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sexta-feira, 15 de novembro de 2024

A nova loja da Amazon que vende tudo a menos de US$ 20 para desbancar Shein e Temu

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O Haul marca a esperada incursão da Amazon na venda de produtos mais baratos com prazos de entrega mais longos — um modelo de negócios que estimulou a ascensão de Temu e Shein.
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TOPO
Por Liv McMahon

Postado em 15 de novembro de 2024 às 11h00m

#.* Post. - Nº.\  11.405 *.#

A incursão da Amazon neste mercado já era esperada. — Foto: Getty Images via BBC
A incursão da Amazon neste mercado já era esperada. — Foto: Getty Images via BBC

A Amazon lançou o Haul, um novo serviço de compras que limita o preço dos produtos à venda a no máximo US$ 20 (R$ 116) em um esforço para enfrentar os varejistas de baixo custo Temu e Shein.

A gigante das compras online lançou o Haul apenas para celulares. A plataforma está disponível em seu aplicativo para clientes dos Estados Unidos desde quarta-feira (13).

O anúncio afirma que os consumidores podem esperar “preços absurdamente baixos” nos produtos vendidos na Haul e que “vale a pena esperar” até duas semanas pela entrega.

Os rivais chineses da Amazon registaram um rápido crescimento nos últimos anos, mas também enfrentaram críticas sobre o impacto ambiental de fabricar e enviar produtos cada vez mais baratos.

“Temu e Shein lidaram com críticas por se aproveitarem de brechas de importação e por produzirem muito lixo e serem ambientalmente irresponsáveis”, disse Sucharita Kodali, analista de varejo da consultoria Forrester, à BBC News.

“Este esforço parece ter os mesmos desafios”, disse ela sobre a Haul.

A plataforma marca a esperada incursão da Amazon na venda de produtos mais baratos com prazos de entrega mais longos — um modelo de negócios que estimulou a ascensão de Temu e Shein.

Mas autoridades de todo o mundo mostram-se cada vez mais cautelosas quanto ao surgimento de plataformas que vendem bens produzidos em massa a preços de custo muito baixos.

A Comissão Europeia também lançou abriu um processo contra Temu em outubro sob a alegação de que a empresa não esteja a conseguir impedir a venda de produtos ilegais em sua plataforma

O que é o Haul

O Haul tem produtos vendidos a no máximo US$ 20. — Foto: Divulgação via BBC
O Haul tem produtos vendidos a no máximo US$ 20. — Foto: Divulgação via BBC

A Amazon tornou os preços baixos um elemento central de sua oferta com o Haul.

Além do preço máximo de US$ 20, a maioria custaria menos de US$ 10 (R$ 58).

No comunicado, a empresa deu como exemplo de suas ofertas um conjunto de trÊs lâminas de barbear e um “conjunto elegante de colar, pulseira e brinco” disponíveis por pouco menos de US$ 3 (R$ 17).

A entrega será gratuita para pedidos de US$ 25 (R$ 145) ou mais, com entrega dentro de uma a duas semanas.

“Encontrar ótimos produtos a preços muito baixos é importante para os clientes, e continuamos a explorar maneiras de trabalhar com nossos parceiros de vendas para que possam oferecer produtos a preços baixíssimos”, disse Dharmesh Mehta, vice-presidente de parceiros de vendas mundiais da Amazon.

A empresa afirma que todos os produtos vendidos pelo Haul terão garantia e que a compra será segurança.

Mehta disse que ainda é “o começo” da nova plataforma e que a avaliação dos clientes será ouvida para “refiná-la e expandi-la nas próximas semanas e meses”.

Kodali acrescentou que o projeto apresenta riscos para a Amazon, porque há sinais de que os consumidores estão se "cansando de produtos de baixa qualidade e entregas lentas".

Se os produtos forem decepcionantes para os compradores e não derem lucro para a Amazon, “não espero que o Haul exista por muito tempo”.

Imposto de importação sobre compras internacionais até US$ 50 começa a valer em agosto

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Elon Musk se encontrou com enviado do Irã na ONU, relata New York Times

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Foco da reunião teria sido acalmar as tensões entre os dois países
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Tara Johnda CNN
15/11/2024 às 10:12 | Atualizado 15/11/2024 às 10:14
Postado em 15 de novembro de 2024 às 10h45m

#.* Post. - Nº.\  11.404 *.#

Musk volta a atacar Moraes: ditador do Brasil
Musk volta a atacar Moraes: ditador do Brasil • 16/06/2023REUTERS/Gonzalo Fuentes

Elon Musk, a pessoa mais rica do mundo e aliado próximo do presidente eleito, Donald Trump, se encontrou com o embaixador do Irã nas Nações Unidas na segunda-feira (11), informou o New York Times, citando duas autoridades iranianas.

A reunião entre Musk e o enviado do Irã, Amir Saeid Iravani, foi realizada em um local secreto em Nova York e durou mais de uma hora, segundo o jornal, citando oficiais do Irã, que supostamente descreveram a discussão como focada em acalmar as tensões entre os dois países.

A CNN está entrando em contato com a equipe de transição de Musk e Trump para comentar, a missão do Irã na ONU se recusou a comentar.

Leia Mais

Autoridades do governo Biden na ONU não foram notificadas de que a reunião estava acontecendo e ainda não receberam uma confirmação independente de que ela ocorreu, disse uma fonte à CNN.

A reunião acontece enquanto especialistas especulam como os próximos quatro anos podem representar um teste significativo para o Irã.

Teerã sob o pleito de Trump pode levar ao retorno da campanha de “pressão máxima” que ele impôs durante sua última presidência, o que aumentou o isolamento do Irã e prejudicou sua economia, dizem especialistas.

Desde que Trump deixou o cargo em 2020, o Irã aumentou o enriquecimento de urânio, aumentou suas exportações de petróleo, intensificou o apoio a grupos militantes regionais e estabeleceu um precedente ao atacar Israel diretamente duas vezes.

Influência de Elon Musk 

A conversa relatada do bilionário com o oficial iraniano levanta questões sobre como sua influência pode aparecer na administração entrante, especialmente quando se trata da política externa dos EUA.

Na semana passada, um dia após a eleição presidencial, Musk se juntou à ligação de Trump com o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky, de acordo com duas fontes.

Trump colocou a ligação no viva-voz e Zelensky agradeceu a Musk por sua ajuda em fornecer comunicações através da Starlink para a Ucrânia na guerra em andamento com a Rússia, acrescentou uma fonte.

O presidente eleito anunciou na terça-feira (12) que Musk e Vivek Ramaswamy liderarão um novo “Departamento de Eficiência Governamental” em sua segunda administração.

Musk, que é o CEO da SpaceX e da Tesla, se beneficiou de bilhões de dólares em contratos federais, incluindo da NASA, das forças armadas e de outras agências do governo dos EUA.

O anúncio levantou preocupações imediatas sobre potenciais conflitos de interesse.

Não está imediatamente claro como o departamento — que Trump disse que “forneceria conselhos e orientações de fora do governo” — operaria, e se um Congresso, mesmo totalmente controlado por republicanos, teria apetite para aprovar uma revisão tão massiva dos gastos e operações do governo.

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quinta-feira, 14 de novembro de 2024

Inseto comedor de plástico é descoberto no Quênia

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Neste artigo, a cientista sênior do Centro Internacional de Fisiologia e Ecologia de Insetos analisa como a larva-da-farinha poderia desempenhar um papel na redução natural de resíduos.
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TOPO
Por Fathiya Khamis

Postado em 14 de novembro de 2024 às 13h35m

#.* Post. - Nº.\  11.403 *.#

Larva-da-farinha queniana — Foto: Fathiya Khamis via The Conversation Brasil
Larva-da-farinha queniana — Foto: Fathiya Khamis via The Conversation Brasil

Uma nova descoberta emocionante na luta contra a poluição: larvas de tenébrios (também conhecidos como larvas-da-farinha) são capazes de consumir isopor. Elas se juntam a um pequeno grupo de insetos considerados capazes de decompor esse tipo de plástico poluente, e são a primeira espécie de inseto nativa da África comprovadamente capaz de fazer isso.

O poliestireno, comumente conhecido como isopor, é um material plástico muito utilizado em embalagens alimentícias, eletrônicas e industriais. É difícil de quebrar e, portanto, durável. Os métodos tradicionais de reciclagem – como o processamento químico e térmico – são caros, e podem criar poluentes. Esta foi uma das razões pelas quais queríamos explorar métodos biológicos de gestão desses resíduos.

Faço parte de uma equipe de cientistas do Centro Internacional de Fisiologia e Ecologia de Insetosque descobriuque as larvas-da-farinha achadas no Quênia podem mastigar poliestireno e hospedar bactérias em seus intestinos que ajudam a decompor o material.

O tenébrio é a forma larval do besouro escuro Alphitobius. O período larval dura entre 8 e 10 semanas. A larva-da-farinha é encontrada principalmente em galpões de criação de aves, que são quentes e podem oferecer um suprimento constante de alimentos – condições ideais para seu crescimento e reprodução.

'Células zumbi' estão por trás do envelhecimento e da vitalidade

Embora se acredite que as larvas-da-farinha tenham se originado na África, elas podem ser encontradas em muitos países ao redor do mundo. A espécie que identificamos em nosso estudo, entretanto, poderia ser uma subespécie do gênero Alphitobius. Estamos conduzindo investigações adicionais para confirmar essa possibilidade.

Nosso estudo também examinou as bactérias intestinais do inseto. Queríamos identificar as comunidades bacterianas que podem apoiar o processo de degradação do plástico.

Os níveis de poluição por plástico estão criticamente elevados em alguns países africanos. Embora os resíduos plásticos sejam uma questão ambiental importante a nível mundial, África enfrenta um desafio particular devido à elevada importação de produtos plásticos, à baixa reutilização e à falta de reciclagem destes produtos.

Ao estudar estes “comedores de plástico” naturais, esperamos criar novas ferramentas que ajudem a eliminar os resíduos de plástico de forma mais rápida e eficiente. Em vez de liberar um grande número destes insetos em locais de lixo (o que não é prático), podemos utilizar os micróbios e enzimas que eles produzem em fábricas, aterros sanitários e locais de limpeza. Isto significa que os resíduos plásticos podem ser tratados de uma forma que seja mais fácil de gerir em grande escala.

Principais descobertas

Realizamos um teste que durou mais de um mês. As larvas foram alimentadas apenas com poliestireno, apenas com farelo (um alimento rico em nutrientes) ou com uma combinação de poliestireno e farelo.

Descobrimos que as larvas-da-farinha alimentadas com dieta de farelo de poliestireno sobreviveram em taxas mais altas do que aquelas alimentadas apenas com poliestireno. Descobrimos também que consumiam poliestireno de forma mais eficiente do que aqueles que seguiam uma dieta apenas com poliestireno. Isto destaca os benefícios de garantir que os insetos ainda tenham uma dieta rica em nutrientes.

Embora a dieta apenas com poliestireno tenha apoiado a sobrevivência das larvas-da-farinha, elas não tinham nutrição suficiente para torná-las eficientes na decomposição do poliestireno. Esta descoberta reforçou a importância de uma dieta equilibrada para que os insetos consumam e degradem o plástico de forma otimizada. Os insetos podem estar comendo o poliestireno porque ele é composto principalmente de carbono e hidrogênio, o que pode fornecer energia.

As larvas-da-farinha na dieta com farelo de poliestireno foram capazes de quebrar aproximadamente 11,7% do poliestireno total durante o período dos testes.

Bactérias intestinais

A análise do intestino da larva-da-farinha revelou mudanças significativas na composição bacteriana dependendo da dieta. Compreender estas mudanças na composição bacteriana é crucial porque revela quais os micróbios que estão ativamente envolvidos na degradação do plástico. Isto nos ajudará a isolar as bactérias e enzimas específicas, que podem ser aproveitadas para os esforços de degradação do plástico.

Descobriu-se que os intestinos das larvas alimentadas com poliestireno contêm níveis mais elevados de Proteobacteria e Firmicutes, bactérias que podem se adaptar a vários ambientes e decompor uma ampla gama de substâncias complexas. Bactérias como Kluyvera, Lactococcus, Citrobacter e Klebsiella também foram particularmente abundantes, e são conhecidas por produzirem enzimas capazes de digerir plásticos sintéticos. As bactérias não serão prejudiciais ao inseto ou ao meio ambiente quando usadas em grande escala.

A abundância de bactérias indica que elas desempenham um papel crucial na decomposição do plástico. Isso pode significar que as larvas de farinha podem não ter a capacidade natural de comer plástico. Em vez disso, quando começam a comer plástico, as bactérias nos seus intestinos podem mudar para ajudar a decompô-lo. Assim, os micróbios no estômago das larvas-da-farinha podem se ajustar a dietas incomuns.

Estas descobertas apoiam a nossa hipótese de que o intestino de certos insetos pode permitir a degradação do plástico. Isto provavelmente ocorre porque as bactérias no intestino podem produzir enzimas que decompõem os polímeros plásticos.

Isto levanta a possibilidade de isolar estas bactérias, e as enzimas produzidas, para criar soluções microbianas que irão tratar os resíduos plásticos em maior escala.

O que vem a seguir

Certas espécies de insetos, como a larva-da-farinha amarela (Tenebrio molitor) e os super-vermes (Zophobas morio), já demonstraram capacidade de consumir plásticos. Eles são capazes de decompor materiais como o poliestireno com a ajuda de bactérias no intestino.

A nossa investigação é única porque se concentra em espécies de insetos nativas de África, que não foram extensivamente estudadas no contexto da degradação do plástico.

Este enfoque regional é importante porque os insetos e as condições ambientais em África podem diferir daqueles de outras partes do mundo, oferecendo potencialmente novas perspectivas e soluções práticas para a poluição plástica em ambientes africanos.

A capacidade da larva-da-farinha queniana de consumir poliestireno sugere que esta poderia desempenhar um papel na redução natural de resíduos, especialmente para tipos de plástico que são resistentes aos métodos convencionais de reciclagem.

Estudos futuros poderiam se concentrar no isolamento e identificação de cepas bacterianas específicas envolvidas na degradação do poliestireno e no exame de suas enzimas.

Esperamos descobrir se as enzimas podem ser produzidas em escala para a reciclagem de resíduos.

Além disso, podemos explorar outros tipos de plásticos para testar a versatilidade deste inseto para aplicações mais amplas de gestão de resíduos.

Aumentar a utilização de larvas-da-farinha menores para a degradação do plástico também exigiria estratégias para garantir a saúde dos insetos durante o consumo prolongado de plástico, bem como avaliar a segurança da biomassa de insetos resultante para a alimentação animal.

Fathiya Khamis é cientista sênior do Centro Internacional de Fisiologia e Ecologia de Insetos

** Este texto foi publicado originalmente no site do The Conversation Brasil.

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Censo: Brasil perdeu 4 milhões de pessoas na zona rural e ganhou 16 milhões nas áreas urbanas em 12 anos

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Segundo o IBGE, migração e mudanças na taxa de fecundidade em cada uma dessas áreas ajudam a explicar o movimento. Centro-Oeste registra o maior crescimento urbano.
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Por Judite Cypreste, g1

Postado em 14 de novembro de 2024 às 11h00m

#.* Post. - Nº.\  11.402 *.#

O Brasil perdeu 4,3 milhões de moradores na zona rural e ganhou 16,6 milhões nas áreas urbanas nos últimos 12 anos, mostram dados do Censo 2022 divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira (14).

Segundo os dados, dos 203 milhões de brasileiros:

  • 117,5 milhões moram em áreas urbanas, o que representa 87,4% da população (eram 84,6% em 2010).
  • 25,5 milhões vivem nas áreas rurais, o que corresponde a 14,3% da população (eram 15,6%).

O ritmo de redução da população nas áreas rurais, que havia diminuído entre 2000 e 2010, acelerou de 2010 para 2022: a queda foi de 1,28%, ante 0,65% no intervalo anterior.

Além disso, todas as regiões registraram queda na população rural.

Segundo especialistas do IBGE, fatores como a migração, mudanças nas taxas de fecundidade (número de filhos por mulher) e o aperfeiçoamento do sistema de coleta de dados do Censo podem explicar essa mudança.

Centro-Oeste tem maior crescimento nas áreas urbanas

O crescimento da população nas áreas urbanas foi maior no Centro-Oeste, com aumento de 19%, que também passou a perder moradores na área rural — queda de 10,5%. O intervalo anterior havia registrado aumento de 2%.

O Centro-Oeste foi a região que registrou o maior aumento populacional do Brasil nos últimos 12 anos, avançando 1,23%, enquanto a população do país cresceu 0,52% no mesmo período.

Entre os estados, Pará, Maranhão, Sergipe e Alagoas foram os que tiveram os maiores crescimentos da população urbana. Apenas duas unidades da federação tiveram queda: Amapá e Distrito Federal.

São Paulo e Manaus são as cidades que mais ganharam população urbana

Entre os municípios, São Paulo foi o que apresentou o maior crescimento urbano — a cidade ganhou 282 mil moradores nas áreas urbanas em 12 anos, e perdeu 83 mil nas rurais.

Manaus vem a seguir: teve aumento de 250 mil na população urbana em 12 anos. A capital do Amazonas, que saltou de 1,8 para 2 milhões de habitantes nesse período, é, junto com Belém, uma das duas únicas cidades a ter mais da metade da população vivendo em favelas.

Munícipios com maior crescimento da população urbana

Ranking Município População Urbana (2010) População Urbana (2022) Variação Absoluta da População Urbana População Rural (2010) População Rural (2022) Variação Absoluta da População Rural
1º São Paulo 11.152.344 11.434.786 282.442 101.159 17.213 -83.946
2º Manaus 1.792.881 2.043.677 250.796 9.133 20.012 10.879
3º São José de Ribamar 37.709 240.840 203.131 125.336 3.739 -121.597
4º Goiânia 1.297.076 1.435.186 138.110 4.925 2.180 -2.745
5º Sorocaba 580.655 718.444 137.789 5.970 5.238 -732
6º Petrolina 219.215 349.477 130.262 74.747 37.314 -37.433
7º Florianópolis 412.646 511.536 98.890 8.594 9.717 1.123
8º Boa Vista 277.799 402.169 124.370 6.514 11.317 4.803
9º Parauapebas 138.690 258.225 119.535 15.218 9.611 -5.607
10º Uberlândia 587.266 703.198 115.932 16.747 10.026 -6.721


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quarta-feira, 13 de novembro de 2024

Trufas: por que esses fungos comestíveis, considerados 'diamantes da terra', são tão caros

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Menos de 1 kg da trufa branca de Alba, a mais valiosa do mundo, chegou a ser leiloado na Itália por cerca de R$ 600 mil. O alto custo é explicado por diversos motivos, em especial, por serem raras e difíceis de encontrar.
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Por Lara Castelo

Postado em 13 de novembro de 2024 às 07h00m

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Por que as trufas são tão caras?

Trufas são fungos comestíveis com sabor característico que costumam ser usados em pedaços ou incorporados a algum tempero, como o azeite, em pratos da alta gastronomia.

🍬​ Elas são diferentes das trufas de chocolate, que, inclusive, levam esse nome por se parecerem com o fungo. Isso porque algumas trufas têm um formato pequeno, redondo e escuro, lembrando bombons de chocolate (veja na imagem abaixo).

Só que, ao contrário das trufas de chocolate, é improvável comprar o fungo por menos de R$ 8 mil o quilo — preço da Sapucay, a 1° trufa encontrada no Brasil.

Em 2021, por exemplo, 830 gramas da trufa branca de Alba, a mais valiosa do mundo, chegou a ser leiloado na Itália por 103 mil euros (cerca de R$ 630 mil na cotação de 1 de novembro), segundo a Reuters.

💎Não por acaso elas são conhecidas como "diamantes da terra".

Algumas trufas têm formato pequeno, redondo e escuro, lembrando bombons de chocolate. — Foto: Reprodução/Tartuferia San Paolo
Algumas trufas têm formato pequeno, redondo e escuro, lembrando bombons de chocolate. — Foto: Reprodução/Tartuferia San Paolo

Mas por que as trufas são tão caras?

Porque existem poucas trufas disponíveis no mercado, o que está ligado a quatro motivos:

1. Elas exigem condições específicas para crescer

Clima temperado, solo pouco ácido e a presença de árvores como carvalho, nogueira-pecã e aveleira são algumas das suas exigências.

⏲️​ Além disso, seu crescimento é um processo demorado.

"Em média, elas levam de 5 a 6 anos desde o 'nascimento' até a colheita", explica Marcelo Sulzbacher, biólogo especializado em fungos comestíveis e um dos pesquisadores da Universidade Federal de Santa Maria que descobriram a 1° trufa brasileira (veja mais abaixo).

Ele ressalta que as trufas só estão disponíveis em determinados períodos do ano, que variam conforme a espécie.

2. Elas são difíceis de encontrar

Nero, cachorro da raça lagotto romagnolo, que caça trufas. — Foto: Reprodução/Instagram
Nero, cachorro da raça lagotto romagnolo, que caça trufas. — Foto: Reprodução/Instagram

Diferente dos cogumelos, como shitake, shimeji e portobello, que se desenvolvem acima da superfície, as trufas crescem "escondidas" embaixo da terra, em associação com as raízes das suas árvores preferidas.

É justamente por serem fungos subterrâneos e terem menos trocas com o ambiente que as trufas retêm mais sabor e aroma que os cogumelos, de acordo com o Carlos Claro, dono da Tartuferia San Paolo, restaurante especializado em trufas.

Mas essa característica dificulta o trabalho dos trufeiros, que caçam esses fungos pela floresta.

🐕​​ Para encontrá-las, eles precisam da ajuda de animais com olfato apurado.

Originalmente, esse papel era desempenhado por porcos; hoje, são os cachorros que cumprem essa função, em especial, os da raça lagotto romagnolo — como o Nero, mascote de Carlos, treinado para caçar esses "diamantes da terra" (confira na foto acima).

3. Elas estragam rápido

As trufas são altamente perecíveis e duram até, no máximo, 15 dias na geladeira, segundo Carlos.

"Isso faz com que o seu consumo seja ainda mais limitado e, consequentemente, caro", explica o empresário.

4. Elas não costumam crescer no Brasil

Tradicionalmente, devido às suas exigências climáticas, como o clima temperado, as trufas são encontradas em países da Europa como Itália, Espanha e França.

Apesar disso, o seu cultivo tem se espalhado por outros países. Em 2016, um grupo de pesquisadores da Universidade Federal de Santa Maria encontrou as primeiras trufas brasileiras em uma plantação de nogueira-pecã, em Cachoeira do Sul (RS). A espécie é conhecia como Sapucay.

Mas a quantidade de trufas brasileiras ainda é muito baixa quando compara à produção europeia, o que faz com que quem queira comercializar trufas no Brasil precise importá-las do outro lado do Oceano Atlântico.

É um processo caro e arriscado, o que reflete no preço do produto no Brasil, explica Carlos, que importa cerca de 4 quilos de trufas de diferentes tipos mensalmente da Itália para o Brasil.

⌚​ Ele conta que tudo é feito com o tempo cronometrado porque qualquer atraso, seja no voo ou na liberação no aeroporto, pode comprometer as trufas e causar prejuízos.

Itália➡️​ Brasil:

🍄​ Tudo começa quando as trufas são encontradas e colhidas na Itália. No mesmo dia, os trufeiros locais já avisam o empresário, separam os documentos necessários e embarcam o produto para o Brasil.

"Um desses documentos é um laudo que comprova que as trufas foram produzidas em um local regularizado", descreve Carlos.

✈️ O voo da Itália para o Brasil dura cerca de 11 horas e, quando chegam no aeroporto, os fungos passam por uma inspeção de Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que confere se documentação está alinhada com o produto.

Além disso, Carlos tem que mostrar o comprovante de pagamento das taxas de importação exigidas à Receita Federal — que variam conforme a quantidade.

No total, contando o transporte aéreo e as taxas de importação, o gasto médio para trazer trufas da Europa para o Brasil é de R$ 6 mil, segundo o empresário.

Isso, de acordo ele, reflete em um custo médio de R$ 18 mil por quilo de trufa que é vendida no restaurante.

⚠️Mas isso não significa que para comer um prato com trufas no Brasil é necessário gastar R$ 18 mil.

Isso porque são usadas quantidades pequenas de trufas por refeição, no máximo, de 5 a 7 gramas, segundo o empresário, o que pode significar, respectivamente, R$ 90 e R$126 por prato.

O preço varia ainda conforme o tipo de trufa que é oferecido.

"Por exemplo, o prato 'ovo perfeito' (um ovo cozido com gema mole, servido com trufas laminadas) sai por cerca de R$ 70 se for com trufa de verão; se for a branca, o valor pode subir para R$ 250", descreve o empresário.

Prato "Ovo perfeito" feito com ovo cozido e fatias de trufas. — Foto: Reprodução/ Tartuferia San Paolo
Prato "Ovo perfeito" feito com ovo cozido e fatias de trufas. — Foto: Reprodução/ Tartuferia San Paolo

Apesar das dificuldades, Carlos afirma que comercializar trufas no Brasil é uma das suas paixões.

Fungo apreciado por chefs, trufa branca de 830g é leiloada por 103 mil euros

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