com inflação mais elevada e crescimento econômico mais lento, como indicam décadas de estudos acadêmicos.

Por outro lado, a experiência histórica mostra que bancos centrais independentes têm mais sucesso na manutenção da estabilidade de preços.

Há diversos exemplos de bancos centrais submetidos à pressão política. Veja abaixo cinco casos notáveis.

Estados Unidos

Foto de arquivo: O presidente dos EUA, Donald Trump, observa Jerome Powell, seu indicado para presidir o Federal Reserve (Fed), durante discurso na Casa Branca, em Washington, EUA, em 2 de novembro de 2017. — Foto: REUTERS/Carlos Barria/Foto de arquivo
Foto de arquivo: O presidente dos EUA, Donald Trump, observa Jerome Powell, seu indicado para presidir o Federal Reserve (Fed), durante discurso na Casa Branca, em Washington, EUA, em 2 de novembro de 2017. — Foto: REUTERS/Carlos Barria/Foto de arquivo

Embora nenhum dirigente do Fed tenha sido demitido por não atender às exigências de um presidente americano sobre juros, isso não significa que líderes dos EUA não tenham tentado — e às vezes conseguido — exercer influência de outras formas.

O ex-presidente Richard Nixon pressionou o então presidente do Fed, Arthur Burns, a manter os custos de empréstimos baixos, apesar da rápida alta dos preços, para ajudá-lo a vencer a reeleição em 1972.

O episódio é amplamente visto como o ponto de partida de um surto inflacionário que só foi contido pelas ações politicamente impopulares de um sucessor no comando do Fed, Paul Volcker, que elevou os juros para dois dígitos.

A estratégia levou o país à recessão, mas controlou a inflação por quase quatro décadas, em grande parte por restabelecer a credibilidade do banco central americano como uma instituição independente.

Nixon, porém, não foi o primeiro presidente a tentar impor sua vontade ao Fed. Em 1965, Lyndon Johnson convocou o então presidente da instituição, William McChesney Martin Jr., para seu rancho no Texas e exigiu o fim da alta dos juros — chegando a empurrá-lo e repreendê-lo fisicamente.

Martin recusou, temendo que o estímulo fiscal de Johnson alimentasse a inflação. Anos depois, porém, afrouxou a política monetária em troca da promessa do presidente de elevar impostos — acordo que mais tarde avaliou ter contribuído para a aceleração da inflação.

Turquia

Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, durante discurso em Istambul — Foto: Murad Sezer/REUTERS
Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, durante discurso em Istambul — Foto: Murad Sezer/REUTERS

O presidente turco, Tayyip Erdogan — que se autodeclara um “inimigo dos juros” — demitiu quatro dirigentes do banco central entre 2019 e 2023 por elevarem os custos de empréstimos ou resistirem aos cortes que ele exigia e que, segundo sua avaliação, reduziriam a inflação.

O efeito foi o oposto: a inflação disparou, a lira entrou em colapso e famílias passaram a ter dificuldade para arcar com itens básicos, como aluguel e alimentação.

Em 2023, Erdogan mudou de rumo e nomeou a executiva financeira americana Hafize Gaye Erkan, que elevou rapidamente a taxa básica de juros de 8,5% para 45%.

Seu sucessor e atual presidente do banco central, Fatih Karahan, apertou ainda mais a política monetária antes de iniciar, recentemente, um alívio. A inflação recuou do pico de 85% no fim de 2022, mas segue em dois dígitos.

Argentina

Casa Rosada, na Argentina — Foto: Rafael Leal/g1
Casa Rosada, na Argentina — Foto: Rafael Leal/g1

A nacionalização do banco central pelo ex-presidente argentino Juan Perón, em 1946, colocou o país sul-americano em uma trajetória de crises recorrentes nas décadas seguintes.

Nesse período, o governo passou a imprimir dinheiro para financiar gastos, o que provocou sucessivas ondas de inflação elevada e hiperinflação.

Dos 14 presidentes do BC desde 2000, vários foram afastados por divergências com o governo, entre eles Martín Redrado, demitido em 2010 por se recusar a executar o plano da então presidente Cristina Fernández de Kirchner de usar bilhões de dólares em reservas cambiais para pagar dívidas.

Venezuela

Nicolás Maduro discursa durante manifestação na Venezuela — Foto: Stringer/AFP
Nicolás Maduro discursa durante manifestação na Venezuela — Foto: Stringer/AFP

A Constituição do país garante certo grau de independência ao banco central e proíbe o financiamento direto de déficits do governo.

Ainda assim, o líder venezuelano Nicolás Maduro — que será julgado em Nova York por acusações de tráfico de drogas, após ter sido preso por forças especiais dos EUA — aprovou leis que colocaram a instituição sob controle total do Executivo, com a direção indicada exclusivamente pelo presidente.

Após a queda dos preços globais do petróleo em 2014, o banco central passou a emitir moeda para financiar déficits elevados, alimentando uma hiperinflação que atingiu o pico em 2018, estimada por alguns cálculos em mais de 1.000.000%.

Zimbábue

O ex-presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, em foto de 3 de outubro de 2017 — Foto: AP Photo/Themba Hadebe
O ex-presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, em foto de 3 de outubro de 2017 — Foto: AP Photo/Themba Hadebe

O BC do Zimbábue também emitiu moeda para financiar gastos do governo do então presidente Robert Mugabe — incluindo, segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI), despesas eleitorais, transferências para entidades controladas pelo Estado e a compra de equipamentos subsidiados para agricultores.

A hiperinflação atingiu níveis extremos e, em janeiro de 2009, levou o então presidente do banco central, Gideon Gono, a emitir uma cédula de 100 trilhões de dólares.

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Em meio a ofensivas políticas e comerciais de Trump, Lula busca fortalecer laços com Ásia

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Petista tem viagem marcada para a Coreia do Sul neste primeiro semestre. Para especialista, multilateralismo enfrenta 'pior crise das últimas décadas' com ações dos EUA.
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Por Kellen Barreto, g1 — Brasília

Postado em 24 de Janeiro de 2.026 às 05h00m
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem buscado diversificar parcerias internacionais diante do cenário de crescente tensão internacional decorrente de ofensivas políticas e comerciais do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Para fortalecer as relações com a Ásia, o petista tem uma viagem marcada à Coreia do Sul, onde tentará fechar acordos econômicos e diplomáticos.

A movimentação do petista ocorre no momento em que Trump amplia discursos protecionistas e pressiona aliados históricos, o que tem gerado instabilidade no comércio global e reconfigurado alianças geopolíticas.

O professor de Relações Internacionais da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Oliver Stuenkel considera que o multilateralismo está "na pior crise das últimas décadas", e que atitudes como as de Donald Trump são do "mundo em que prevalece a lei da selva".

"É um mundo em que poder militar é mais relevante e o Brasil sempre tem apostado no multilateralismo. Esse multilateralismo agora está em crise, a pior das últimas décadas", disse o analista ao g1.

Stuenkel diz também ver uma tendência de disputa ainda maior entre grandes potências com reflexos no mundo e na América Latina.

Larissa Wachholz, coordenadora do Programa Ásia e do Grupo de Análise da China do Cebri, afirma que o mundo atravessa uma fase de transição, sem ter uma multipolaridade consolidada.

Para a analista, apesar de os Estados Unidos figurarem como principais atores, não há uma hegemonia (veja no vídeo abaixo).





No Planalto, a leitura é de que o contexto abre espaço para o Brasil reforçar sua atuação internacional com base no multilateralismo e na ampliação de mercados fora do eixo tradicional Estados Unidos – Europa.

Apesar da crise na Venezuela e das decisões de Trump, o especialista acredita que a América do Sul continua como uma região com baixo risco geopolítico, pelo fato do Brasil ter boas relações com praticamente todos os países do mundo.

A visita à Coreia do Sul faz parte de uma estratégia mais ampla do governo brasileiro de aprofundar laços com países asiáticos, considerados parceiros-chave em áreas como comércio, tecnologia, indústria, energia e transição verde.

A expectativa é que a viagem resulte em acordos e sinalizações políticas que reforcem o protagonismo do Brasil em um cenário global cada vez mais fragmentado.

Parceiro comercial

Do ponto de vista econômico, a aproximação com a Ásia é vista, dentro do governo e do Itamaraty, como uma forma de reduzir a dependência de mercados tradicionais e proteger o país de eventuais choques provocados por medidas protecionistas dos Estados Unidos. A exemplo do que aconteceu no ano passado, com o tarifaço de Donald Trump.



O presidente Lula durante cerimônia no Palácio do Planalto em dezembro de 2025 — Foto: Ricardo Stuckert/Presidência da República

A Coreia do Sul é considerada um parceiro estratégico para o Brasil em setores como indústria automotiva, semicondutores, tecnologia, infraestrutura e energia limpa, além de ser um importante investidor estrangeiro em potencial.

"A Coreia do Sul, por exemplo, é um grande produtor de armamentos. O Brasil também precisa diversificar os seus fornecedores diante um cenário global muito imprevisível. Então, acho que tem um grande potencial para essa relação bilateral", diz Stuenkel

A expectativa é ampliar o fluxo comercial, atrair investimentos e abrir espaço para acordos que fortaleçam a competitividade da economia brasileira em um cenário global mais instável.

Os movimentos recentes no cenário internacional sinalizam o início de uma reconfiguração da ordem global.

Enquanto os Estados Unidos adotam uma postura de confronto, a China avança de forma discreta, ampliando sua influência econômica, comercial e diplomática.

"Estamos caminhando para um sistema efetivamente multipolar. Os Estados Unidos e a China são as duas potências dominantes, mas temos polos como a União Europeia e a Índia que que, estão em processo de aumentar muito sua autonomia estratégica", avalia Stuenkel.  

China

Recentemente, o presidente Lula e o presidente chinês conversaram por telefone, por cerca de 45 minutos.

Os líderes trataram sobre a necessidade de proteger interesses e fortalecer o papel da Nações Unidas no cenário de conflito geopolítico.

A conversa ocorreu no mesmo dia em que Trump lançou oficialmente o seu Conselho da Paz. Os EUA também protagonizam um momento de tensão geopolítica após invadirem a Venezuela e capturarem o presidente Nicolás Maduro.

Semanas depois, Trump já ameaçou outras ofensivas, no Irã e na Groenlândia.

"O comportamento do Brasil em relação à pressão americana, por exemplo, só pode ser explicado pela ascensão da China. O Brasil hoje depende muito menos dos Estados Unidos, porque tem uma ampla cooperação com a comercial com a China", concluiu o professor Oliver Stuenkel.

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sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Óculos de R$ 4 mil usados por Macron em Davos fazem ações de fabricante subir 28%

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Presidente francês discursou usando óculos escuros para preservar os olhos, segundo o governo francês.
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Por Redação g1

Postado em 23 de Janeiro de 2.026 às 13h00m
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Presidente da França, Emmanuel Macron, aparece vestindo óculos escuros em discurso no Fórum Econômico de Davos em 20 de janeiro de 2026. — Foto: REUTERS/Denis Balibouse
Presidente da França, Emmanuel Macron, aparece vestindo óculos escuros em discurso no Fórum Econômico de Davos em 20 de janeiro de 2026. — Foto: REUTERS/Denis Balibouse

Os óculos de sol estilo aviador usados por Emmanuel Macron fizeram as ações de sua fabricante, a iVision Tech, dispararem quase 28% nesta quinta-feira (22), depois que o visual do presidente francês durante seu discurso no Fórum Econômico Mundial, em Davos, viralizou na internet.

O grupo, que detém a marca francesa de óculos de alto padrão Henry Jullien, informou na quarta-feira que o modelo usado por Macron era o Pacific S 01, vendido por 659 euros (R$ 4 mil) em seu site.

“Isso certamente criou um efeito ‘uau’ sobre as ações”, disse à Reuters o CEO da iVision Tech, Stefano Fulchir.

A valorização dos papéis acrescentou cerca de 3,5 milhões de euros (US$ 4,1 milhões) à capitalização de mercado da empresa italiana.

Memes, comentários e especulações sobre a aparência de Macron se espalharam pelas redes sociais, com referências frequentes ao filme “Top Gun – Ases Indomáveis”, de 1986, estrelado por Tom Cruise. Até o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, comentou o assunto.

Meme sobre óculos do Macron — Foto: Reprodução/X
Meme sobre óculos do Macron — Foto: Reprodução/X

O gabinete de Macron afirmou que a escolha de usar óculos escuros durante o discurso — realizado em ambiente fechado — ocorreu para proteger os olhos do presidente, por causa do rompimento de um vaso sanguíneo. O governo não confirmou a marca dos óculos.

Ainda assim, Fulchir disse que conseguiu reconhecer claramente os óculos da Henry Jullien, que, segundo ele, foram enviados a Macron em 2024.

As ações listadas em Milão subiram quase 6% na quarta-feira (21), antes de serem automaticamente suspensas da negociação durante a maior parte do dia. Os papéis voltaram a ser negociados brevemente por volta das 8h (horário de Brasília) desta quinta-feira, antes de nova suspensão, e caminhavam para registrar o maior salto diário de sua história.

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Groenlândia: Mapa mostra riqueza mineral inexplorada na ilha alvo de Trump

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Presidente dos Estados Unidos afirmou que estrutura de acordo envolveria recursos naturais
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Da CNN Brasil
23/01/26 às 04:30 | Atualizado 23/01/26 às 05:49
Postado em 23 de Janeiro de 2.026 às 06h00m
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Mapa mostra recursos minerais na Groenlândia; última atualização em 7 de janeiro de 2025; infográfico de Soph Warnes, da CNN  • Fontes: Serviços Geológicos Nacionais da Dinamarca e da Groenlândia, Autoridade de Licenciamento e Segurança Mineral da Groenlândia, Departamento de Energia dos EUA, Serviço Geológico dos EUA, Associação Empresarial da Groenlândia

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta semana uma "estrutura" para um acordo em relação à Groenlândia. Segundo ele afirmou, o entendimento envolverá recursos minerais.

Ele não especificou nenhum termo preliminar, mas a riqueza mineral inexplorada da Groenlândia ajudou a colocar a ilha no topo da lista de desejos de Trump.

Veja no mapa abaixo onde estão os minerais na Groenlândia:

Mapa mostra recursos minerais na Groenlândia; última atualização em 7 de janeiro de 2025; infográfico de Soph Warnes, da CNN • Fontes: Serviços Geológicos Nacionais da Dinamarca e da Groenlândia, Autoridade de Licenciamento e Segurança Mineral da Groenlândia, Departamento de Energia dos EUA, Serviço Geológico dos EUA, Associação Empresarial da Groenlândia
Mapa mostra recursos minerais na Groenlândia; última atualização em 7 de janeiro de 2025; infográfico de Soph Warnes, da CNN • Fontes: Serviços Geológicos Nacionais da Dinamarca e da Groenlândia, Autoridade de Licenciamento e Segurança Mineral da Groenlândia, Departamento de Energia dos EUA, Serviço Geológico dos EUA, Associação Empresarial da Groenlândia.

A Groenlândia possui mais de 1.100 jazidas minerais identificadas, mas apenas duas minas estão em operação e apenas oito licenças de mineração estão em vigor.

Mais de 600 dessas jazidas contêm minerais considerados essenciais pelos Estados Unidos para sua economia e segurança nacional.

Ainda assim, a presença de minerais não indica a viabilidade econômica de sua extração. O governo dos EUA define 60 “minerais críticos”, dos quais 15 são elementos de terras raras. Os dados no mapa mostram apenas o recurso primário em cada local.

Recursos de difícil extração

De toda forma, pesquisadores afirmam que seria extremamente difícil e caro extrair os minerais da Groenlândia.

Isso porque muitos dos depósitos minerais da ilha estão localizados em áreas remotas acima do Círculo Polar Ártico, onde existe uma camada de gelo polar com mais de um quilômetro de espessura e a escuridão reina durante grande parte do ano.

Além disso, a Groenlândia não possui a infraestrutura e a mão de obra necessárias para tornar esse sonho de mineração uma realidade.

“A ideia de transformar a Groenlândia na fábrica de terras raras dos Estados Unidos é ficção científica. É simplesmente uma loucura”, disse Malte Humpert, fundador e pesquisador sênior do Instituto Ártico.

“Seria o mesmo que minerar na Lua. Em alguns aspectos, é pior que a Lua", alertou.

Aproximadamente 80% da Groenlândia é coberta por gelo. Com isso, a extração mineral — ou praticamente qualquer outra atividade — pode ser de cinco a dez vezes mais cara do que em qualquer outro lugar do planeta.

O mito do "pote de ouro"

Convencer empresas americanas a investir na Groenlândia pode ser uma fantasia, dizem especialistas.

“Se houvesse um ‘pote de ouro’ esperando no fim do arco-íris na Groenlândia, empresas privadas já teriam ido para lá”, avaliou Jacob Funk Kirkegaard, pesquisador sênior não residente do Instituto Peterson de Economia Internacional.

Funk Kirkegaard, que trabalhou anteriormente no Ministério da Defesa da Dinamarca, destaca que é “muito difícil” justificar o enorme investimento inicial que seria necessário.

De toda forma, é possível que Trump esteja tentando oferecer incentivos financeiros e garantias para atrair empresas americanas a fazerem esses investimentos maciços, semelhantes às garantias que as grandes petrolíferas buscam para perfurar agressivamente na Venezuela.

“Se tivessem dinheiro suficiente dos contribuintes, as empresas privadas estariam dispostas a fazer quase tudo”, ponderou o especialista.

“Mas essa é uma boa base para comprar um território? A resposta é não na Groenlândia, assim como não na Venezuela", adicionou.

Fatores ambientais dificultam mineração

A crise climática causou o derretimento do gelo e o rápido aumento das temperaturas no Ártico, fazendo com que algumas pessoas esperassem novas oportunidades econômicas.

No entanto, ainda é cedo para afirmar que isso será suficiente para superar os desafios ambientais da mineração na Groenlândia.

Embora o derretimento do gelo tenha aberto algumas rotas de navegação, também tornou o solo menos estável para perfuração e aumenta o risco de deslizamentos de terra.

“Mudanças climáticas não significam facilidade. Não estamos no Mediterrâneo nem na sua banheira. Há apenas menos gelo”, disse Humpert, do Instituto Ártico.

Além disso, as rigorosas regulamentações ambientais da Groenlândia aumentariam os custos e as dificuldades da mineração em larga escala.

É claro que essas regulamentações refletem o desejo da população local de manter o meio ambiente preservado. Se o governo Trump, de alguma forma, revogasse essas regulamentações, isso poderia se mostrar extremamente impopular.

“Você pode acabar tendo uma situação política local hostil”, advertiu Funk Kirkegaard.


CNN Brasil
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