Objetivo:
“Projetando o futuro e o desenvolvimento autossustentável da sua empresa, preparando-a para uma competitividade e lucratividade dinâmica em logística e visão de mercado, visando sempre e em primeiro lugar, a satisfação e o bem estar do consumidor-cliente."
Segundo os especialistas, esta é a primeira evidência física de combates entre humanos e animais no Império Romano. <<<===+===.=.=.= =---____-------- ----------____---------____::____ ____= =..= = =..= =..= = =____ ____::____-----------_ ___---------- ----------____---.=.=.=.= +====>>> Por BBC Postado em 26 de Abril de 2.025 às 06h00m #.* -- Post. - Nº.\ 11.608 -- *.#
O esqueleto do jovem foi descoberto durante uma escavação em York, em 2004 — Foto: Universidade de York
As marcas de mordida encontradas no esqueleto de um gladiador romano
representam a primeira evidência arqueológica de um combate entre um ser
humano e um leão, segundo especialistas.
Os
restos foram descobertos em 2004, durante uma escavação em Driffield
Terrace, em York (Reino Unido), um sítio arqueológico considerado o
único cemitério de gladiadores romanos bem preservado no mundo.
A análise forense do esqueleto de um jovem revelou que os buracos e
marcas de mordida na região da pelve foram provavelmente causados por um
leão.
O professor Tim Thompson, especialista forense que liderou o estudo,
afirmou que essa é a primeira "evidência física" de gladiadores
enfrentando grandes felinos.
"Durante anos, nosso entendimento sobre os combates de gladiadores
romanos e os espetáculos com animais se baseava quase exclusivamente em
textos históricos e representações artísticas", declarou.
Ele
acrescentou que a descoberta "fornece a primeira prova física direta de
que esses eventos realmente ocorreram naquela época, o que muda a forma
como enxergamos a cultura do entretenimento romano na região".
A ferida causada pela mordida foi confirmada por meio da comparação com
marcas deixadas por um leão em um zoológico — Foto: BBC
Os especialistas usaram novas técnicas forenses para analisar os
ferimentos, como escaneamentos em 3D que revelaram que o animal agarrou o
homem pela região da pelve.
"Conseguimos determinar que as mordidas ocorreram aproximadamente no
momento da morte", afirmou o professor Tim Thompson, da Universidade de
Maynooth, na Irlanda.
Por isso, ele explicou, "não se trata de um animal tentando devorar o
corpo após a morte; as mordidas estão diretamente ligadas à causa do
óbito".
Além de escanear o ferimento, os cientistas compararam seu tamanho e
formato com marcas de mordidas de grandes felinos do Zoológico de
Londres.
"As marcas de mordida desse indivíduo, em particular, coincidem com as de um leão", disse Thompson à BBC News.
A localização das mordidas também deu aos pesquisadores pistas importantes sobre as circunstâncias da morte do gladiador.
A
pelve, explicou Thompson, "não é um ponto típico de ataque para leões, o
que nos leva a crer que esse gladiador participava de algum tipo de
espetáculo, estava incapacitado e foi mordido e arrastado pelo leão pela
região do quadril".
Representações fictícias de combates entre gladiadores e grandes
felinos já apareceram em filmes como Gladiador, estrelado por Russell
Crowe. — Foto: BBC
O esqueleto, de um homem com idade entre 26 e 35 anos, foi enterrado em
uma tumba junto com outros dois corpos e coberto por ossos de cavalo.
Análises anteriores indicaram que ele provavelmente era um "bestiarius"
— um tipo de gladiador enviado para lutar contra feras.
Malin Holst, professora de Osteoarqueologia na Universidade de York,
afirmou que, em três décadas de estudo de esqueletos, "nunca havia visto
nada parecido com essas marcas de mordida".
Ela também destacou que os restos revelam a trajetória de uma "vida curta e bastante brutal".
Os ossos indicam músculos grandes e potentes, moldados por esforço
físico intenso, e há sinais de lesões no ombro e na coluna vertebral
compatíveis com trabalho pesado e combates frequentes.
Holst, que também é diretora da empresa York Osteoarchaeology, afirmou:
"É uma descoberta extremamente empolgante, porque agora começamos a
montar uma imagem mais clara de como eram esses gladiadores em vida".
Malin Holst descreveu a descoberta como "profundamente empolgante". — Foto: BBC
As descobertas, publicadas na revista acadêmica PLoS One,
também confirmaram "a presença de grandes felinos e possivelmente
outros animais exóticos nos arredores de cidades como York, e como esses
animais também precisavam se defender diante da ameaça da morte",
afirmaram os pesquisadores.
Os
especialistas destacaram que o achado reforça a hipótese da existência
de um anfiteatro na York romana — embora ainda não tenha sido localizado
—, onde teriam ocorrido combates de gladiadores como forma de
entretenimento.
Segundo os estudiosos, a presença de líderes romanos de alta patente em
York sugere que eles exigiam um estilo de vida luxuoso. Por isso, não
seria surpreendente encontrar evidências de espetáculos de gladiadores,
que eram vistos como símbolo de riqueza e status.
David Jennings, diretor-executivo da York Archaeology, declarou:
"Talvez nunca descubramos o que levou esse homem até o local onde
acreditamos que ele lutou para divertir os outros, mas é
impressionante que a primeira evidência osteoarqueológica desse tipo de
combate tenha sido encontrada tão longe do Coliseu de Roma — que seria o 'estádio de Wembley' dos confrontos no mundo clássico".
A 'Blue Marble' foi a primeira fotografia da Terra como um todo — e a única já tirada por um ser humano. Cinquenta anos depois, novas imagens revelaram mudanças visíveis na superfície do planeta. <<<===+===.=.=.= =---____-------- ----------____---------____::____ ____= =..= = =..= =..= = =____ ____::____-----------_ ___---------- ----------____---.=.=.=.= +====>>> Por BBC 24/04/2025 10h14 Atualizado há um dia Postado em 25 de Abril de 2.025 às 13h00m #.* -- Post. - Nº.\ 11.607 -- *.#
A icônica Blue Marble ao lado de uma fotografia tirada 50 anos depois — Foto: NASA
"Vou te falar", afirmou o astronauta Harrison Schmitt enquanto a Apollo
17 se aproximava da Lua, "se alguma vez houve um pedaço de azul com
aparência frágil no espaço, é a Terra neste momento".
Em 7 de dezembro de 1972, uma quinta-feira, a humanidade teve sua primeira visão do nosso planeta como um todo.
Naquele momento, foi tirada a foto batizada de Blue Marble ("Bola de
gude azul", em tradução livre) — uma imagem que mudou a maneira como
vemos nosso mundo.
"Posso ver as luzes do sul da Califórnia, Bob", disse Schmitt à sala de
controle terrestre cerca de uma hora e meia após o início do voo. "O
campo estelar do homem na Terra está competindo com o céu."
A tripulação da Apollo 17 — o comandante Eugene Cernan, o piloto do
módulo de comando Ronald Evans e o piloto do módulo lunar Harrison
"Jack" Schmitt — observavam sua casa se distanciar, enquanto viajavam
para o espaço na última missão tripulada à Lua.
Olhando para a Terra, Cernan comentou: "As nuvens parecem ser muito
artísticas, muito pitorescas. Algumas giram no sentido horário... mas
parecem ser... muito tênues, você pode... ver através destas nuvens a
água azul abaixo".
É
uma imagem perene da beleza, mas também da vulnerabilidade do nosso
planeta — à deriva na vastidão do Universo, que não abriga nenhum outro
sinal de vida que tenhamos conseguido detectar até hoje.
Mas nosso planeta também é um planeta de grandes mudanças. Os
movimentos tectônicos que deslocam as massas terrestres são lentos
demais para que nossos olhos percebam. No entanto, outra força — a
própria humanidade — vem remodelando nosso planeta em um ritmo que
podemos ver. A urbanização, o desmatamento, a poluição e as emissões de
gases de efeito estufa estão alterando a aparência da Terra.
Mas, afinal, como nosso planeta mudou nos últimos 50 anos, desde que esta imagem icônica foi tirada?
A tripulação se revezou com a câmera, tirando fotos durante a viagem à Lua — Foto: NASA
Estas primeiras fotos da Terra foram tiradas pela tripulação, que se
revezou no uso da câmera a bordo — uma Hasselblad 500 EL analógica
manual, com filme Kodak de 70 mm —, fascinada pela visão da Terra vista
do espaço.
"Todas as imagens capturadas com a Hasselblad são espetacularmente
nítidas e brilhantes", diz Jennifer Levasseur, curadora do Museu
Aeroespacial do Instituto Smithsonian, em Washington DC, nos EUA.
Segundo ela, a câmera foi especialmente modificada para uso no espaço.
Colas, lubrificantes, peças móveis e baterias poderiam causar problemas
ou falhar quando expostas às condições extremas de calor e frio do
espaço. Ela também ganhou um enorme botão quadrado de disparo do
obturador, para que a tripulação pudesse tirar fotos enquanto usava seus
trajes espaciais.
"A outra grande modificação foi a remoção da tela de visualização —
porque era vidro extra", conta Levasseur. Os astronautas "tiveram que
aprender a tirar fotos sem poder ver nada", diz ela. "Sem um visor, não é
possível ver o que está sendo fotografado."
Nuvens rodopiando sobre o azul do oceano, em imagem capturada pela
tripulação da Apollo 17 após sua segunda passagem pela África, antes de
seguir para a Lua — Foto: NASA
Tirar fotos, acrescenta Levasseur, foi algo planejado meticulosamente e
incluído no plano da missão. "Eles sabiam que os lançamentos anteriores
não dariam a eles a (visão da) Terra como um todo, mas neste a Terra
toda seria iluminada pela luz do Sol."
Cerca de cinco horas e 20 minutos depois do início do voo, a tripulação
teve o primeiro vislumbre de todo o planeta. Eles estavam começando a
se preparar para dormir, entrando nos sacos de dormir. Era o primeiro
momento de descanso que tinham desde o lançamento.
"Suponho que estamos vendo a Terra 100% completa como jamais veremos",
disse Cernan. "Bob, este é o tipo de visão que fica com você para
sempre... Também não há cordas para mantê-la. Ela está lá, sozinha."
A imagem batizada de Blue Marble foi capturada a cerca de 29.000 quilômetros da Terra, enquanto o Sol iluminava o globo por trás da Apollo 17.
Depois de quase seis horas de voo, Schmitt riu. "O problema de olhar
para a Terra, especialmente para a Antártida, é que ela é muito
brilhante", ele afirmou, "e por isso estou usando meus óculos escuros
através do monóculo".
Em terra, eram quase 5h no Johnson Space Center em Houston, no Texas, e
a sala de controle estava em silêncio. "Não estou atrapalhando seu
sono, estou, Bob?", perguntou Schmitt. "Continue falando. Estamos
ouvindo", disse a voz que saía do comunicador da cápsula. E assim a
conversa continuou por muito tempo durante o voo, com a tripulação
descrevendo as nuvens à deriva sobre o oceano e os continentes do nosso
planeta.
Missões anteriores da Apollo haviam fotografado a Terra parcialmente oculta pela sombra. A imagem de grande influência Earthrise,
por exemplo, mostra o planeta enquanto ele se eleva atrás da Lua. Até
aquele momento, nossa visão da Terra era fragmentada, sem nenhuma
maneira real de visualizar o planeta em sua totalidade.
O negativo da foto Blue Marble, de 1972, está cuidadosamente armazenado no Johnson Space Center da Nasa — Foto: NASA
De repente, brilhando à luz do Sol, a Terra se revelou como um belo
globo azul brilhante, cheio de vida e solitário na vastidão do espaço.
Como resultado, acredita-se que a Blue Marble tenha exercido mais influência sobre a humanidade do que qualquer outra fotografia da história.
"Se você não consegue ver algo, é difícil visualizar que existe", diz
Nick Pepin, cientista climático da Universidade de Portsmouth, no Reino
Unido.
"Acho que todos nós, que fomos criados com esta [imagem] desde
pequenos, provavelmente achamos difícil imaginar uma época em que não
sabíamos como era a Terra. Esta foi a primeira vez que pudemos realmente
olhar para trás no espaço e ver nosso lar — e as pessoas, de repente,
perceberam que era uma coisa incrível, mas também um sistema fixo no
qual vivemos."
A imagem oferece uma visão da Terra desde a região do Mar Mediterrâneo
até a calota polar sul da Antártida. Nuvens pesadas pairam sobre o
Hemisfério Sul, e quase toda a costa da África pode ser vista.
A Nasa, a agência espacial americana, dá oficialmente o crédito da
imagem a toda a tripulação. Talvez nunca saibamos qual deles realmente
tirou a foto, mas hoje ela é considerada uma das imagens mais
reproduzidas de todos os tempos.
Mesmo enquanto estava explorando a Lua, a tripulação da Apollo 17 fez questão de tirar mais fotos de casa — Foto: NASA
Cinquenta anos depois, às 7h39 (GMT) de 7 de dezembro de 2022, uma nova Blue Marble foi registrada por um satélite em órbita.
Desta vez, um conjunto de 12 imagens tiradas com 15 minutos de
intervalo revela mudanças perceptíveis na superfície do nosso planeta,
resultado de 50 anos de aquecimento global.
Nas
cinco décadas que separam estas duas fotos, uma das diferenças mais
marcantes é a redução visível no tamanho da camada de gelo da Antártida.
"Você pode ver o encolhimento da criosfera — o encolhimento da camada
de gelo e a perda de neve", diz Pepin. Isso, segundo ele, é um
importante indicador das mudanças climáticas.
O Deserto do Saara também cresceu, enquanto a floresta tropical "está
recuando mais para o sul", ele acrescenta. Pesquisas mostram que a
cobertura de árvores na vasta região do Sahel, que faz fronteira com o
Deserto do Saara, está em declínio significativo. "O que se vê de forma
dominante na [nova] imagem é o desmatamento e a perda de vegetação", à
medida que a cobertura do solo muda de vegetação para deserto.
A nova Blue Marble foi registrada a mais de um milhão de quilômetros de distância — Foto: NASA
As novas fotos foram tiradas pela Câmera de Imagem Policromática da
Terra (Epic, na sigla em inglês) da Nasa, que tem captado imagens do
lado iluminado da Terra entre 13 e 22 vezes por dia desde 2015. O
satélite fica no primeiro ponto de Lagrange, um ponto de equilíbrio
entre o Sol e a Terra, a mais de um milhão de quilômetros do nosso
planeta.
De meados de abril a meados de outubro, é tirada uma fotografia da
Terra aproximadamente a cada hora e, no restante do ano, uma imagem a
cada duas horas, explica Alexander Marshak, cientista de projeto da
missão do satélite Deep Space Climate Observatory (Dscovr) da Nasa, que
leva a câmera a bordo.
"No que diz respeito à Blue Marble,
no 50º aniversário, decidimos fazer as mesmas imagens em intervalos de
15 minutos. Assim, em 15 minutos [a Terra] gira cerca de 100 km", diz
Marshak. E, graças aos avanços tecnológicos, ele acrescenta, "podemos
ver as mesmas imagens, mas com qualidade muito melhor", mesmo a um
milhão de quilômetros de distância.
"E podemos ver muito mais do que isso", acrescenta Marshak. "Obtemos
imagens em 10 comprimentos de onda, de UV [ultravioleta] ao
infravermelho próximo. A partir destas imagens, podemos obter as
propriedades do ozônio, das nuvens e da água. A altura das nuvens, a
localização das nuvens. Podemos observar as propriedades dos aerossóis, o
tamanho das partículas, a quantidade de partículas. E até mesmo a forma
dos cristais de gelo [nas nuvens], usando o brilho do Sol. Podemos
[ver] se eles estão orientados horizontalmente ou aleatoriamente."
Aqui vemos a Terra em um ângulo diferente da Blue Marble original —
esta imagem foi tirada pela Epic em uma época diferente do ano, em 14 de
abril de 2025 — Foto: Nasa Epic
"Coletamos [dados sobre] a quantidade de folhas na Terra, e não apenas
isso, mas também a quantidade de folhas que são diretamente iluminadas
pelo Sol", diz Marshak. Estes dados, combinados com observações da cor
da superfície do oceano, podem permitir que os pesquisadores determinem a
taxa de toda a atividade fotossintética na Terra.
O programa Dscovr não está em operação há tempo suficiente para tirar
conclusões definitivas, observa Marshak, mas está começando a reunir
dados que vão fornecer novos insights sobre como o mundo está mudando —
como mudanças na cobertura e altura das nuvens, refletividade e
cobertura vegetal.
Entre
as outras mudanças que ocorreram desde aquela primeira foto da Terra
como um todo, há 50 anos, está a quantidade de desenvolvimento e
atividade humana na superfície do nosso planeta. Embora não seja
visível nestas imagens do lado iluminado da Terra, outros satélites
monitoram as luzes visíveis no lado escuro do nosso planeta.
Eles mostramum crescimento dramático na expansão urbana nos continentes, junto à atividade de navegação nos oceanos da Terra. Os incêndios florestais também brilham em grandes extensões de terra à noite, tendo dobrado de frequência nos últimos 20 anos.
Em 1972, a Blue Marble
provocou uma reavaliação em massa do nosso lugar no Universo. Os
astronautas que viram a Terra do espaço relataram um profundo sentimento
de admiração, uma sensação de interconectividade, consciência ambiental
e autotranscendência. Isso é chamado de "efeito da visão geral".
Na vastidão total do espaço, a beleza da Terra pode ser avassaladora.
Descobriu-se que esse sentimento de intensa admiração provoca uma
mudança fundamental no pensamento, uma espécie de realinhamento
cognitivo, à medida que a pessoa tenta processar novas informações
perceptivas.
"Surpreendente — simplesmente, uau", foi como Helen Sharman, a primeira
astronauta do Reino Unido, descreveu sua primeira visão da Terra do
espaço. O ano era 1991, e a química de 27 anos havia acabado de ser
lançada do Cazaquistão para iniciar sua jornada até a estação espacial
soviética Mir.
"Tínhamos duas janelas na espaçonave Soyuz", diz ela. "O comandante,
que senta no meio, não tem janela. Mas o cosmonauta de pesquisa, que era
minha função, e o engenheiro de voo — nós dois tínhamos uma. Eu estava
no assento da direita, e o engenheiro de voo, no da esquerda. Durante o
lançamento, meu lado da espaçonave inclinou levemente em direção à
Terra. Imediatamente, a luz entrou por aquela janela".
Sharman descreve sua visão da curvatura da Terra, os "mares azuis
deslumbrantes", as nuvens brancas e o espaço negro acima. A Terra, diz
ela, parecia ter seu próprio brilho. "O Sol estava em um ângulo bastante
baixo, de modo que se refletia no mar e depois voltava para as nuvens —
e das nuvens abaixo para a Terra. Em seguida, [a luz] surgia, de modo
que parecia que a Terra tinha sua própria fonte de luz."
Ela compara a cor com o "ultramarino das pinturas renascentistas". "É
bem diferente do resto da natureza. É esse brilho contra a escuridão do
espaço, você simplesmente vê a Terra como um grande ponto azul
deslumbrante."
Depois, quando seus olhos começaram a se ajustar à escuridão do espaço,
as estrelas apareceram aos bilhões. "Sabemos que provavelmente há
bilhões de estrelas apenas em uma pequena parte da Via Láctea, talvez
até trilhões. E achamos que pode haver até alguns trilhões de galáxias
no Universo. Isso [faz você] perceber a insignificância da Terra".
Sharman vivenciou esses pensamentos conflitantes de uma só vez. "Nossa
atmosfera é tão tênue. Como seria fácil apagar toda aquela camada
superior, onde se encontra a maior parte da vida." Mas, por outro lado,
ela acrescenta: "A Terra não é o ponto focal do Universo".
Até hoje, Sharman sonha que está "flutuando dentro de um dos módulos, e
para em uma janela, olhando para fora com os outros tripulantes". A
experiência de ver a Terra do espaço, diz ela, "mudou definitivamente
minhas prioridades de vida". "O mais importante são as pessoas. E,
claro, o meio ambiente e a ecologia que são necessários para manter a
Terra funcionando."
O trânsito da Lua em frente ao globo totalmente iluminado da Terra, capturado pela Epic — Foto: Nasa Epic
O efeito da visão geral, dizem os especialistas, é duradouro e mais
poderoso do que outros momentos de admiração. Pela primeira vez, a Blue Marble
ofereceu a toda a humanidade a chance de vivenciar o fenômeno em algum
grau. De fato, pesquisas mostram que é possível vivenciar o efeito da
visão geral com os dois pés firmes no chão.
Assim como a Earthrise, a imagem batizada Blue Marble se tornou um emblema do movimento ambientalista. Ela retrata um planeta que precisava de cuidados em escala global.
A Blue Marble
foi usada para ilustrar a hipótese de Gaia, desenvolvida nas décadas de
1960 e 1970, que propõe que a Terra e seus sistemas biológicos agem
como uma enorme entidade única, que existe em um delicado estado de
equilíbrio. E, embora controversa entre os cientistas, a teoria deu
início a uma abordagem holística das Ciências da Terra.
A imagem também se tornou um símbolo de unidade, pois pela primeira vez
pudemos ver a Terra sem as fronteiras imaginadas pelo homem, que nos
dividem como nos mapas. A Blue Marble foi adotada por grupos de
ativistas como o Friends of the Earth e eventos como o Dia da Terra.
Antes disso, as imagens de campanhas ambientais geralmente se
concentravam na poluição ou em espécies ameaçadas de extinção.
A fotografia apareceu em selos postais e na sequência de abertura do documentário do ex-vice-presidente americano Al Gore, Uma Verdade Inconveniente,
e inspirou pesquisas sobre os sistemas da Terra com o estabelecimento
de instituições de pesquisa climática, como o Instituto Max-Planck, com
sede em Munique, na Alemanha.
As nuvens e as florestas tropicais do Congo estão intrinsecamente conectadas — Foto: NASA
Observando as imagens da Terra de 1972 e 2022 lado a lado, Pepin descreve a "atmosfera inquieta" do planeta.
Visíveis em ambas as imagens, nuvens se formam acima das áreas verdes
da floresta tropical, demonstrando o vínculo intrínseco entre as
florestas e a chuva.
"Se
você observar a África [central], vai ver que a maior parte das nuvens,
especialmente na [imagem] anterior, é bastante irregular, o que indica
tempestades. Mas se você for mais ao norte e observar o Deserto do
Saara, vai ver que não há nuvens."
"Quando você olha de cima, vê todas as conexões, as relações gerais
entre as áreas", destaca Pepin. "Por exemplo, o Kilimanjaro se ergue
sobre campos, com neve no topo. Se você vivesse nas encostas, talvez não
soubesse que havia neve no topo, e a importância da conexão entre essas
áreas."
Olhar a Terra do espaço desta forma, diz ele, "faz você apreciar as
relações que existem entre diferentes partes dos ecossistemas". "Se você
só consegue enxergar a sua parte, pode pensar que os problemas
ambientais estão acontecendo apenas em outro lugar, e presumir que 'não é
problema meu'", explica Pepin.
No entanto, a limitação, segundo ele, é a escala. "Você perde o
detalhe. Você precisa de ambos. Você também precisa de verificação de
campo [validação das informações em campo]."
No entanto, há uma "enorme diferença fundamental" entre estas duas
imagens, diz Levasseur. "Uma foi capturada por um ser humano — e a
outra, não. Ela não tem o mesmo impacto. E isso se deve ao fato de que
não há nenhuma pessoa ali."
Levasseur está ansiosa pelas fotos que vão ser tiradas na próxima
missão tripulada a ir até a Lua: a Artemis 2, prevista para 2026. "Não
haverá outra imagem completa da Terra, do meu ponto de vista, até que os
seres humanos se afastem do planeta novamente. Eu não estava viva em
1972. Será um grande momento saber que as pessoas estão nos observando
de tão longe."
"Por mais que gostemos de pensar nos satélites como uma espécie de
nossos substitutos", diz ela, "sei que há uma pessoa por trás daquela
câmera, então, há algo diferente nela, e sempre haverá."