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quinta-feira, 24 de outubro de 2024

IPCA-15: preços sobem 0,54% em outubro, com disparada de 5,29% da energia elétrica

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O resultado representa uma forte aceleração, de 0,41 ponto percentual, em relação ao registrado em setembro, quando o indicador teve ata de 0,13%.
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Por Bruna Miato, g1

Postado em 24 de outubro de 2024 às 10h00m

#.* Post. - Nº.\  11.383 *.#

 — Foto: NSC TV/Reprodução
— Foto: NSC TV/Reprodução

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) — considerado a prévia da inflação oficial do país — registrou uma alta de 0,54% nos preços em outubro, informou nesta quinta-feira (24) o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A alta foi puxada pelo forte avanço de 1,72% no grupo de Habitação, influenciado sobretudo pela disparada de 5,29% nos preços da energia elétrica residencial. O grupo teve o maior impacto sobre o indicador no mês, com 0,26 ponto percentual.

A energia, que também foi o maior problema do IPCA-15 e da inflação cheia de setembro, ficou ainda mais cara em outubro, quando a bandeira tarifária vermelha patamar 2 passou a valer. Essa bandeira adiciona um custo de R$ 7,87 a cada 100 quilowatt-hora (kWh) consumidos.

Conta de luz mais cara: veja como economizar energia, mesmo com a bandeira vermelha

O resultado deste mês representa uma forte aceleração, de 0,41 ponto percentual, em relação ao registrado em setembro, quando o indicador teve ata de 0,13%. Já em outubro de 2023, a taxa foi de 0,21%.

Em 12 meses, o IPCA-15 acumula uma alta de 4,47%, contra os 4,12% observados até setembro. Já no ano, o indicador acumula um avanço de 3,71%.

A prévia da inflação também veio acima das expectativas do mercado financeiro, que previa uma alta de 0,50% para este mês e um acumulado de 4,43% em 12 meses.

IPCA-15: preços sobem 0,54% em outubro

Veja abaixo a variação dos grupos em outubro

Em outubro, oitodos nove grupos pesquisados pelo IBGE apresentaram alta:

  • Alimentação e bebidas: 0,87%;
  • Habitação: 1,72%;
  • Artigos de residência: 0,41%;
  • Vestuário: 0,43%;
  • Transportes: -0,33%;
  • Saúde e cuidados pessoais: 0,49%;
  • Despesas pessoais: 0,35%;
  • Educação: 0,05%;
  • Comunicação: 0,40%.

Habitação, Alimentação e Saúde ficam mais caros

No grupo de Habitação, além da disparada dos preços da energia elétrica residencial, destaque também para o aumento dos preços do gás de botijão, que teve uma alta de 2,17% em outubro.

Outros grupos com impactos importantes na prévia da inflação deste mês foram Alimentação e bebidas — com alta de 0,87% e impacto de 0,18 ponto percentual no índice — e Saúde e cuidados pessoas — com alta de 0,49% e impacto de 0,07 ponto percentual.

Em Alimentação, tanto a alimentação no domicílio (0,95%) quanto a alimentação fora do domicílio (0,66%) tiveram uma aceleração nos preços no mês.

As maiores altas vieram do contrafilé (5,42%), do café moído (4,58%) e do leite longa vida (2,00%), dentro de casa, e da refeição (0,70%) e do lanche (0,76%), na alimentação fora do domicílio.

Já no grupo de Saúde e cuidados pessoais, o avanço foi puxado pelos planos de saúde, que tiveram alta de 0,53%.

"Houve aplicação de reajustes autorizados pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) para os planos contratados antes da Lei nº 9.656/98, com vigência retroativa a partir de julho. Desse modo, no IPCA-15 de outubro foram apropriadas as frações mensais dos planos antigos relativas aos meses de julho, agosto, setembro e outubro", explica o IBGE.

Transportes têm queda, com alívio nas passagens e combustíveis

O grupo de Transportes foi o único a apresentar uma queda em outubro, caindo 0,33%, com um impacto negativo de 0,07 ponto percentual no IPCA-15.

Os principais componentes do grupo apresentaram redução nos preços no mês, com destaque para as passagens aéreas, que caíram 11,40%.

As passagens de ônibus urbano (-2,49%), trem (-1,59%) e metrô (-1,28%) também tiveram reduções nos preços, o que o IBGE atribui à gratuidade nas passagens concedidas à população no primeiro turno das eleições municipais, em 6 de outubro.

Os combustíveis também tiveram uma leve queda, de 0,01%, influenciados pela baixa de 0,71% nos preços do gás veicular e de 0,23% no óleo diesel. A gasolina não apresentou oscilação neste mês, e o etanol subiu 0,02%.

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‘Donos’ do planeta: 5 maiores maiores controlam brazilam US$ trilhões

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Ativos de Us$ 29,6 trilhões, superior ao PIB dos EUA, para influência apontam o grande conglomerados de conglomerados de maior conglomerados sobre os locais. Com recente onda de privatizações, presença de gestoras como a BlackRock de sêt
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Publicado em Publicado em
Freepik / Site do PT -- 
Postado em 24 de outubro de 2024 às 07h35m

#.* Post. - Nº.\  11.382 *.#


Finançasirização: como as economias globais nas nas mãos das gestoras de fundos?

Em julho de 2023, uma entrevista do presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, passou despercebida pela grande. Ao site da BlackRock, a maior gestor de fundos do planeta, Neto pensado vim em um plano que enônoma, na sua, seria visão “bom” para o Brasil: entregar o administração da controle das reservas internacional do banco, em US$ 380, à à sua gestora americana. Uma terceirização de ativos do BC, denunciada à época site do PT como um dos maiores ataques à soberania do país, é uma ponta do iceberg de apenas o oceano trilhões de dólares depilhas depíredos “donos do mundo”. Trata-se daste o de Tratar de oras, na prática, controlam o equivalente aos maiores do planeta.

Como cinco maiores maiores gestoras de fundos do mundo tomar noem atualmente de US$ 29 trilhões,6 ativos em. Para se ter uma ideia do que representa, um soma supera uma projeção de crescimento da poderosa nação global, os Estados Unidos, chegar PIB em 2023 deve a US$ 26 trilhões. Os conglomerados listados local em uma reportagem do site VC S/A, do Grupo Abril.

Uma cifra impressionante revela atuação como a silenciosa dos fundos, que os entre os acionistas das empresas mais empresas poderosas da era moderno, têm interferido, de modo crescente, nas locais, incluindo o Brasil, principalmente como a privat fazer as pressásteres o governo Bolsonaro.

De acordo com a VC S/A, o “top 5” fundos dos fundos integra: BlackRock, com o administração de US$ 10 trilhões em sórte, Vanguard (US$ 8,1), Fidelity (US$ 4,2), State Street Corp (US$ 4,02) e Morgan Stanley (US$ 3,32 trilhões). Essa última, sóro, controle que superam o PIB brasileiro para este ano: US$ 2,13.

Em artigo para o portal 247 no final de semana, o engenheiro e professor do Instituto Federal Fluminense (IFF), Roberto Moraes, chama a papel para “o papel que as gestoras de âmbito de ocupação de âmbito financeiro, hegemonia no Brasil e no mundo”.

Sem texto, Moraes debruçou-se sobre a especial a atuação da BlackRock, a gestora predileta de Campos Neto – o lacaio do capital – para ger dicionário como reservas brasileiras, conquistadas e é graças a favor do PT. Ele destaca, por exemplo, oc, ovar da gestor sobre diversas áreas no Brasil, em especial, o sector elétrico após, a entrega criminosa da Eletrobras ao capital privado.

“A gestora de fundo de fundo de BlackRock está presente negócios de diversos setores no Brasil energia (eletricidade e petróleo), bancos, agronegócio, alimentos, alimentos, siderurgia indústria, varejo, varejo e, construção e imobiliáio, etc. e também discurso o utiliza de privilegiar a ESG (Environmental, Social and Governance e Governance ou em Meio investimentos, Social e Governança) com foco

“Diversidade” (trato)

A reportagem do site VC S/A. também chama a parao atenção a “diversidade” da atuação dos fundos, quem participação sua porcentagens emagens carteínas: pequenas empresas “Boa das do S&P 500, o ‘ibovespa’ dos ‘ibovespa’ dos, EUA tem o capital fortemente pulverizado, maiores e os maiores acionistas são universidades invari maior gestor de fundos”, destaca.

“Além disso, porcentagens pequenas que se escondem, mas os valores maiores. O stake da Vanguard na Apple vale US$ 175 (três Petrobrasss inteira)”, exemplifica.

A pulverização escrita no modus operandi dos disfarçador, mas tambémr uma real as sua influência en gestoras têm na economia dos países, conformar-se por observado Moraes no artigo. “No Brasil, mais, chama, recentemente a o inva forgo privatizados privatizados e em Háões espaciais, interesse moderno numa Grande em Minas Gerais que está em vias de privatização de empresas estatais com o governo Zema”, observa o professor.

“Quem controla, queo de forma minoritária, em ampla participação em diferentes e territórios, sempre nonidade persona tanto dúvida de interesses, geoeconomicamente, para ganhos em escala e não os mais próximos”, enfatiza Moraes, ao identificar a a da daos presença verdadeira no Brasil fundos. “Vale observar com atenção com os movimentos de entrada e entrada e entrada dessas participações acionárias da gestora BlackRock no Brasil”, aponta.

“Em especial no setor elétrico, lembrando na Eletrobras privatizada por Bolsonaro, o BlackRock tem posição expressiva superior a R$ 6 bilhões. Na América Latina, uma BlackRock tem tem patrimônio e da da da quase US$ 100”, estima o engenheiro.

Moraes, que é autor do livro “A ?indústria ? fundos ? fundos ? ? ? ?rcussões ? ?recusões ? ?indústria ? ?indústria ?, de ida e de outras estratégias não — the Para ele, em sua expansão, a gestor a pelote a nate a setores mais com economia, o bancário, fundos, interferindo nos da economia real, e amplia o escopo de influência na política e na economia.

“São movimentos que mostram olace ainda no BlackRock com o sector sector sector fundos, as económicas nacionais, controle das receitas económicas (e papeis), de maiss nacionais em seus capitalização e ativos da economia real, controle de que vai valorização valorização, e capacidade de interferência nas políticas de economias e nas nacionais”, denuncia

“É essencial e debater fenômeno esse sobre as cadeias de valor global, uma atuação transversal ea trans dos fundos, sobre a geoeconomia, uma geopolítica, a pelotra política, a pelotra política dos países político e a das estratégias dos projetos nacionais de desenvolvimento”, adverte Moraes, na artigo do artigo.

Daação, com site VC S/A e 247

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Contas das estatais federais brasileiras devem fechar 2024 com o maior déficit em 15 anos

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Especialistas reforçam que o descontrole nas contas das estatais compromete a credibilidade do país e o esforço em sanar as despesas públicas no momento em que o governo fala em urgência para revisar gastos.
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Por Jornal Nacional

Postado em 24 de outubro de 2024 às 05h20m

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Contas das estatais federais devem fechar 2024 com maior déficit em 15 anos

As contas das empresas estatais federais brasileiras devem fechar 2024 com o maior déficit em 15 anos.

São mais de 100 empresas estatais. Fazem parte da máquina do governo federal e atuam em diversos setores - como infraestrutura, telecomunicações e agropecuária. O governo usa o resultado de algumas dessas empresas para calcular o desempenho das contas públicas do país - mês a mês. E, em 2024, as contas devem apresentar o maior rombo desde 2009.

De janeiro a agosto, o déficit das empresas estatais federais bateu R$ 3,3 bilhões e a previsão do próprio governo é que fechem o ano em R$ 3,7 bilhões no vermelho.

Em 2009, o rombo do ano foi de R$ 3,8 bilhões. Nos anos seguintes, as estatais federais tiveram resultados melhores e, em alguns anos, até positivo. Graças a aportes dos governos. Em 2018, a gestão do então presidente Michel Temer injetou R$ 5 bilhões no caixa dessas empresas, fazendo um superávit. Em 2019, o governo Jair Bolsonaro injetou R$ 10 bilhões, e o resultado ficou positivo em R$ 14 bilhões. Em 2023, o resultado voltou a ser negativo, em R$ 700 milhões.

Estatais federais em bilhões de reais — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução
Estatais federais em bilhões de reais — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução

Em 2024, os déficits maiores estão na:

  • Empresa Gerencial de Projetos Navais (Emgepron);
  • Empresa de Correios e Telégrafos;
  • Emgea, de planejamento financeiro;
  • Infraero;
  • Dataprev - responsável pela tecnologia da informação do país, como processamento de folha de pagamento e benefícios do INSS.

O resultado não inclui Petrobras e Eletrobras, porque são empresas que têm características específicas, como regras de governança que se aproximam de empresas privadas de capital aberto. E nem inclui os bancos públicos.

A Lei de Diretrizes Orçamentárias permite que o governo abata os gastos com investimentos previstos no PAC (Programa de Aceleração do Crescimento).

O Ministério da Gestão e da Inovação afirmou que, em boa parte das empresas estatais, o déficit que agora está sendo registrado é explicado pelo aumento em investimentos, como máquinas e tecnologia; que esses investimentos estão sendo bancados por recursos que já estão no caixa das empresas e não demandarão nenhum aporte do Tesouro; que em anos anteriores, especialmente entre 2018 e 2021, o Tesouro já repassou recursos para as estatais para que elas realizassem investimentos e que como eles não foram feitos, se transformaram em superávits elevados naqueles anos e ficaram guardados no caixa das empresas.

O governo também citou que, em 2018 e 2019, foram feitos aportes que somam R$ 10 bilhões, que geraram um superávit. E que a Emgepron recebeu investimentos em 2018 e 2019 para a construção de quatro fragatas, o que gerou superávit naqueles anos. Ainda segundo o governo, em 2024, a empresa já investiu R$ 1 bilhão desses recursos, que ficam registrados como déficit.

As projeções para os próximos anos também indicam resultados ruins. Especialistas reforçam que o descontrole nas contas das estatais compromete a credibilidade do país e o esforço em sanar as despesas públicas no momento em que o governo fala em urgência para revisar gastos.

O economista Gabriel Barros ressaltou que há preocupação sobre a sustentabilidade da política do governo federal de repassar recursos para as estatais, criando contas cada vez mais deficitárias.

"O mercado está bastante preocupado e atento a esses estímulos por fora do orçamento, vamos colocar assim, que o governo está fazendo. Esses estímulos também incluem as estatais federais. Então, essa reversão de superávit para déficit, nesse contexto em que o governo usa as estatais como vetor de crescimento da economia, preocupa bastante, porque amplia a percepção de risco e piora, de fato, a trajetória das contas públicas", diz Gabriel Leal Barros, economista-chefe da Ryo Asset.

O economista Claudio Frischtak lembrou que o déficit nessas contas é pago por todos nós.

"Basicamente, esse déficit alguém tem que pagar, e quem vai pagar somos nós, evidentemente. Porque o governo não produz dinheiro, por assim dizer. Então, isso tem uma implicação adversa sobre uma situação fiscal que já é muito frágil. Os resultados atuam no sentido de fragilizar ainda mais o arcabouço fiscal do governo. E qual é a consequência? Juros mais elevados, câmbio mais estressado, risco-país, infelizmente um pouco pior”, afirma Claudio Frischtak, presidente da Inter.B Consultoria.

A Emgepron reiterou que o déficit não corresponde a prejuízo contábil e, em grande parte, representa gastos com a construção de navios para a Marinha. A Emgepron afirma que a capitalização da empresa para a condução de uma política pública de defesa, aprovada pelo Tribunal de Contas da União, explica o déficit.

Os Correios afirmaram que o déficit foi herdado do governo anterior, mas que investiram cerca de R$ 2 bilhões próprios para reconstruir a empresa, adotaram medidas para reduzir despesas e aumentar receitas, e não vão precisar de aporte do governo.

A EMGEA declarou que é superavitária e tem disponibilidade para quitar todas as suas despesas.

A Infraero declarou que não vai precisar de recursos do governo para cobrir o déficit e que ele é decorrente do uso de recursos próprios, disponíveis em caixa, para a transferência dos aeroportos da sétima rodada de concessões.

A Dataprev declarou que não apresenta prejuízo, que continua tendo resultados positivos significativos e que mantém níveis altos de liquidez.

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terça-feira, 22 de outubro de 2024

Brics se torna clube de autocracias liderado pela China

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Lula não figurará na foto inaugural da cúpula do novo grupo na Rússia por acidente, não por desejo
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https://www.cnnbrasil.com.br/
22/10/2024 às 04:00
Postado em 22 de outubro de 2024 às 06h00m

#.* Post. - Nº.\  11.380 *.#

Cúpula do Brics em Johanesburgo
Cúpula do Brics em Johanesburgo • 23/8/2023 REUTERS/Alet Pretorius

A reunião de cúpula dos Brics, desta terça (22) até quinta-feira (24), na Rússia, marca a sua conversão, de um bloco de grandes nações emergentes, para um clube de regimes autoritários que gravitam ao redor da China. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não figurará na foto inaugural dos governantes do Brics+, como é chamado, não por falta de desejo, mas por um capricho do destino.

O Brasil é representado pelo chanceler Mauro Vieira, enquanto Lula acompanha a cúpula por vídeo, depois de um pequeno acidente doméstico no sábado (19) que levou seu médico, Roberto Kalil, a dissuadi-lo de fazer a longa viagem até a histórica cidade de Kazan, na república russa do Tatarstão, e de enfrentar a pesada agenda de chefes de Estado.

O bloco acolherá Irã, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Egito e Etiópia, convidados no ano passado, por iniciativa da China, duplicando seu número de integrantes. O Brasil e a Índia não queriam essa expansão, mas a China impôs o seu desejo.

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O governo Lula desejava a entrada apenas da Argentina, como forma de ajudar na eleição do candidato de esquerda, Sergio Massa. Ele foi derrotado pelo “libertário” Javier Milei, que rejeitou o convite, depois de uma campanha em que prometeu não cultivar contatos com os governos “comunistas” da China e do Brasil.

Para ampliar ao máximo a impressão de que a Rússia não está isolada, o presidente Vladimir Putin convidou mais de 20 outros países que manifestaram desejo de ingressar no Brics+. Exatamente com o mesmo objetivo, Putin mais uma vez não participará da cúpula do G-20 no mês que vem no Rio de Janeiro.

Desde que invadiu a Ucrânia, o autocrata russo não vai a essas reuniões, para não ser visto esnobado pelos governantes das democracias mais ricas do mundo. Um agravante, no caso dessa cúpula, é o fato de o Brasil ser signatário do Acordo de Roma, criador do Tribunal Penal Internacional, que emitiu ordem de prisão contra Putin por causa do sequestro de milhares de crianças ucranianas, separadas de seus pais e levadas à força para “centros de reeducação” na Rússia, entre outros crimes de guerra.

Entre os países que pretendem ingressar no Brics+ está a Venezuela. Segundo apuração dos analistas Renata Varandas e Caio Junqueira, da CNN, o governo brasileiro se opõe a essa inclusão e pede, como fez no ano passado, sem êxito, que o bloco defina os critérios de expansão.

O critério é claro: a China busca se projetar como líder do Sul Global, como árbitro de conflitos locais e como incentivadora da contestação da ordem internacional baseada em regras. Nessa última categoria se enquadram o Irã, que patrocina o Hamas, o Hezbollah e os Houthis; a Venezuela, que ameaça invadir a Guiana; a própria China, que contesta a soberania de Taiwan e de territórios do Japão e das Filipinas; e a Rússia, que ocupa parte da Ucrânia.

Apesar da retórica do “multilateralismo” empregada por China, Rússia e Brasil, a estratégia conduz a um mundo bipolar: de um lado, o chamado Ocidente Coletivo, formado por países democráticos e liberais; de outro, o chamado Sul Global, que embora inclua democracias como o Brasil, a Índia e a África do Sul, sofre a predominância de autocracias iliberais, nas quais o Estado exerce poder maior sobre a economia e os cidadãos.

A cristalização desses blocos ficou clara na divisão dos votos no Conselho de Segurança da ONU acerca das crises da Ucrânia e da Faixa de Gaza. Estados Unidos, China e Rússia exerceram seu poder de veto no Conselho para impedir a aprovação de resoluções contrárias a seus interesses, contribuindo para uma paralisia ainda maior da entidade.

O mesmo já vem acontecendo na Organização Mundial do Comércio, na qual os Estados Unidos impedem a nomeação de juízes para o painel de apelação, por considerar que a China se beneficia das regras de livre comércio criadas sob liderança americana.

O próximo passo nesse movimento da China por meio dos Brics pode ser o enfraquecimento do G-20. Esse grupo foi criado como forma de ampliar a interlocução com as maiores economias do mundo, antes restrita às sete democracias mais ricas, reunidas no G-7. A consolidação do Brics+ como bloco econômico liderado pela China tende a dividir o G-20 segundo alinhamentos geopolíticos.

A fusão dos interesses geopolíticos e econômicos se expressa no plano da China, Rússia e Brasil de consolidar um sistema de pagamentos alternativo ao dólar. O objetivo mais premente é ajudar países como Rússia, Irã e, eventualmente, Venezuela e Cuba, que também pretendem ingressar no bloco, a driblar as sanções impostas pelos Estados Unidos e, em alguns casos, pela União Europeia.

Não há dúvida de que a dominância do dólar traz grandes benefícios para os Estados Unidos e prejuízos para os outros países, que ficam sujeitos a flutuações cambiais sobre as quais não têm controle, e sofrem de menor atratividade de seus títulos da dívida e investimentos, entre outros fatores.

Mas a melhor forma de lidar com esse problema não é passar a orbitar em torno do renminbi, a moeda chinesa, por sua vez sujeita à arbitragem do Banco Cenral Chinês, ainda menos transparente e previsível do que aquela feita pelo Fed, seu equivalente americano.

Para um país como o Brasil, seria melhor investir no equilíbrio das contas públicas, na independência do Banco Central, na liberalização do comércio, na segurança jurídica e em reformas que aprimorem o ambiente de negócios, como aquelas preconizadas pela Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), para aumentar a atratividade dos investimentos. Mas não é esse o caminho escolhido pelo governo Lula.

Tópicos

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domingo, 20 de outubro de 2024

Como a maconha altera seu DNA

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Estudo revela que o uso de maconha de alta potência altera a metilação do DNA — sobretudo em genes relacionados às funções de energia e do sistema imunológico.
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TOPO
Por Marta Di Forti*, Emma Dempster*

Postado em 20 de outubro de 2024 às 06h00m

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Maconha — Foto: GETTY IMAGES via BBC
Maconha — Foto: GETTY IMAGES via BBC

A maconha é uma das drogas mais usadas no mundo. No entanto, ainda há muita coisa que não sabemos sobre ela e sobre seus efeitos no cérebro — incluindo por que a cannabis provoca psicose em algumas pessoas que usam a droga.

Mas nosso estudo recente acaba de nos deixar mais perto de entender o impacto biológico do uso de maconha de alta potência.

Publicado na revista científica Molecular Psychiatry, ele demonstra que a cannabis de alta potência deixa uma marca distinta no DNA.

Também descobrimos que essas alterações no DNA eram diferentes em pessoas que estavam sofrendo o primeiro episódio psicótico, em comparação com usuários que nunca haviam sofrido de psicose.

Isso sugere que observar como o uso de cannabis modifica o DNA poderia ajudar a identificar aqueles que correm mais risco de desenvolver psicose.

A quantidade de THC (Delta-9-Tetrahidrocanabinol), o principal ingrediente da maconha que faz as pessoas se sentirem "chapadas", tem aumentado de forma constante desde a década de 1990 no Reino Unido e nos EUA.

No Estado americano do Colorado, onde a maconha é legalizada, é possível comprar a droga com 90% de THC. Embora o THC seja um dos mais de 144 outros produtos químicos encontrados na planta da cannabis, é o principal composto usado para estimar a potência da maconha.

Muitos estudos mostraram que quanto maior a concentração de THC, mais fortes serão os efeitos no usuário. Por exemplo, uma pesquisa descobriu que as pessoas que usam maconha de alta potência (com THC de 10% ou mais) diariamente, possuem cinco vezes mais chance de desenvolver um transtorno psicótico, em comparação com aquelas que nunca usaram a droga.

Os transtornos psicóticos associados ao uso diário de cannabis de alta potência costumam se manifestar por meio de uma série de sintomas. Entre eles, estão alucinações auditivas (ouvir vozes que outras pessoas não conseguem escutar), delírios de perseguição (sentir que é alvo de uma conspiração sem qualquer evidência) e paranoia (perceber o ambiente como hostil e interpretar as interações de forma suspeita).

Todas estas experiências são muito angustiantes e incapacitantes.

Nosso estudo teve como objetivo analisar a marca que o uso corrente de cannabis deixa no DNA. Também queríamos entender se esta marca é específica do uso de cannabis de alta potência — e se isso pode ajudar a identificar os usuários com maior risco de sofrer de psicose.

Para fazer isso, analisamos os efeitos do uso de cannabis em um processo molecular chamado metilação do DNA. Trata-se de um processo químico que regula a atividade dos genes, ativando ou desativando os genes, e controlando como os genes são expressos sem alterar a estrutura do próprio DNA.

A metilação do DNA é apenas um dos muitos mecanismos que regulam a atividade dos genes, e faz parte de um importante processo biológico conhecido como epigenética.

A epigenética é base da interação entre o nosso ambiente, as escolhas de estilo de vida que fazemos (como o uso de cannabis ou a prática de exercício físico) e a nossa saúde física e mental.

Embora estudos anteriores tenham investigado o impacto do uso de maconha ao longo da vida na metilação do DNA, eles não analisaram o efeito do uso regular de diferentes potências da droga neste processo. Tampouco exploraram como isso afeta as pessoas que têm psicose.

Nossa pesquisa combinou dados de dois grandes estudos de caso-controle iniciais: o estudo Genética e Psicose, realizado no sul de Londres, e o estudo EU-GEI, que incluiu participantes da Inglaterra, França, Holanda, Itália, Espanha e Brasil.

Ambos os estudos coletaram dados de pessoas que estavam sofrendo o primeiro episódio psicótico e de participantes que não apresentavam problemas de saúde e representavam a população local.

Pessoas que usam cannabis com THC de 10% ou mais têm cinco vezes mais chance de desenvolver um transtorno psicótico, em comparação com aquelas que não usam a droga. — Foto: GETTY IMAGES via BBC

No total, analisamos 239 pessoas que estavam sofrendo o primeiro episódio psicótico e 443 voluntários saudáveis. Cerca de 65% dos participantes eram do sexo masculino. Eles tinham idades entre 16 e 72 anos. Todos forneceram informações sobre o uso de cannabis, assim como amostras de DNA do sangue.

Cerca de 38% dos participantes usavam maconha mais de uma vez por semana. Daqueles que usavam a droga, a maioria consumia cannabis de alta potência mais de uma vez por semana — e havia começado por volta dos 16 anos.

As análises de metilação do DNA foram então realizadas em várias partes de todo o genoma. A análise levou em conta o potencial impacto de diversos fatores de confusão biológicos e ambientais que podem ter afetado os resultados — como idade, sexo, etnia, tabagismo e a composição celular de cada amostra de sangue.

Marca distinta no DNA

Nossas descobertas revelaram que o uso de maconha de alta potência altera a metilação do DNA — sobretudo em genes relacionados às funções de energia e do sistema imunológico. Isso ocorreu com os participantes que haviam usado maconha de alta potência. No entanto, as pessoas que haviam sofrido de psicose apresentavam uma marca diferente de alteração no seu DNA.

Estas mudanças epigenéticas mostram como fatores externos (como o uso de drogas) podem alterar o funcionamento dos genes. É importante destacar que estas alterações não foram explicadas pelo tabaco — que normalmente é misturado nos cigarros de maconha por muitos usuários, e é conhecido por alterar a metilação do DNA.

Esta descoberta também evidencia as alterações epigenéticas como um possível elo entre a cannabis de alta potência e a psicose.

A metilação do DNA, que faz a ponte entre a genética e os fatores ambientais, é um mecanismo chave que permite que influências externas (como o uso de substâncias) afetem a atividade dos genes.

Ao estudar as alterações epigenéticas, os pesquisadores podem ser capazes de desenvolver uma compreensão melhor sobre como o uso de maconha — especialmente de alta potência — pode influenciar vias biológicas específicas.

Isso pode, por sua vez, nos ajudar a entender por que é que alguns usuários de cannabis apresentam um risco maior de psicose.

Esperamos que as nossas descobertas ajudem os cientistas a compreender melhor como o uso de maconha pode afetar a biologia do corpo.

As futuras pesquisas devem agora investigar se os padrões de metilação do DNA associados ao uso de cannabis podem servir como biomarcadores para identificar usuários com maior risco de desenvolver psicose.

Isso poderia levar a estratégias de prevenção mais direcionadas e orientar práticas mais seguras de uso de cannabis.

* Marta Di Forti é cientista clínica, bolsista de pesquisa do MRC, na Universidade King's College London, no Reino Unido.

Emma Dempster é professora de ciências clínicas e biomédicas na Universidade de Exeter, no Reino Unido.

Este artigo foi publicado originalmente no site de notícias acadêmicas The Conversation e republicado aqui sob uma licença Creative Commons. Leia aqui a versão original (em inglês).

Projeto da Unicamp cria método para controlar qualidade dos produtos de maconha medicinal

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