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domingo, 9 de outubro de 2016

Venda e produção de veículos caíram quase pela metade em 4 anos

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De janeiro a setembro, emplacamento baixou 46% sobre 2012, ano recorde.
Produção dos 9 meses foi 45,7% menor do que em 2013, que foi histórico.

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Luciana de Oliveira-Do G1, em São Paulo
08/10/2016 13h26 - Atualizado em 08/10/2016 13h26
Postado em 09 de outubro de 2016 às 15h00m
O Brasil vende e produz atualmente pouco mais do que a metade dos veículos que nos tempos de auge da indústria, no início da década. Em 2 anos, deixou de ser o 4º maior mercado de carros do mundo, caindo para a 10ª posição.

De janeiro a setembro deste ano, as montadoras entregaram 45,7% menos carros, caminhões e ônibus do que no mesmo período de 2013, que foi o último com recorde da produção antes da crise, segundo dados da associação das fabricantes, a Anfavea.
Produção de veículos entre janeiro e setembro nos últimos 10 anos (Foto: G1)
Nos primeiros 9 meses deste ano, saíram das fábricas 1,55 milhão de unidades contra 2,86 milhões em 2013. Até setembro, o nível deste ano para a produção era o pior desde 2003, diz a Anfavea. Ou seja, a crise fez a indústria automobilística brasileira recuar 13 anos.
De 4º para 10º maior mercado O movimento é consequência direta da queda nas vendas de veículos novos, que acontecem pelo 4º ano seguido. De janeiro a setembro, o volume de emplacamentos foi 46% menor do que o mesmo período de 2012, quando houve o último marco histórico.
Naquele ano, foram vendidos 2,789 milhões de carros, caminhões e ônibus até setembro; neste ano, 1,5 milhão, que equivale ao nível de 2006.
Vendas de veículos entre janeiro e setembro nos últimos 10 anos (Foto: G1)

Com quase 4 milhões de emplacamentos no total, o Brasil terminou 2012 como o 4º maior mercado de carros mundo, à frente da Alemanha e perdendo apenas para China, Estados Unidos e Japão.
Essa posição foi conquistada em 2010 e mantida até 2014. Em 2015, o país caiu para 7º em vendas, superado por Alemanha, Índia e Grã-Bretanha.

Neste ano é o 10º da lista, atrás ainda de França, Itália e Canadá, considerando dados até agosto da consultoria Jato Dynamics, especializada no setor automotivo.

No ranking mundial de produção, o Brasil foi o maior da América Latina de 2003 até 2014, quando perdeu o posto para o México, que atraiu diversas montadoras graças a acordos comerciais e à proximidade geográfica com os EUA.

Em 2013, a indústria brasileira chegou a ser a 5ª maior produtora de veículos do mundo; em 2015, caiu para o 9º lugar.

Capacidade recorde
Apesar de a indústria automotiva ter, atualmente, sua maior capacidade produtiva da história, para 5 milhões de veículos anuais, as fábricas só têm usado metade desse potencial, segundo a Anfavea.


Elas empregavam, em setembro, 124,6 mil pessoas, o menor nível desde 2013.
Emprego na indústria automotiva tem o menor nível desde 2012 (Foto: G1)
Fundo do poço já foi
Analistas ouvidos pelo G1 acreditam, no entanto, que o pior da crise para o mercado automotivo já passou. "O terceiro trimestre (deste ano) foi o fundo do poço", diz João Morais, da Tendências Consultoria. "O quarto já deve mostrar resultados positivos, mas na comparação com o trimestre anterior."



"O terceiro trimestre (deste ano) foi o fundo do poço"
João Morais, da Tendências Consultoria
Para 2017, a consultoria projeta alta de 8% nas vendas de carros e comerciais leves (picapes e furgões) e 17,3% para caminhões e ônibus. "Mas esse crescimento, é bom lembrar, é sobre uma base fraca, que é 2016."

Rafael Abe, da Jato Dynamics Brasil, também concorda que "o pior já passou", mas acredita que o mercado só vai conseguir repetir o nível de 2015, "que já não foi bom", em 2019 ou 2020.


"É difícil fazer projeção de vendas em um mercado em crise, principalmente no longo prazo. Por isso a Fenabrave e Anfavea têm revisado tanto as previsões", explica. "Temos que aguardar os próximos acontecimentos do mercado, a evolução da economia, da taxa de juros."
Vai voltar ao auge?
Volta ao áureo patamar de quase 4 milhões de veículos vendidos levará "décadas", na opinião de Morais.


Para ele, o "boom" do início dos anos 2010 ocorreu de forma natural inicialmente, seguindo um ciclo positivo da economia. Porém, nos anos finais do ciclo, esse crescimento foi "anabolizado" por medidas do governo, como a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI).

"A partir de 2011, quando o PIB (Produto Interno Bruto) já não mostrava um crescimento tão robusto assim e o mercado de trabalho já mostrava esgotamento, o governo dobrou a aposta em um modelo de crescimento baseado no consumo, então teve o endividamento das famílias", relembra.


Ainda acreditamos muito no Brasil, que temos um potencial para superar estes números do passado. Mas não temos bola de cristal. Se o mercado retomar, acreditamos que pode ser em poucos anos" Antonio Megale,presidente da Anfavea.

"Ainda acreditamos muito no Brasil, que temos um potencial para superar estes números do passado. Mas não temos bola de cristal. Se o mercado retomar, acreditamos que pode ser em poucos anos", disse Antonio Megale, presidente da Anfavea, sobre voltar a alcançar os picos históricos de vendas e produção .

O futuro
Para os analistas, é preciso que a indústria automotiva brasileira se volte também à exportação.

"Foi um um erro do passado (não dar atenção ao mercado externo). As montadoras estão se preparando agora, por necessidade", observa Morais.


É preciso rever a cultura. Atualmente só podemos exportar a mercados mais limitados. Falta investimento em tecnologia "Rafael Abe, da Jato Dynamics Abe alerta que ainda há um longo caminho a ser percorrido até que o Brasil tenha competitividade para ser um pólo exportador de veículos.

"É preciso rever a cultura. Atualmente só podemos exportar a mercados mais limitados. Falta investimento em tecnologia", conclui.

Do auge à crise: fatos que marcaram a trajetória da indústria automotiva brasileira (Foto: G1)
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sábado, 8 de outubro de 2016

Produção de motos cai 32,2% em setembro, diz Abraciclo

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Foram 80.489 unidades feitas, contra 118.743 motos em setembro de 2015.
No acumulado, setor tem pior desempenho desde 2003.

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Do G1, em São Paulo
07/10/2016 12h59 - Atualizado em 07/10/2016 15h57
Postado em o8 de outubro de 2016 às 08h10m
Produção de motos em Manaus (Foto: Adneison Severiano/G1 AM))Produção de motos em Manaus (Foto: Adneison Severiano/G1 AM))

A produção de motos teve queda de 32,2% em setembro, comparado ao mesmo mês de 2015, informou a associação dos fabricantes de motos (Abraciclo), nesta sexta-feira (7). Foram 80.489 unidades no mês, frente a 118.743 um anos antes.
No acumulado de janeiro a setembro, o setor chegou a 712.870 unidades, o que representa uma queda de 31%, em relação ao mesmo período de 2015, quando 1.032.715 unidades foram produzidas.

“As medidas para a retomada da economia ainda não foram alinhadas, mantendo o compasso de espera. Além disso, a greve bancária, que se estende por mais de 30 dias, também contribuiu para que a média de vendas diária ficasse abaixo do registrado no mês de agosto de 2016.


Estima-se que cerca de quatro mil motocicletas poderiam ser emplacadas, entre consórcio e financiamento”, afirma Marcos Fermanian, presidente da entidade, em comunicado.
De acordo com a entidade, este foi o pior desempenho no acumulado desde 2003. O resultado segue a tendência apresentada pelo setor de veículos em geral, que teve queda de 18,5% no acumulado. 

Exportações
As exportações apresentaram queda de 4,7% nos primeiros nove meses do ano, passando de 45.922 unidades (2015) para 43.752. As vendas externas somaram 4.298 motocicletas comercializadas no mês passado, volume 5% inferior em relação às 4.522 de agosto.

Carros e motos mais vendidos de setembro de 2016 (Foto: Arte/G1)
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sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Alívio da inflação favorece redução de juros pelo BC, dizem economistas

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Resultado do IPCA de setembro abaixo do esperado e redução de preços de alimentos aumentam projeções de queda da Selic ainda em outubro

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Marina Gazzoni e Anay Cury-Do G1 em São Paulo
07/10/2016 11h29 - Atualizado em 07/10/2016 12h07
Postado 15h00m
A divulgação de uma taxa de inflação abaixo do esperado nesta sexta-feira (7) aumenta a possibilidade de uma redução da taxa básica de juros na economia brasileira, afirmaram economistas aos G1. O IPCA de setembro desacelerou para 0,08% e atingiu o menor valor para o período desde 1998.

Ainda não há consenso entre os economistas quando a redução do juros começará. O resultado da inflação de setembro elevou as apostas para uma queda ainda em outubro.
A gestora de recursos Infinity Asset antecipou sua projeção para o início da queda dos juros de novembro para outubro. 

Em relatório, a Infinity estimou um corte de 0,5 ponto percentual na taxa básica de juros na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) na reunião de 18 e 19 de outubro. Atualmenta a taxa é de 14,25% ao ano.

Em reunião em Washington, o presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, afirmou que seu compromisso é com a meta de inflação e não com o prazo para a flexibilização da política monetária.
A taxa básica de juros, a Selic, é uma das principais ferramentas do Banco Central para controlar a inflação. O objetivo do BC é que a inflação fique dentro da meta, de 4,5% ao ano, com possibilidade de variar dois pontos percentuais para cima ou para baixo. 

Quando o juro sobe, o dinheiro fica mais caro e o consumo tende a cair, o que derruba os preços da economia como um todo. Quando a inflação está sob controle, há, portanto, espaço para reduzir o juro.
Presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, durante entrevista na sede do BC em Brasília 15/09/2016. (Foto: REUTERS/Adriano Machado)Presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, durante entrevista na sede do BC em Brasília 15/09/2016. (Foto: REUTERS/Adriano Machado)

O mercado financeiro já projetava uma taxa de 13,75% ao ano no fim de 2016. A Selic é definida nas reuniões do Copom, realizadas a cada um ou dois meses, conforme calendário divulgado pelo Banco Central. Até o fim de 2016, o Copom se reunirá ainda duas vezes.

Para o professor da Fundação Instituto de Administração (FIA), Alexandre Cabral, o Banco Central deverá cortar os juros ainda em outubro. Ele lembra que o Banco Central divulgou relatório no mês passado prevendo um IPCA de 0,19% em setembro, mas a taxa veio bem abaixo da previsão do BC. Além disso, o BC mostrava outras duas preocupações: o comportamento dos preços de serviços e bens de consumo, itens com demanda mais sensível a uma eventual queda na taxa de juros, e a concretização de medidas de ajuste fiscal na economia, como a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que cria um teto para os gatos públicos, a chamada “PEC do teto”.

“De suas três preocupações, duas já estão sendo controlada, falta só a PEC. Seria recomendável o Banco Central reduzisse os juros em outubro e jogasse o problema no colo do governo, com o seguinte pensamento: 'fizemos nossa parte de reduzir os juros porque estamos conseguindo controlar a inflação, agora precisamos de ajuda'”, afirmou Cabral.

A consultoria Rosenberg Associados também avaliou que o resultado do IPCA de setembro abre o espaço para uma queda do juro em outubro. Os dados de setembro mostram que os preços dos alimentos, que vinham preocupando o BC, esfriaram, lembra a consultoria. “A descompressão do choque recente sobre alimentos e o esfriamento mais claro no grupo de serviços está em linha com a expectativa do BC para o relaxamento da política monetária na reunião de outubro”.

Para a Rosenberg, o cenário para o corte de juros deverá se consolidar com a aprovação da PEC do teto dos gastos na próxima semana.
Cautela. O analista Marcio Milan, da consultoria Tendências, também avalia que o resultado do IPCA de setembro favorece a redução dos juros. Ele ressalta, no entanto, que a projeção da Tendências é de que a queda na Selic só venha na reunião do Copom de novembro, a última do ano.

“O mercado deve intensificar as apostas na queda dos juros em outubro, mas nós estamos cautelosos”, disse Milan. O economista lembra que a inflação acumulada em 12 meses ainda é alta e acima do teto da meta (8,48%) e que a deflação em algumas categorias de alimentos não deverá prosseguir nos próximos meses.

“Esse grupo (alimentos) pode voltar a acelerar. O setor de serviços também pode ter aumento de preços com festas de fim de ano e passagens aéreas”, disse. Para a consultoria, o BC deve esperar uma consolidação da tendência de desaceleração da inflação.
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