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quinta-feira, 30 de abril de 2026

Petróleo Brent ultrapassa US$ 125 após Trump indicar que manterá bloqueio em Ormuz

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Preço do petróleo saltou mais de 6% nesta quinta-feira (30). Donald Trump disse a empresários da indústria petrolífera que pretende manter o bloqueio naval aos portos iranianos na entrada do Estreito de Ormuz.
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TOPO
Por Associated Press

Postado em 30 de Abril de 2.026 às 09h45m
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Emirados Árabes são um dos maiores produtores de petróleo do mundo — Foto: Getty Images via BBC
Emirados Árabes são um dos maiores produtores de petróleo do mundo — Foto: Getty Images via BBC

O preço do petróleo bruto Brent ultrapassou os US$ 125 por barril (cerca de R$ 624,73) no início desta quinta-feira (30), à medida que a estagnação nas negociações entre EUA e Irã levantou dúvidas sobre a reabertura do Estreito de Ormuz e um fim permanente para a guerra no Irã.

O petróleo Brent para entrega em junho saltou 6,2%, para US$ 125,36, e o Brent para entrega em julho subiu 3,1%, para US$ 113,85. O petróleo de referência dos EUA subiu 2,3%, para US$ 109,38 por barril. Antes do início da guerra no final de fevereiro, o Brent era negociado em torno de US$ 70 por barril.

Nesta manhã, por volta das 8h (horário de Brasília), o barril Brent era negociado a US$ 109,35, em queda de 0,99%. Já o WTI caía 1,06%, a US$ 105,75.

A guerra no Irã, que está em sua nona semana, ainda não apresenta um caminho claro para o fim. Os EUA mantiveram o bloqueio aos portos iranianos enquanto o Estreito de Ormuz permanece fechado, impulsionando os preços do petróleo. Relatos de quarta-feira sugerindo uma possível escalada pelo presidente dos EUA, Donald Trump, dissiparam as esperanças de um fim rápido para o conflito.

"O colapso das conversas entre EUA e Irã, juntamente com o relato de que o presidente Trump rejeitou a proposta do Irã para a reabertura do Estreito de Ormuz, faz com que o mercado perca a esperança de qualquer retomada rápida nos fluxos de petróleo", escreveram os estrategistas do ING Bank, Warren Patterson e Ewa Manthey, em nota de pesquisa.

Presidente dos EUA, Donald Trump, ameaça Irã com montagem de explosões em publicação na rede social em 29 de abril de 2026. — Foto: Reprodução/Donald Trump no Truth Social
Presidente dos EUA, Donald Trump, ameaça Irã com montagem de explosões em publicação na rede social em 29 de abril de 2026. — Foto: Reprodução/Donald Trump no Truth Social

Os preços do petróleo variam dependendo do tipo de óleo, onde é negociado e sob quais termos, para contratos futuros. Por algumas medidas, o Brent atingiu seu nível mais alto desde o pico de US$ 147,50 por barril em 2008, durante a crise financeira global.

Com a guerra abalando os mercados mundiais, o dólar americano subiu para 160,51 ienes japoneses, seu nível mais alto em quase dois anos. A moeda fechou a 160,44 ienes na quarta-feira.

O dólar ganhou força frente a outras moedas principais em parte devido ao seu status de porto seguro para investidores em tempos de risco, e em parte porque as taxas de juros dos EUA permaneceram relativamente altas, enquanto o Federal Reserve se esforça para equilibrar a necessidade de impulsionar a economia com os preços mais altos resultantes da guerra.

A decisão do Fed de manter as taxas de juros estáveis em sua reunião de política monetária na quarta-feira deu suporte adicional ao dólar. Analistas disseram que autoridades japonesas provavelmente interviriam no mercado caso o iene caísse muito mais.

O euro caiu de US$ 1,1675 para US$ 1,1663.

Os contratos futuros dos EUA e as ações na Ásia recuaram após um desempenho morno em Wall Street na quarta-feira. O índice Nikkei 225 de Tóquio caiu 1,6%, para 58.967,07, e o Kospi, na Coreia do Sul, recuou 1,1%, para 6.615,51.

O Hang Seng de Hong Kong perdeu 1,3%, para 25.772,50, e o índice Composto de Xangai operou em alta de 0,1%, a 4.109,99. A atividade fabril da China para abril desacelerou ligeiramente, mas permaneceu em território de expansão pelo segundo mês, apesar do choque energético global provocado pela guerra no Irã, mostrou uma pesquisa oficial.

O S&P/ASX 200 da Austrália caiu 0,3%, para 8.665,50. O Taiex de Taiwan recuou 0,1% e o Sensex da Índia perdeu 1,2%.

Na quarta-feira, as ações dos EUA fecharam mistas. O índice S&P 500 caiu menos de 0,1%, para 24.673,24. O Dow Jones Industrial Average caiu 0,6%, para 48.861,81, enquanto o Nasdaq avançou menos de 0,1%, para 24.673,24. As ações da Starbucks saltaram 8,4% após resultados melhores que o esperado, e a Visa subiu 8,3% pelo mesmo motivo.

Em outras negociações, o rendimento do Tesouro dos EUA de 10 anos subiu de 4,36% na terça-feira para 4,42%, após o Fed anunciar que estava adiando cortes nas taxas de juros.

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"Estrangeiros não têm lugar no Golfo Pérsico", diz líder supremo do Irã

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Mojtaba Khamenei alerta sobre a presença de atores externos na região, em meio a crescente tensão com os Estados Unidos
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Kara Fox e Mostafa Salem, da CNN
30/04/26 às 08:18 | Atualizado 30/04/26 às 08:28
Postado em 30 de Abril de 2.026 às 08h45m
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Primeiro pronunciamento de Mojtaba Khamenei desde que assumiu o cargo de líder supremo do Irã
Primeiro pronunciamento de Mojtaba Khamenei desde que assumiu o cargo de líder supremo do Irã  • Divulgação TV estatal iraniana

O líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, afirmou nesta quinta-feira (30) que "atores estrangeiros" não têm lugar no Golfo Pérsico, exceto "nas profundezas de suas águas", em meio a um impasse com os Estados Unidos, segundo uma mensagem divulgada pela mídia estatal.

Mais de sete semanas após ser anunciado como o novo líder supremo, na sequência do assassinato de seu pai, os iranianos ainda não viram nem ouviram Khamenei, embora ele tenha emitido diversas mensagens escritas.

“Nós e nossos vizinhos do outro lado do Golfo Pérsico e do Golfo de Omã compartilhamos um destino comum, e atores estrangeiros — que vêm de milhares de quilômetros de distância com intenções gananciosas — não têm lugar aqui, exceto nas profundezas de suas águas”, afirmou ele, conforme suposta declaração.

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Na mensagem, Khamenei acrescentou que o Irã entrou em um novo capítulo da “ordem regional e global”, informou a televisão estatal. Ele disse que o Irã “salvaguardaria” suas capacidades nucleares e de mísseis – pontos cruciais em qualquer acordo com os EUA.

A mensagem desta quinta-feira surge em um momento em que fontes afirmam que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, está se preparando para um bloqueio de longo prazo aos portos iranianos, considerando-o a principal alavanca para compelir o Irã a retomar as negociações para pôr fim à guerra.

A declaração de Khamenei também surge dias depois do secretário de Estado americano, Mark Rubio, ter afirmado que Washington tem indícios de que o aiatolá está vivo, mas questionou se ele possui "as credenciais clericais para de fato atuar como líder supremo".

O que está acontecendo no Oriente Médio?

Os Estados Unidos e Israel estão em guerra com o Irã. O conflito teve início no dia 28 de fevereiro, quando um ataque coordenado entre os dois países matou o líder supremo do país, Ali Khamenei, em Teerã.

Diversas autoridades do alto escalão do regime iraniano também foram mortas. Além disso, os EUA alegam ter destruído dezenas de navios do país, assim como sistemas de defesa aérea, aviões e outros alvos militares.

Em retaliação, o regime dos aiatolás fez ataques contra diversos países da região, como Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Catar, Bahrein, Kuwait, Jordânia, Iraque e Omã. As autoridades iranianas dizem que têm como alvo apenas interesses dos Estados Unidos e Israel nessas nações.

Mais de 1.900 civis morreram no Irã desde o início da guerra, segundo a Agência de Notícias de Ativistas de Direitos Humanos, que tem sede nos EUA. A Casa Branca, por sua vez, registrou ao menos 13 mortes de soldados americanos em relação direta aos ataques iranianos.

O conflito também se expandiu para o Líbano. O Hezbollah, um grupo armado apoiado pelo Irã, atacou o território israelense em retaliação à morte de Ali Khamenei. Com isso, Israel tem realizado ofensivas aéreas contra o que diz ser alvo do Hezbollah no país vizinho. Mais de 2.500 morreram no território libanês desde então.

Com a morte de grande parte de sua liderança, um conselho do Irã elegeu um novo líder supremo: Mojtaba Khamenei, filho de Ali Khamenei. Especialistas apontam que ele não fará mudanças estruturais e representa continuidade da repressão.

Donald Trump mostrou descontentamento com essa escolha, a classificando como um "grande erro". Ele havia dito que precisaria estar envolvido no processo e pontuou que Mojtaba seria "inaceitável" para a liderança do Irã.

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quarta-feira, 29 de abril de 2026

China dobra venda de carro para Brasil e engole rivais

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País vira terceiro maior mercado para veículos do gigante asiático no 1º trimestre
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Por Marta Watanabe e Álvaro Fagundes — De São Paulo
28/04/2026 05h02 Atualizado há 0 horas 
Postado em 28 de Abril de 2.026 às 07h00m
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Lia Valls: “China tem dificuldade de elevar consumo doméstico e desova produção de carros para outros países” — Foto: Leo Pinheiro/Valor

De janeiro a março de 2026 a China exportou ao Brasil US$ 2,16 bilhões em veículos, quase o triplo dos US$ 763,8 milhões de iguais meses de 2025, o que inclui carros a combustão que, apesar de ainda serem menos representativos, dobraram de valor, mostrando que o apetite chinês pelo mercado brasileiro não se restringe aos eletrificados. O valor total de carros exportados pela China ao Brasil no primeiro trimestre deste ano também foi maior que o US$ 1,17 bilhão de igual período de 2024, até então recorde para o período.

Com o desempenho, o Brasil saltou de sétimo para o terceiro maior destino de veículos de 2025 para 2026, ainda de janeiro a março, atrás apenas de Rússia e Reino Unido. Nos eletrificados, o que inclui os elétricos puros ou os híbridos, o Brasil saiu do quinto para o terceiro lugar, atrás de Bélgica e Reino Unido. No ranking dos carros a combustão, o Brasil também ganha mais destaque, subindo da 16ª para a sétima posição. 

Os dados são da Alfândega chinesa e consideram o que foi embarcado no primeiro trimestre. Parte dos veículos está em trânsito e ainda vai aportar no Brasil. As cargas de automóveis demoram, em média, de 40 a 60 dias para o trajeto desde a China até o desembaraço em terras brasileiras. 








Agenda de elevação de tarifas de importação,câmbio favorável e período de lançamentos de modelos são alguns fatores que explicam o ritmo mais intenso de chegada de veículos chineses ao Brasil, segundo especialistas. Eles ressaltam que o espaço conquistado pelo automóvel chinês nas ruas brasileiras mostram a consolidação de marcas num contexto olítico de maior protecionismo combinado com incertezas globais e a dificuldade de Pequim para acelerar a demanda doméstica chinesa, fatores que têm contribuído para a maior aproximação das relações comerciais sino-brasileiras. 

Os dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex/Mdic), que registram o que já foi desembaraçado no Brasil, mostram parte do impacto dos carros chineses. No primeiro trimestre as importações brasileiras de automóveis origem China atingiram US$ 1,5 bilhão, 552,5% a mais que iguais meses de 2025. Os chineses forneceram 65,6% dos carros que o Brasil  importou. Os argentinos vieram em segundo, com 11,3% e US$ 253,2 milhões, com queda de 25,5%, sempre de janeiro a março. 

Para Tulio Cariello, diretor de conteúdo e pesquisa do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC), o movimento é uma antecipação em relação ao que será o último aumento estabelecido pelo governo brasileiro no atual cronograma de elevação de taxas para importação de veículos elétricos ou híbridos. As alíquotas, lembra, devem atingir 35% em julho desteano, ante os atuais 28% para híbridos plug-in e 25% para veículos elétricos.

Os relatórios divulgados pela indústria automotiva, destaca André Valério, economista do Inter, mostram que as importações de veículos aceleraram em 2021, mas houve forte inflexão em meados de 2023, quando o debate sobre a atual agenda de elevação de tarifas de cados se intensificou. O calendário foi definido em 2023 e é aplicado desde janeiro de 2024, com alta gradativa de tarifas de importação. As alíquotas começaram em 10% e chegarão ao teto de 35% em julho. Antes disso a importação de elétricos e híbridos era livre da tarifa. Valério destaca que, além desse calendário, o movimento de aumento embarques de veículos da China ao Brasil também reflete um momento de campanha mais agressiva de vendas, em razão do ciclo da indústria automotiva, com lançamento de modelos 2026/2027.

O aumento do volume de importação de carros made in China também reflete, paralelamente, a elevação pela demanda do perfil de carro que os chineses oferecem, diz Cariello,  do CEBC. “Muita gente quer comprar carro elétrico, que hoje é sinônimo de carro chinês. As pessoas veem o carro chinês rodando na rua e veem que é um produto de alta tecnologia.” Cariello destaca que a China foi, de longe, o principal fornecedor de carros elétricos do Brasil, com participação de 97%, de janeiro a março. No caso dos híbridos in, o país também liderou com folga, respondendo por 89% das importações.

Segundo a Associação Brasileira de Veículo Elétrico (ABVE), 74,1% das vendas de eletrificados no Brasil em 2025 foram de fabricantes chineses. A liderança foi da BYD, com 50,4% do mercado. As vendas totais de eletrificados somaram 223,9 mil no ano passado, com alta de 26%  ante 2024.

Há uma percepção boa sobre o produto chinês, diz Cariello, que também se aplica a carros a combustão. “Os chineses miram o mercado de carros elétricos, mas isso beneficia a China em outros mercados no Brasil também.”

Dados da Anfavea, que reúne a indústria automotiva brasileira, mostram que de janeiro a março deste ano o nto somou 625,2 mil autoveículos, 13,3% a mais que igual período de 2025. Somando 119,1 mil, o emplacamento de importados cresceu 5,6%. Os made in China rodaram em ritmo maior. O emplacamento alcançou 54,3 mil autoveículos e subiu 68,9%. Ao divulgar os dados do primeiro trimestre, o presidente da Anfavea, Igor Calvet, lembrou que no ano passado, em agosto, a China ultrapassou a Argentina no fornecimento externo de carros ao Brasil e em março completaram-se oito meses consecutivos em que os chineses são os maiores exportadores de veículos ao Brasil.

Nós diminuímos bastante as compras de veículos da Argentina, que era de onde buscávamos os importados. "Parte dos consumidores tem preferido os carros elétricos, e a China é muito competitiva e é a grande provedora, globalmente”, diz Valério, do Inter. “E ela entrega um pacote muito bom, um carro tecnológico por preço competitivo. E com a promessa de menor custo com combustível. Caiu por terra a imagem que o carro chinês tinha há dez, 15 anos, de carro barato, mas com problemas de peças de reposição.”

Os dados do Indicador de Comércio Exterior (Icomex) divulgados pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre), mostram que o volume de importações brasileiras de bens de consumo duráveis chineses cresceu 204,8% de janeiro a março deste ano ante iguais meses de 2025. Só em março a alta foi de 330,7%. Os eços médios, porém, mostra o Icomex, foram em sentido contrário, com queda de 9,6% de janeiro a março contra igual período de 2025. Pelos dados da Secex, os automóveis representaram 71% do que o Brasil importou em bens de consumo duráveis da China no primeiro trimestre de 2026. Na importação total brasileira de bens chineses a fatia foi de 8,2%.

Os dados da China contrastam com os da Argentina. O volume da importação brasileira de bens de consumo duráveis argentinos caiu 25,8% no primeiro trimestre enquanto os preços médios ficaram praticamente estáveis, com alta de 0,3%, sempre ante igual período de 2025. “As tarifas impostas pelo Brasil na importação de automóveis não foram suficientes para deter os veículos chineses, porque a China tem grande economia de escala e o preço deles acaba compensando”, diz Lia Valls, professora da UERJ e pesquisadora do FGV Ibre.

O câmbio mais favorável às importações também ajudou a criar um ambiente mais propício às compras externas neste ano, diz Valls. No primeiro trimestre de 2025 o dólar custava, em média, entre R$ 5,80 e R$ 5,90. Em igual período deste ano a média ficou entre R$ 5,20 e R$ 5,30.

Para Welber Barral, sócio da BMJ, os dados do governo chinês mostram que em alguns casos houve também desvio de comércio. Ele destaca o México, que muitas vezes é via para atingir o mercado americano. De janeiro a março de 2025 as exportações chinesas de veículos aos mexicanos somaram US$ 1,4 bilhão. O México era, então, o terceiro maior destino de automóveis chineses. O lugar foi ocupado pelo Brasil e o México caiu para o 12º lugar no ranking. A exportação chinesa de veículos aos mexicanos caiu praticamente à metade de janeiro a março deste ano, para US$ 750,8 milhões.

Para outros destinos, porém, os chineses elevaram ainda mais a exportação de veículos este ano. Para os belgas, no topo do ranking de eletrificados chineses, a exportação total de automóveis do país asiático somou US$ 2,1 bilhões de janeiro a março de 2026, com alta de 47,6% ante iguais meses de 2025. Para o Reino Unido, segundo no ranking, o valor foi de US$ 2,2 bilhões, com alta de 104,3%.

Valls, do FGV Ibre, lembra o contexto geopolítico, com a rivalidade comercial entre Estados Unidos e China, acirrada na gestão do presidente americano, Donald Trump. Há também, diz, ambiente de políticas protecionistas de vários países, ao mesmo tempo em que a China tem grande produção de veículos. “Isso precisa ser absorvido por outros países porque a China está com dificuldade para elevar o consumo doméstico.”

Os automóveis, aponta Valls, ajudam a China a manter a posição de maior origem das importações totais brasileiras. Segundo a Secex, 26,3% de tudo o que o Brasil importou no primeiro trimestre deste ano veio do país asiático. Ao mesmo tempo, alta Valls, as relações comerciais entre Brasil e China estão se estreitando, com parcela da exportação brasileira cada vez maior para os chineses. Isso, lembra, se intensificou com a política tarifária de Trump e também com a guerra no Oriente Médio, com um embarque maior de petróleo para a China.

Para Cariello, do CEBC, o atual fluxo de os chineses ao Brasil deve continuar intenso nos próximos meses, para aproveitar a janela de oportunidade com tarifas de importação um pouco mais baixas. À frente, em prazo mais longo, diz, a expectativa é que as importações caiam porque deve haver produção mais forte das montadoras chinesas no Brasil. Ao menos cinco delas confirmaram produção local. Além de GWM e BYD, com fábricas próprias, Geely e Leapmotor têm parcerias com Renault e Stellantis, respectivamente. A GAC divulgou que começará a produzir carros no Brasil em 2027. 

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Bilionário propõe acolher 80 hipopótamos que serão sacrificados na Colômbia

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Espécie foi introduzida no país na década de 1980 por Pablo Escobar e agora ameaça animais nativos
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Anabella González e Fernando Ramos, da CNN
28/04/26 às 21:38 | Atualizado 28/04/26 às 21:38
Postado em 29 de Abril de 2.026 às 08h00m
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Hipopótamos na região da Antióquia, na Colômbia  • Paul Arboleda/AFP/Getty Images

O magnata indiano Anant Ambani, filho do bilionário Mukesh Ambani, ofereceu-se para acolher no seu santuário de vida selvagem na Índia, 80 hipopótamos que o governo da Colômbia planeja abater.

Os hipopótamos descendem de animais introduzidos no país na década de 1980 por Pablo Escobar, um dos principais traficantes da Colômbia, que pretendia ter um dos maiores zoológicos privados da América Latina com uma grande variedade de animais.

Desde então, a população explodiu para cerca de 160 indivíduos e a sua presença agora ameaça as espécies nativas. Há algumas semanas, a Colômbia anunciou que planejava abater 80 destes animais, o que gerou debate.

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Ambani pediu ao governo colombiano que reconsiderasse a decisão, propondo alojá-los no seu centro de resgate.

“Estes 80 hipopótamos não escolheram onde nascer, nem criaram as circunstâncias que enfrentam agora”, disse ele em uma publicação nas redes sociais. Estes animais “são seres vivos e sencientes, e se tivermos a capacidade de salvá-los através de uma solução segura e humana, temos a responsabilidade de tentar”.

A proposta

Na cidade de Jamnagar, no estado de Gujarat, Ambani fundou o centro de conservação Vantara, que abriga mais de 150 mil animais de mais de 2 mil espécies de vida selvagem, segundo seu site oficial.

É para lá que ele propõe realocar 80 hipopótamos colombianos, que atualmente vivem em torno da Hacienda Nápoles, uma propriedade rural localizada em Puerto Triunfo, que pertenceu a Escobar e hoje é utilizada para atividades turísticas.

“Estamos dispostos a receber e cuidar destes hipopótamos em um  ambiente especialmente concebido e enriquecido, concebido para garantir o seu bem-estar e, ao mesmo tempo, refletir as principais características do seu habitat atual”, afirma um comunicado publicado na segunda-feira (27) e assinado pelo CEO da Vantara, Vivaan Karani, em nome de Ambani.

Na carta, dirigida à ministra do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Colômbia, Irene Vélez Torres, os executivos da Vantara fazem um apelo para “recorrer respeitosamente” da decisão do governo colombiano.

A CNN contatou as autoridades da Vantara para obter mais detalhes sobre a proposta.

Se o governo colombiano aprovar o pedido, este será realizado “em estrita conformidade com as aprovações, licenças, processos de devida diligência, requisitos de biossegurança e planejamento logístico necessários”, explicou Karani no comunicado, oferecendo cuidados “vitalícios” aos animais sob o princípio de “não causar danos a nenhum ser vivo”.

A CNN entrou em contato com o Ministério do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Colômbia e com a ministra Vélez sobre a recepção da proposta e sua viabilidade e aguarda uma resposta.

As autoridades de Vantara afirmaram estar “totalmente disponíveis” para dialogar com o governo colombiano para analisar a iniciativa e manifestaram a intenção de se reunirem com responsáveis ​​da administração do presidente Gustavo Petro, a quem estenderam o convite para visitar as instalações do centro de resgate.

Ambani, fundador da Vantara e filho do presidente e CEO da Reliance Industries Limited (RIL), considerada a maior empresa privada da Índia, afirma ser um amante dos animais. “Nos animais vejo Deus e Vantara é um templo”, diz ele. Ele foi notícia internacional em 2024, quando se casou com Radhika Merchant, com suntuosas celebrações que duraram meses.

Espécies invasoras

A medida para autorizar o abate de 80 hipopótamos se deve ao crescimento descontrolado das espécies invasoras na bacia do rio Magdalena, disse a ministra Vélez ao anunciar a decisão.

"Sem esta ação é impossível controlar a população e, como já vimos, as estimativas implicam que até 2030 teremos pelo menos 500 hipopótamos afetando os nossos ecossistemas e espécies nativas, como o peixe-boi e a tartaruga de rio. É com responsabilidade pelo nosso ecossistema que devemos tomar estas ações", disse a ministra em coletiva de imprensa no dia 13 de abril.

Semanas antes, o Ministério do Meio Ambiente da Colômbia disse que estava explorando alternativas como a realocação de alguns dos animais para países como Equador, Peru, Filipinas, Índia, México, República Dominicana, África do Sul e Chile; mas estas opções não progrediram “devido a restrições internacionais e limitações operacionais”.

O hipopótamo foi incluído na lista de espécies exóticas invasoras da Colômbia em março de 2022, o que mais tarde permitiu ao governo elaborar medidas para controlar a espécie, que vive cerca de 40 a 50 anos.

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Irã diz que só reabrirá Estreito de Ormuz após fim definitivo da guerra, segundo mídia iraniana

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Segundo agência iraniana, vice-ministro da defesa defendeu garantias de segurança para abrir o canal.
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Por Redação g1

03h50m
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Movimentação de navios no Estreito de Ormuz, em Omã, no dia 27 de abril de 2026 — Foto: Reuters
Movimentação de navios no Estreito de Ormuz, em Omã, no dia 27 de abril de 2026 — Foto: Reuters

O Irã afirmou que só permitirá novamente a passagem de navios comerciais pelo Estreito de Ormuz após o fim definitivo da guerra com Estados Unidos e Israel e desde que sejam respeitados os protocolos de segurança definidos por Teerã. As informações foram divulgadas pela agência iraniana Fars News Agency nesta quarta-feira (29).

Segundo a Fars, o vice-ministro da Defesa do Irã, brigadeiro-general Reza Talaei-Nik, declarou que a retomada do trânsito pelo canal dependerá de garantias de que a segurança iraniana não será comprometida.

A declaração foi feita durante uma reunião de ministros da Defesa da Organização para Cooperação de Xangai, em Bishkek, no Quirguistão.

“Permitir o trânsito tranquilo de navios comerciais estará na pauta após o fim da guerra, desde que sejam observados protocolos que não comprometam a segurança do Irã”, afirmou Talaei-Nik, segundo a Fars.

O Estreito de Ormuz é considerado uma das principais rotas marítimas do mundo para o transporte global de petróleo e gás. Atualmente, o fluxo de embarcações segue reduzido devido às restrições impostas pelo Irã, ao bloqueio naval dos Estados Unidos nos portos iranianos e aos recentes ataques e apreensões de navios na região.

De acordo com Talaei-Nik, as restrições são uma resposta direta aos ataques realizados por EUA e Israel contra o território iraniano, iniciados no fim de fevereiro.

Autoridades iranianas já haviam afirmado que garantir segurança e estabilidade para embarcações que atravessam o Estreito de Ormuz não será gratuito. No mês passado, a Comissão de Segurança do Parlamento iraniano aprovou um plano para impor tarifas aos navios que utilizarem a passagem.

Também nesta terça, o porta-voz do Exército iraniano, Mohammad Akraminia, afirmou que Teerã não considera encerrada a guerra com os Estados Unidos e Israel.

“Não consideramos que a guerra tenha acabado. Nossa situação atual ainda é considerada de guerra”, declarou, segundo a Fars.

Ele afirmou ainda que, se houver novos ataques contra o Irã, a resposta será mais dura do que nas ofensivas anteriores. Akraminia também declarou que o Irã manteve a produção de drones durante o conflito e que parte dos equipamentos usados nas operações foi fabricada e utilizada em plena guerra.

Segundo ele, mais de 170 drones e 16 aeronaves militares foram abatidos pelas unidades de defesa do Exército iraniano e pela Força Aeroespacial da Guarda Revolucionária Islâmica.

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