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sexta-feira, 8 de dezembro de 2023

INFOGRÁFICO: como é a fronteira do Brasil com Essequibo, território na Guiana cobiçado pela Venezuela

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São cerca de 790 km que se estendem por 6 municípios, habitados por 141 mil brasileiros, sendo 37 mil deles indígenas. "A gente se sente muito inseguro", diz líder Wapichana.
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Por Arthur Stabile, Gabriel Croquer, Valéria Oliveira, g1 — São Paulo

Postado em 08 de dezembro de 2023 às 11h30m

#.*Post. - N.\ 11.036*.#

Infográfico mostra como é a fronteira entre o Brasil e Essequibo, região da Guiana que a Venezuela quer anexar. — Foto: Editoria de Arte/g1
Infográfico mostra como é a fronteira entre o Brasil e Essequibo, região da Guiana que a Venezuela quer anexar. — Foto: Editoria de Arte/g1

Metade dos 1,6 mil quilômetros de fronteira da Guiana com o Brasil estão na região de Essequibo, o território do país vizinho que o governo de Nicolás Maduro, da Venezuela, quer anexar.

São cerca de 790 km que se estendem do Parque Nacional Monte Roraima até Oriximiná, no Pará, com uma geografia que, segundo especialistas, favorece o uso do território brasileiro como passagem em uma eventual ação militar venezuelana – uma manobra, entretanto, considerada improvável por eles (leia mais abaixo).

Esses 790 km se estendem por 6 municípios de Roraima (5) e Pará (1), em que moram 141 mil brasileiros – 37 mil são indígenas, a maioria vive em 6 Terras Indígenas – a maior delas é a Raposa Serra do Sol, com 1,7 milhão de hectares e 25.077 habitantes dos povos Ingarikó, Macuxi, Patamona, Taurepang e Wapichana (clique aqui para ver todas).

Em geral, esses municípios têm territórios grandes e núcleos urbanos pequenos (veja as populações aqui). Os de Bonfim – onde fica o principal cruzamento por terra entre Brasil e Guiana , e também entre a Venezuela e a Guiana –, Normandia e Uiramutã (a cidade mais indígena do Brasil) ficam a poucos quilômetros do país vizinho. Já o de Oriximiná, no Pará, está a 400 km.

A região tem como principais motores da economia o comércio entre as populações brasileira e guianense – Lethem, a cidade mais próxima, é considerado um paraíso de compras baratas para os moradores de Roraima –, o turismo – um dos principais destinos, o Monte Roraima, fica na região – e o garimpo ilegal.

"Aqui está tudo tranquilo, não tem movimentação nenhuma. O que há é só a preocupação do povo com a possibilidade de se fechar a fronteira", conta ao g1 Joner Chagas (Republicanos), prefeito de Bonfim, cidade de 13,9 mil habitantes por onde passa a principal ligação por terra entre Brasil e Guiana.

O sentimento dos indígenas que vivem na borda do país é outro.

"Nossa comunidade está há 800, 1 mil metros da fronteira", conta Lázaro Wapichana, líder indígena da região do Pium, que fica em Bonfim. "A gente se sente muito inseguro [com um possível conflito] porque eles não vão respeitar os povos indígenas e nem ninguém, porque uma guerra é uma guerra".

O Brasil possui 12 bases militares em Roraima – a maioria delas em Boa Vista, a cerca de 50 km da região de fronteira com Essequibo. Para ampliar a segurança no território brasileiro, Ministério da Defesa determinou o envio de 28 veículos blindados e um contingente de até 150 militares.

Saiba mais sobre a fronteira:

Quais são as cidades e qual é a população delas?

  • Bonfim (RR) - 13.897 habitantes, 6.463 indígenas
  • Caracaraí (RR) - 20.957 habitantes, 1.273 indígenas
  • Caroebe (RR) - 10.656 habitantes, 810 indígenas
  • Normandia (RR) - 13.669 habitantes, 12.144 indígenas
  • Oriximiná (PA) - 68.294 habitantes, 3.805 indígenas
  • Uiramutã (RR) - 13.751 habitantes, 13.283 indígenas
Quais são as terras indígenas existentes na região, e quais povos vivem nelas?

  • Raposa Serra do Sol: 25.077 habitantes dos povos Ingarikó, Macuxi, Patamona, Taurepang e Wapichana;
  • São Marcos: 9.033 (Macuxi, Taurepang e Wapichana);
  • Manoa/Pium: 2.576 (Macuxi e Wapichana);
  • Jacamim: 1.167 habitantes (Wapichana);
  • Waiwái: 500 habitantes (Waiwai);
  • Bom Jesus: 43 habitantes (Macuxi e Wapichana).
Atrações turísticas
Monte Roraima, destino turístico na tríplice fronteira entre Brasil, Guiana e Venezuela — Foto: Divulgação/Embratur
Monte Roraima, destino turístico na tríplice fronteira entre Brasil, Guiana e Venezuela — Foto: Divulgação/Embratur

O turismo está entre as atividades econômicas que movimentam a região de Bonfim e Pacaraima. Há o temor de que, em caso de um conflito armado, as fronteiras sejam fechadas.

Visitantes dos países vizinhos e de outros estados têm o Monte Roraima, no norte do estado brasileiro – com acesso pela Venezuela– como um dos principais atrativos. Há também, na fronteira com Essequibo, fazenda com lago natural e pontos de vendas de açaí (do lado brasileiro, em Bonfim), e de outros produtos naturais típicos da região, como a de Moco Moco, na Guiana.

Além da vinda de estrangeiros ao Brasil, brasileiros também visitam Essequibo. Um dos locais visados é Lethem, cidade na Guiana que possui cachoeiras bastante buscadas por brasileiros.

Assim como outras áreas de Roraima, a região próxima a Essequibo tem registros de garimpo ilegal.

Nessa área, o principal palco de exploração é a terra Indígena Raposa Serra do Sol, uma das maiores terras indígenas do país, segundo o Conselho Indígena de Roraima (CIR).

Monitoramento feito em julho deste ano identificou pontos de extração ilegal nas áreas de Água Fria, Igarapé do Trovão e Igarapé do Kai da TI Raposa Serra do Sol.

Presença das Forças Armadas Brasileiras

Há 12 unidades das Forças Armadas no estado de Roraima (veja no infográfico acima), segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública – 9 do Exército, 2 da Aeronáutica e 1 da Marinha.

O presidente Lula (PT) determinou que o Ministério da Defesa enviasse 28 veículos blindados (veja detalhes aqui) e um efetivo entre 130 e 150 militares para reforçar a fronteira – um esquadrão foi transformado em regimento de cavalaria para abrigar o reforço.

Modelos dos blindados que reforçarão a fronteira — Foto: Exército Brasileiro/Divulgação
Modelos dos blindados que reforçarão a fronteira — Foto: Exército Brasileiro/Divulgação

Para Vitelio Brustolin, pesquisador do Instituto de Estudos Estratégicos da Universidade Federal Fluminense (UFF) e da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, a chance de uma investida da Venezuela contra a Guina é praticamente nula. Ele avalia que uma ação militar representaria o fim da carreira política de Nicolás Maduro.

"O que a Venezuela pode fazer: invadir o território com o risco de ter uma guerra com o Brasil. O que Maduro vai fazer? Bombardear a Guiana? O que os Estados Unidos querem é uma união mundial para tirar o Maduro do poder", analisa.

Na hipótese remota de a Venezuela decidir atacar, haveria duas possibilidades: uma incursão por ar e água, com ataques aéreos e tropas invadindo a Guiana por navios; ou, então, por terra. E é aqui que entra o Brasil.

A fronteira da Venezuela com a Guiana é formada por uma mata densa que impossibilita a passagem de veículos blindados e grandes tropas ao mesmo tempo. A alternativa seria por estradas e só no Brasil há uma ligação assim com a Guiana.

Segundo Vitério, o Brasil tem cerca de 5 mil militares na região de Roraima -- somado o reforço prometido pelo governo federal.

"É suficiente [para evitar uma invasão], até porque seria temerário a Venezuela usar o território brasileiro de passagem"

O Ministério da Defesa foi procurado, mas não se manifestou até a publicação desta reportagem.

Nesta quinta-feira (7), um caminhão do Exército pegou fogo na BR-101, que liga o Brasil com a Guiana. Dois militares tiveram ferimentos leves.

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quinta-feira, 7 de dezembro de 2023

Essequibo brasileiro: parte do território que a Venezuela quer anexar já foi do Brasil

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País foi derrotado em disputa com a Inglaterra, que colonizou a Guiana, no início do século 20. Hoje, Venezuela reivindica território.
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Por Felipe Gutierrez

Postado em 07 de dezembro de 2023 às 06h25m

#.*Post. - N.\ 11.035*.#

Venezuela x Guiana: o que acontece após referendo ser aprovadoVenezuela x Guiana: o que acontece após referendo ser aprovado

No último domingo, a Venezuela organizou um referendo no qual 95% dos eleitores que votaram escolheram que o país deveria incorporar o território de Essequibo, uma área de 159 mil km² que hoje pertence à Guiana.

O presidente Nicolás Maduro tem mostrado um mapa da Venezuela que já incorpora o território --nessa região, está incluída uma área mais ao sul que nunca havia sido disputada pelos venezuelanos, mas, sim, pelo Brasil.

O Brasil e a Inglaterra, que colonizou a Guiana, tiveram uma disputa territorial no início do século 20 em que o Brasil saiu derrotado. Essa área, conhecida como a região do Rio Pirara (a sílaba tônica é a paroxítona, como se fosse "Pirára"), está hoje em Essequibo. A história é conhecida como "A Questão do Rio Pirara". O consultor da Câmara dos Deputados José Theodoro Mascarenhas Menck escreveu um livro com esse nome, publicado em 2009.

Mapa mostra região do litígio da Questão do Rio Pirara — Foto: arte/ g1
Mapa mostra região do litígio da Questão do Rio Pirara — Foto: arte/ g1

A única derrota em negociações

A perda da região do Rio Pirara, que hoje faz parte de Essequibo, na Guiana, foi o único caso em que o território brasileiro encolheu após uma arbitragem (o Brasil perdeu o território que hoje é o Uruguai, mas isso foi em uma guerra, e não em uma negociação).

Durante o século 19, o Brasil se envolveu em outras duas disputas, uma pelo Amapá, outra pelo oeste de Santa Catarina. Nessas duas ocasiões, o país saiu vitorioso.

A terceira disputa territorial foi com a Inglaterra, que na época era a metrópole da Guiana.

Inglaterra, França e Holanda

Durante o século 17, os territórios que hoje formam Guiana Francesa, Suriname e Guiana pertenciam todos à Holanda. Os holandeses ficaram só perto do litoral da Guiana, mas o interior do país --ou seja, as regiões mais ao sul, próximas do Brasil, eram de mato e difíceis de penetrar.

Isso ficou assim até o início do século 19, quando um general francês se tornou imperador e começou uma campanha militar na Europa na qual conquistou diversos países –inclusive a Holanda. O imperador francês Napoleão Bonaparte conquistou territórios da Holanda fora do continente europeu, e tomou da Holanda essa região da América do Sul. Napoleão foi derrotado, e um terceiro país virou o dono dessa parte da América do Sul: a Inglaterra.

Após a derrota da França napoleônica, os países europeus se reuniram no Congresso de Viena, em 1815, para discutir como seriam divididos os territórios. A solução foi dividir a região da América do Sul em três:

  • A parte mais ao leste para os franceses (hoje Guiana Francesa).
  • A parte central para os holandeses (hoje Suriname)
  • A parte mais ocidental para os ingleses (hoje Guiana)
A disputa por território entre Brasil e Guiana

No começo do século 19, as fronteiras ainda estavam pouco definidas. Na década de 1830, um explorador britânico, Roberto Hermann Schomburgk, fez uma série de visitas exploratórias à região. Ele foi financiado por uma sociedade inglesa privada que patrocinava expedições pelo mundo --era o mesmo grupo que pagava pelas viagens do explorador David Livingstone pela África.

"Ele sugere uma fronteira que invade o lado brasileiro, porque a 'linha Schomburgk' se estende para oeste além da linha do rio que até então marcava a divisão. Ele leva essa demarcação para Londres, que aceita a linha como a demarcação da fronteira", diz Menck.

Só que, para o Brasil, a divisão que deveria valer era uma que havia sido estabelecida no Tratado de Utrecht, no comecinho do século 18, pelo qual o limite do território brasileiro era demarcado por diversos rios, como o Tacutu, que pertencem à bacia de um rio maior, o rio Essequibo.

Tanto o Brasil como a Venezuela, então, contestam a demarcação da "linha Schomburgk", e essas duas disputas vão ser definidas pela forma mais comum de resolução desses problemas na época: uma arbitragem internacional.

Arbitragem é um método alternativo de resolução de disputas. As partes em disputa submetem o litígio a um árbitro ou um tribunal arbitral, que vai tomar uma decisão que deverá ser respeitada pelas partes. Este processo acontece fora dos tribunais tradicionais. O árbitro do caso entre Inglaterra e o Brasil foi o rei da Itália na época, Vitório Emanuel III.

Brasil e Inglaterra

A Inglaterra venceu o Brasil nessa arbitragem em 1904. Foi uma vitória parcial, pois a Guiana ficou com dois terços do território em disputa, e o Brasil, um terço. Na prática, o Brasil perdeu o acesso à bacia do rio Essequibo.

Menck considera que dois fatores pesaram na decisão pró-Guiana na época:

  • O rei Vitório Emanuel III se aconselhou com acadêmicos de geografia e de direito internacional de universidades italianas, que disseram para o árbitro adotar conceitos que estavam sendo aplicados desde a Conferência de Berlim, em 1885, que determinava, grosso modo, que quem chegava primeiro podia ocupar. Acontece que o Brasil não era participante da Conferência de Berlim e não deveria estar sujeito a essas regras, diz Menck.
  • Os documentos do Brasil que mostravam que o território brasileiro era mais extenso eram dos séculos 17 e 18, anteriores às regras então usadas para resolver disputas. O árbitro entendeu que ninguém conseguiu provar posse do território, mas repartiu a área em dois terços para Inglaterra e um terço para o Brasil.

Menck afirma que o Brasil então enfrentou um dilema: se o país questionasse a arbitragem, colocaria em risco as então recentes vitórias em Santa Catarina e no Amapá, que foram bem mais significativas.

A mesma "linha Schomburgk" traçada por um explorador britânico que contrariou o Brasil foi contestada pela Venezuela.

O caso da Venezuela com a Inglaterra também foi para uma arbitragem, mas, nesse caso, foi um tribunal arbitral. Era um grupo composto por cinco árbitros: um deles era um diplomata russo importante na época; dois foram indicados pela Inglaterra, e dois pela Venezuela, que apontou juízes de um órgão que havia sido criado fazia pouco tempo nos Estados Unidos, a Suprema Corte de Justiça.

Houve uma negociação secreta entre os árbitros, e o tribunal acabou decidindo dar vitória à Inglaterra. Décadas mais tarde, no começo dos anos 1960, um dos juízes americanos que tinha participado da arbitragem revelou que houve negociações secretas nessa decisão. Em 1963, a Venezuela passou a afirmar que houve conversa prévia antes da arbitragem e, portanto, o tribunal era viciado por um conluio para prejudicar a Venezuela.

Por que a Venezuela pede território que nunca foi dela, mas do Brasil?

Menck afirma que quando começou o processo de arbitragem para decidir o litígio entre Venezuela em Inglaterra, um agente do governo colonial inglês na Guiana mandou um mapa para o tribunal em que apareciam os dois territórios que a Inglaterra disputava, com a Venezuela e com o Brasil. "Foi um erro burocrático, mandaram um mapa com a parte de cima (ou seja, no norte) e a parte de baixo (do sul, que foi disputada com o Brasil."

O tribunal de arbitragem fez a linha de litígio com base nesse mapa, e é esse o mapa que, agora, Nicolás Maduro usa para dizer qual é a área de Essequibo que a Venezuela quer.

Na época da arbitragem entre Venezuela e Inglaterra, um dos representantes do Brasil era Joaquim Nabuco. Ele chegou a mandar uma petição dizendo que o mapa estava errado, pois incluía o território que o Brasil reivindicava. Mas, na época, entendeu-se que isso seria decidido no segundo caso, alguns anos mais tarde.

Governo da Venezuela quer anexar território de Essequibo

Cartaz de campanha para o referendo sobre a região de Essequibo convocada pela Venezuela. Votação será no domingo (3/12) — Foto: Reuters

Maduro segura novo mapa da Venezuela com anexação de Essequibo — Foto: Zurimar Campos/Presidência da Venezuela
 
Mapa mostra rios na região de fronteira entre Brasil e Guiana — Foto: Reprodução de A Questão do Rio Pirara, de José Theodoro Mascarenhas Menck
Regime chavista fez um referendo e enviou um projeto de lei para incorporar território ao mapa venezuelano
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quarta-feira, 6 de dezembro de 2023

Com novembro, 2023 tem o 6º mês consecutivo a quebrar um recorde histórico de calor, diz observatório

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Informação foi divulgada por pesquisadores do Serviço de Mudanças Climáticas Copernicus da União Europeia. Por causa dessas altas temperaturas, 2023 será o ano mais quente de que se tem registro.
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Por Roberto Peixoto, g1

Postado em 06 de dezembro de 2023 às 10h05m

#.*Post. - N.\ 11.034*.#

Um avião decola do Aeroporto Internacional Sky Harbor na tarde de 12 de julho de 2023, em Phoenix, nos Estados Unidos. — Foto: AP Foto/Matt York
Um avião decola do Aeroporto Internacional Sky Harbor na tarde de 12 de julho de 2023, em Phoenix, nos Estados Unidos. — Foto: AP Foto/Matt York

Novembro de 2023 marcou o sexto mês consecutivo de recordes de calor na Terra, anunciaram cientistas do observatório europeu Copernicus nesta quarta-feira (6).

Desde junho, temos registrado um mês mais quente a cada novo período. E, por causa disso, os cientistas do observatório europeu já confirmam que este ano quebrará recordes, sendo o mais quente da história, conforme vinham alertando há alguns meses.

As extraordinárias temperaturas globais de novembro, incluindo dois dias mais quentes do que 2ºC acima do período pré-industrial, significam que 2023 é o ano mais quente já registrado na história.
— Samantha Burgess, vice-diretora do Serviço de Mudanças Climáticas Copernicus (C3S).

Ainda de acordo com o observatório, novembro de 2023 foi o novembro mais quente já registrado globalmente porque teve uma temperatura média do ar de superfície de 14,22°C, 0,85°C acima da média de novembro de 1991-2020 e 0,32°C acima do novembro mais quente anterior, em 2020.

Além disso, a temperatura média para o período de janeiro a novembro foi 0,13°C mais alta do que a média para o mesmo período em 2016, atualmente o ano mais quente registrado.

Lista de recordes

A marca de temperatura de novembro se soma à lista de recordes globais de calor deste ano:

  • Primeiro, o planeta registrou o mês de junho mais quente da história.
  • Depois, a marca foi sendo quebrada a cada novo mês: julho, agosto, setembro, outubro e agora novembro.
  • Além disso, o número de dias que ultrapassou o limiar de aquecimento politicamente significativo de 1,5ºC já atingiu um novo máximo, muito antes do final do ano.
  • E, para piorar, pela 1ª vez, o mundo registrou um dia com a temperatura média global 2°C acima da era pré-industrial.
  • Fora tudo isso, julho foi tão quente que pode ter sido o mês mais quente em 120 mil anos, enquanto as temperaturas médias de setembro quebraram o recorde anterior em 0,5°C.
No vídeo a seguir, o g1 explica a crise do clima em gráficos e mapas:
Entenda a crise do clima em gráficos e mapas
Entenda a crise do clima em gráficos e mapas

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PIB do Brasil cresce 0,1% no 3° trimestre de 2023, diz IBGE

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Economia brasileira passa por desaceleração, já que o resultado vem depois de uma alta de 1% no segundo trimestre deste ano.
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Por Raphael Martins, g1

Postado em 06 de dezembro de 2023 às 08h00m

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PIB teve o terceiro resultado positivo consecutivo do indicador em bases trimestrais — Foto: WAGNER VILAS/ESTADÃO CONTEÚDO
PIB teve o terceiro resultado positivo consecutivo do indicador em bases trimestrais — Foto: WAGNER VILAS/ESTADÃO CONTEÚDO

O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil cresceu 0,1% no 3º trimestre de 2023 na comparação com os três meses imediatamente anteriores, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta terça-feira (5).

A economia brasileira passa por um processo de desaceleração, já que o saldo vem depois de a atividade crescer 1% no segundo trimestre deste ano. Em relação aos mesmos três meses de 2022, o PIB brasileiro teve alta de 2%.

Este é o terceiro resultado positivo consecutivo do indicador em bases trimestrais — o IBGE revisou os números do 4º trimestre de 2022 para uma queda de 0,1%.

Já na janela anual, a alta acumulada em quatro trimestres é de 3,1%. E, no acumulado dos nove meses de 2023, o ganho foi de 3,2% contra o mesmo período do ano passado.

Variação trimestral do PIB brasileiro até o 3° tri de 2023 — Foto: g1
Variação trimestral do PIB brasileiro até o 3° tri de 2023 — Foto: g1

Grande destaque do primeiro semestre, a Agropecuária teve recuo de 3,3% entre julho e setembro por conta da saída da colheita da base de comparação. Na comparação com o mesmo trimestre do ano passado, contudo, acumula alta de 8,8%.

O segmento de serviços, setor mais importante da economia brasileira, voltou a subir 0,6% no trimestre. A alta em relação ao mesmo período de 2022 é de 1,8%.

Em valores correntes, o PIB totalizou R$ 2,741 trilhões. Foram R$ 2,387 trilhões vindos de Valor Adicionado (VA) a preços básicos, e outros R$ 353,8 bilhões de Impostos sobre Produtos líquidos de Subsídios.

Principais destaques do PIB no 3º trimestre:

  • Serviços: 0,6%
  • Indústria: 0,6%
  • Agropecuária: -3,3%
  • Consumo das famílias: 1,1%
  • Consumo do governo: 0,5%
  • Investimentos: -2,5%
  • Exportações: 3%
  • Importação: -2,1%

PIB do Brasil cresce 0,1% no 3° trimestre de 2023, diz IBGE
PIB do Brasil cresce 0,1% no 3° trimestre de 2023, diz IBGE

Revisão de resultados

No terceiro trimestre, o IBGE costuma realizar revisões de resultados anteriores do PIB do país. Foram revistos os números de todos os trimestres do ano de 2022, além dos dois primeiros trimestres de 2023.

A principal revisão foi uma queda menor da Agropecuária em 2022. O recuo passou de 1,7% para 1,1%. A mudança de base também altera os resultados em 2023, já que a base de comparação muda.

Assim, o setor passou de um crescimento de 18,8% para 22,9% no primeiro trimestre, e de 17% para 20,9% no segundo.

PIB brasileiro em terceiros trimestres — Foto: g1
PIB brasileiro em terceiros trimestres — Foto: g1

Agro e Serviços continuam fortes

O terceiro trimestre de 2023 fica marcado por uma desaceleração mais clara da economia, que vinha de dois trimestres crescendo na casa de 1%. O resultado mais marcante é o da Agropecuária, com queda de 3,3%. O resultado é influenciado pela saída da supersafra de soja do 1º semestre.

Ainda assim, o setor puxa a economia brasileira para cima no ano, tanto que ainda há alta de 8,8% em relação ao mesmo trimestre de 2022, apoiadas por culturas de milho (19,5%), cana (13,1%), algodão (12,5%) e café (6,9%). No acumulado do ano, o agro cresce 18,1%, líder absoluto entre os setores.

Os serviços também continuaram a trajetória de crescimento, com alta de 0,6% em relação ao trimestre anterior.

O IBGE destaca que seis das sete atividades analisadas registraram crescimento neste trimestre. Os maiores aumentos percentuais vieram das atividades financeiras, de seguros e serviços relacionados (1,3%) e as imobiliárias (1,3%). Destaque também para Informação e comunicação (1%).

Também subiram outras atividades de serviços (0,5%), administração, defesa, saúde e educação públicas e seguridade social (0,4%) e comércio (0,3%). Quem teve queda foi o setor de transporte, armazenagem e correio (-0,9%), atividade ligada ao transporte de passageiros, mas também aos fretes da Agropecuária.

Contra o mesmo período do ano passado, a alta foi de 1,8%. Os destaques são a Intermediação financeira e seguros (7%) e Atividades imobiliárias (3,6%).

Os serviços totais chegam ao maior patamar da série histórica e 8% acima do pré-pandemia.

A Indústria teve alta de 0,6% no trimestre e de 1% contra o mesmo trimestre do ano passado. O destaque vai para a atividade de Eletricidade e gás, água, esgoto, atividades de gestão de resíduos, que cresceu 3,6% no período e de 7,3% versus o terceiro trimestre do ano passado.

Por outro lado, a Construção foi destaque de queda, com recuo de 3,8% e de 4,5%, respectivamente.

A Indústria Extrativa também vem bem no ano. A alta no trimestre foi de 0,1%, mas de 7,2% em relação ao trimestre de 2022. Segundo o IBGE, o desempenho puxado pelo crescimento da extração de petróleo e gás.

Análise do PIB sob a ótica da oferta — Foto: g1
Análise do PIB sob a ótica da oferta — Foto: g1

Investimento cai, consumo das famílias sobe

Na ótica da demanda houve recuo importante nos Investimentos, que caíram 2,5%. Em entrevista ao g1, a economista Juliana Trece, do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre), indica que a ação dos juros foi determinante para o resultado.

As taxas mais altas, somadas às indefinições da agenda econômica do governo, foram freios na decisão de investimentos de empresários e trouxeram impacto ao setor. Em relação ao mesmo trimestre do ano passado, a queda é ainda mais acentuada, de 6,8%.

O IBGE destaca a influência de uma queda na produção interna de bens de capital, decréscimo na Construção e redução na importação de bens de capital.

Já o consumo das famílias continua crescendo, influenciado pelas políticas de transferência de renda (como o reajuste do Bolsa Família e aumento real do salário mínimo), a melhora do mercado de trabalho e a desaceleração geral da inflação.

Por outro lado, a coordenadora de Contas Nacionais do IBGE, Rebeca Palis, afirma que os juros seguem altos e as famílias seguem endividadas, o que trouxe queda no consumo de bens duráveis.

No trimestre, o consumo das famílias teve alta de 1,1%. Contra o mesmo trimestre de 2022, a alta foi de 3,3%. O segmento também está nas máximas da série histórica do IBGE e 5,8% acima do pré-pandemia.

Análise do PIB sob a ótica da demanda — Foto: g1
Análise do PIB sob a ótica da demanda — Foto: g1

Setor externo contribui

Os bons desempenhos da Agropecuária e da Indústria extrativa no ano têm relação direta com o setor externo.

As Exportações de bens e serviços chegaram a 10% de alta em relação ao mesmo período do ano passado e de 9,8% no acumulado do ano. O IBGE destaca justamente os Produtos agropecuários, a indústria extrativa mineral, os derivados de petróleo e produtos alimentícios.

Na ponta oposta, as Importações tiveram queda de 6,1% e de 1,3% nas mesmas janelas de tempo. A redução de vendas de máquinas e equipamentos, produtos químicos e produtos farmacêuticos são alguns dos destaques.

Economista analisa resultado do PIB no 3° trimestre
Economista analisa resultado do PIB no 3° trimestre

Haddad espera alta de 3% no ano

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta terça-feira (5) que o resultado do PIB brasileiro “surpreendeu positivamente” porque o mercado esperava uma retração, e chamou atenção para o possível efeito da queda da taxa básica de juros do país, a Selic, para o resultado final da atividade no ano.

Nós tivemos um PIB positivo, mas fraco. Com os cortes nas taxas de juros, nós esperamos que, neste ano, nós fechemos o PIB em mais de 3% de crescimento e esperamos um crescimento na faixa de 2,5% no ano que vem. Mas o Banco Central precisa fazer o trabalho dele.
— Fernando Haddad, ministro da Fazenda

Em entrevista ao g1, o economista-chefe da MB Associados, Sérgio Vale, afirma que as travas de crédito e desaquecimento da economia por conta dos juros devem, na verdade, mostrar mais as caras neste segundo semestre, o que já fez economistas revisarem para baixo a projeção de fechamento do PIB para este ano.

" o risco é voltarmos para um cenário de 2017 a 2019, em que as commodities não estavam com desempenho brilhante e a economia relativamente fraca”, disse Vale, lembrando que efeitos da política monetária demoram a se mostrar na atividade — tanto quando juros sobem, como quando descem.

O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), também comentou brevemente o resultado: “Eu acho que não é só surpresa. É resultado de um trabalho de pessoas que acreditam que é possível fazer as coisas acontecerem.”

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