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domingo, 3 de janeiro de 2021

Como um silêncio resolveu os estranhos problemas matemáticos dos buracos negros

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O físico Roger Penrose, ganhador do Prêmio Nobel, teve um lampejo de inspiração que mudou nossa visão sobre o Universo. 
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Por BBC  
03/01/2021 08h57 Atualizado há 2 horas
Postado em 03 de janeiro de 2020 às 11h00m


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A força gravitacional de um buraco negro é tão forte que nada, nem mesmo a luz, consegue escapar (a imagem é uma simulação) — Foto: LIA MEDEIROS/INSTITUTE FOR ADVANCED STUDY/PA WIRE
A força gravitacional de um buraco negro é tão forte que nada, nem mesmo a luz, consegue escapar (a imagem é uma simulação) — Foto: LIA MEDEIROS/INSTITUTE FOR ADVANCED STUDY/PA WIRE

Em um dia fresco de setembro de 1964, Roger Penrose recebeu a visita de um velho amigo. O cosmologista britânico Ivor Robinson estava de volta à Inglaterra vindo de Dallas, no Estado americano do Texas, onde morava e trabalhava.

Sempre que os dois se encontravam, nunca faltava assunto — e a conversa deles, naquela ocasião, era ininterrupta e bem abrangente.

Enquanto eles caminhavam pela vizinhança do escritório de Penrose, que ficava na Universidade de Birkbeck, em Londres, pararam brevemente na calçada, à espera de uma brecha no trânsito. A interrupção momentânea do passeio coincidiu com uma pausa na conversa, e ambos ficaram em silêncio ao atravessar a rua.

Naquele momento, a mente de Penrose começou a vagar. Ele viajou 2,5 bilhões de anos-luz pelo vácuo do espaço sideral até a massa fervilhante de um quasar giratório.

Ele imaginou como o colapso gravitacional assumia o controle, puxando uma galáxia inteira cada vez mais para perto do seu centro. Como um patinador artístico que rodopia encolhendo os braços para aumentar a velocidade, a massa giraria cada vez mais rápido à medida que se contraía.

Essa breve reflexão mental levou a uma descoberta — que 56 anos depois renderia a ele o Prêmio Nobel de Física.­

Como muitos relativistas — físicos teóricos que se dedicam a testar, explorar e ampliar a Teoria Geral da Relatividade de Albert Einstein — Penrose passou o início dos anos 1960 estudando uma contradição estranha, mas particularmente complicada, conhecida como "o problema da singularidade".

Einstein publicou sua Teoria Geral em 1915, revolucionando o entendimento dos cientistas sobre espaço, tempo, gravidade, matéria e energia. Na década de 1950, sua teoria era extremamente bem-sucedida, mas muitas de suas previsões ainda eram consideradas improváveis ​​e intestáveis.

Suas equações mostravam, por exemplo, que era teoricamente possível para o colapso gravitacional forçar matéria suficiente em uma região bastante pequena que se tornaria infinitamente densa, formando uma "singularidade" da qual nem mesmo a luz poderia escapar. Foi o que ficou conhecido como buraco negro.

Mas dentro de tal singularidade, as leis conhecidas da física — incluindo a própria teoria da relatividade de Einstein — não se aplicariam mais.

As singularidades eram fascinantes para os relativistas matemáticos exatamente por esse motivo. A maioria dos físicos, entretanto, concordava que nosso Universo era muito organizado para conter de fato tais regiões. E mesmo que as singularidades existissem, não haveria como observá-las.

"Houve um grande ceticismo por muito tempo", diz Penrose.

"As pessoas esperavam que houvesse um ricochete: que um objeto colapsaria e giraria em volta de uma maneira complicada, e voltaria sibilante para fora de novo."

Roger Penrose recebeu o Prêmio Nobel de Física por seu trabalho sobre singularidades — Foto: GETTY IMAGES
Roger Penrose recebeu o Prêmio Nobel de Física por seu trabalho sobre singularidades — Foto: GETTY IMAGES

No fim da década de 1950, as observações do então emergente campo da radioastronomia abalaram esse entendimento. Radioastrônomos detectaram novos objetos cósmicos que pareciam ser muito brilhantes, muito distantes e muito pequenos.

Conhecidos inicialmente como "objetos quase estelares" — mais tarde abreviados para "quasares" —, esses objetos pareciam apresentar muita energia em um espaço muito pequeno.

Embora parecesse impossível, cada nova observação apontava em direção à ideia de que os quasares eram galáxias antigas em processo de colapsar em singularidades.

Os cientistas foram obrigados a se perguntar se as singularidades não eram então tão improváveis ​​quanto todos pensavam. Esta previsão da relatividade era mais do que apenas uma elucubração matemática?

Abordagem diferente

Em Austin, Princeton e Moscou, em Cambridge e Oxford, na África do Sul, na Nova Zelândia, na Índia e em outros lugares, cosmologistas, astrônomos e matemáticos se debruçaram para encontrar uma teoria definitiva que pudesse explicar a natureza dos quasares.

A maioria dos cientistas abordou o desafio tentando identificar circunstâncias altamente específicas nas quais uma singularidade poderia se formar.

Penrose, então professor da Universidade de Birkbeck, em Londres, adotou uma abordagem diferente. Seu instinto natural sempre foi o de buscar soluções gerais, princípios básicos e estruturas matemáticas essenciais.

Ele passou longas horas em Birkbeck, trabalhando em um grande quadro-negro coberto de diagramas repletos de curvas que ele próprio desenvolveu.

Em 1963, uma equipe de teóricos russos liderados por Isaac Khalatnikov publicou um artigo aclamado que confirmou o que a maioria dos cientistas ainda acreditava — as singularidades não faziam parte de nosso Universo físico.

No Universo, disseram eles, os colapsos de nuvens de poeira ou estrelas se expandiriam novamente muito antes de atingir o ponto de singularidade. Tinha de haver alguma outra explicação para os quasares.

Penrose seguia cético.

A singularidade no coração de um buraco negro produz calor tão intenso que a radiação extremamente brilhante é expelida — Foto: REUTERS
A singularidade no coração de um buraco negro produz calor tão intenso que a radiação extremamente brilhante é expelida — Foto: REUTERS

"Tive a forte sensação de que, com os métodos que eles estavam usando, era improvável que pudessem chegar a uma conclusão sólida sobre isso", diz ele.

"Me parecia que o problema precisava ser visto de maneira mais abrangente do que eles estavam fazendo, que tinha um foco um tanto limitado." 

Silêncio revelador

Embora rejeitasse seus argumentos, ele ainda não tinha conseguido desenvolver uma solução geral para o problema da singularidade. Até a visita de Robinson.

Embora Robinson também estivesse pesquisando o problema da singularidade, a dupla não discutiu o tema durante aquela conversa no outono de 1964 em Londres.

Durante o breve silêncio daquela fatídica travessia, no entanto, Penrose percebeu que os russos estavam errados.

Toda aquela energia, movimento e massa encolhendo em conjunto criaria um calor tão intenso que emanaria radiação em todos os comprimentos de onda, em todas as direções. Quanto menor e mais rápido ficasse, mais brilhante seria.

Ele imaginou mentalmente seus desenhos no quadro-negro e esboços de artigo sobre aqueles objetos distantes, procurando na sua cabeça o ponto que os russos previram, em que essa nuvem explodiria novamente.

Esse ponto não existia. Em sua mente, Penrose finalmente viu como o colapso continuaria sem impedimentos.

Fora do centro de densificação, o objeto brilharia com uma luz mais intensa do que todas as estrelas de nossa galáxia. E, nas suas profundezas, a luz se curvaria em ângulos dramáticos, distorcendo o espaço-tempo até que todas as direções convergissem umas nas outras.

Chegaria a um ponto sem volta. Luz, espaço e tempo chegariam a um ponto final. Um buraco negro.

Naquele momento, Penrose sabia que uma singularidade não exigia nenhuma circunstância especial. Em nosso Universo, as singularidades não eram impossíveis. Elas eram inevitáveis.

Um buraco negro pode prender galáxias inteiras em sua 'teia' (imagem ilustrativa) — Foto: ESO VIA EPA
Um buraco negro pode prender galáxias inteiras em sua 'teia' (imagem ilustrativa) — Foto: ESO VIA EPA

Chegando ao outro lado da rua, ele retomou a conversa com Robinson e imediatamente se esqueceu do que estava pensando.

Eles se despediram, e Penrose voltou para as nuvens de poeira de giz e as pilhas de papel em seu escritório.

O resto da tarde transcorreu normalmente, exceto pelo fato de que Penrose se encontrava excessivamente bem-humorado. Ele não conseguia entender por quê. E começou a rever seu dia, analisando o que poderia estar alimentando sua euforia.

Sua mente voltou para aquele momento de silêncio atravessando a rua. E tudo veio à tona novamente. Ele havia resolvido o problema da singularidade.

Ele começou a escrever equações, testar, editar, reorganizar. O argumento ainda estava bruto, mas funcionava.

Um colapso gravitacional exigia apenas algumas condições de energia bastante genéricas e fáceis de encontrar, para colapsar em densidade infinita. Penrose sabia que naquele momento deveria haver bilhões de singularidades espalhadas pelo cosmos.

Moldando o universo

Foi uma ideia que mudaria nossa compreensão do Universo e moldaria o que agora sabemos sobre ele.

Em dois meses, Penrose começou a dar palestras sobre o teorema. Em meados de dezembro, ele submeteu um artigo à revista acadêmica Physical Review Letters, que foi publicado em 18 de janeiro de 1965 — apenas quatro meses depois de atravessar a rua com Ivor Robinson.

A repercussão não foi exatamente a que ele esperava. O Teorema da Singularidade de Penrose foi debatido. Refutado. Contestado.

O debate atingiu seu ápice durante o Congresso Internacional sobre Relatividade Geral e Gravidade, em Londres, no fim daquele ano.

"Não foi muito amigável. Os russos ficaram muito irritados, e as pessoas relutaram em admitir que estavam enganadas", diz Penrose.

A conferência terminou com o debate em aberto.

Mas pouco tempo depois, descobriu-se que o artigo russo tinha erros de cálculo —a matemática era fatalmente falha, e sua tese não se sustentava mais.

Nossa própria galáxia, a Via Láctea, tem um buraco negro supermassivo em seu centro, a cerca de 26 mil anos-luz do Sistema Solar — Foto: PA MEDIA
Nossa própria galáxia, a Via Láctea, tem um buraco negro supermassivo em seu centro, a cerca de 26 mil anos-luz do Sistema Solar — Foto: PA MEDIA

"Havia um erro na maneira como eles estavam fazendo", diz Penrose.

No fim de 1965, o Teorema da Singularidade de Penrose começou a ganhar força em todo o mundo. Seu singular lampejo de inspiração se tornou uma força motriz na cosmologia.

Ele havia feito mais do que explicar o que era um quasar — ele revelou uma grande verdade sobre a realidade subjacente do nosso Universo.

Quaisquer modelos do Universo que surgiram a partir de então, tiveram que incluir singularidades, o que significa incluir a ciência que vai além da relatividade.

As singularidades também começaram a se infiltrar no imaginário popular, em parte graças ao fato de terem se tornado conhecidas como "buracos negros", termo usado publicamente pela primeira vez pela jornalista americana Ann Ewing.

Stephen Hawking notoriamente usou o teorema de Penrose para derrubar teorias sobre a origem do Universo depois que os dois trabalharam juntos nas singularidades.

As singularidades se tornaram centrais para todas as teorias relacionadas à natureza, história e futuro do Universo.

Experimentalistas identificaram outras singularidades — incluindo aquela no coração do buraco negro supermassivo no centro de nossa própria galáxia, descoberto por Reinhard Genzel e Andrea Ghez, que dividiram o Prêmio Nobel de Física com Penrose em 2020.

Stephen Hawking e Roger Penrose trabalharam juntos para criar teorias sobre singularidades durante os anos 1970 — Foto: JOHN CAIRNS/UNIVERSITY OF OXFORD
Stephen Hawking e Roger Penrose trabalharam juntos para criar teorias sobre singularidades durante os anos 1970 — Foto: JOHN CAIRNS/UNIVERSITY OF OXFORD

O próprio Penrose desenvolveu uma alternativa para a Teoria do Big Bang, conhecida como Cosmologia Cíclica Conforme, cuja evidência poderia vir dos sinais remanescentes de antigos buracos negros.

Em 2013, a engenheira e cientista da computação Katie Bouman liderou uma equipe de pesquisadores que desenvolveu um algoritmo na tentativa de permitir que buracos negros fossem fotografados.

Em abril de 2019, o telescópio Event Horizons usou esse algoritmo para capturar as primeiras imagens de um buraco negro, fornecendo uma dramática confirmação visual das outrora controversas teorias de Einstein e Penrose.

Embora Penrose, agora com 89 anos, esteja satisfeito por ter recebido a mais alta honraria da física, o Prêmio Nobel, há outra coisa que não sai da sua cabeça.

"É uma sensação esquisita. Só estou tentando me acostumar. Fico muito lisonjeado, é uma grande honra e agradeço muito", ele me disse algumas horas após receber a notícia.

"Mas, por outro lado, estou tentando escrever três artigos (científicos) diferentes ao mesmo tempo, e isso torna mais difícil do que era antes."

O telefone, ele explica, não para de tocar, com gente dando os parabéns, e jornalistas pedindo entrevistas. E todo esse clamor acaba sendo uma distração, que o impede de se concentrar em suas últimas teorias.

Penrose sabe melhor do que ninguém o poder do silêncio e os lampejos de inspiração que ele é capaz de proporcionar.

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sábado, 2 de janeiro de 2021

Pryce Jones, o empresário que antecipou em 160 anos o modelo da Amazon e criou negócio milionário

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Comerciante é considerado pioneiro do hoje bilionário sistema de entregas por correio, que cresceu significativamente durante a pandemia, e transformou cidade 'no meio do nada' em um importante polo comercial. 
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TOPO
Por BBC  
02/01/2021 10h21 Atualizado há 4 horas
Postado em 02 de janeiro de 2021 às 14h25m


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Acredita-se que o catálogo Pryce Jones tenha sido o primeiro catálogo de mala direta quando começou, em 1861 — Foto: BBC
Acredita-se que o catálogo Pryce Jones tenha sido o primeiro catálogo de mala direta quando começou, em 1861 — Foto: BBC

Muitas coisas mudaram no Natal deste ano, inclusive como e onde compramos os presentes desembrulhados há poucos dias.

O modelo de entregas em casa, atualmente um negócio bilionário, foi inspirado por um pouco conhecido vendedor de tecidos galês do século 19, que abandonou a escola aos 12 anos.

Pryce Jones não podia imaginar o impacto que sua iniciativa empreendedora teria no mundo quando estava vendendo flanelas à rainha britânica Victoria e à pioneira da enfermagem moderna Florence Nightingale, na segunda metade dos anos 1800.

Jones criou uma empresa considerada similar ao que é hoje a gigante do comércio eletrônico Amazon, mas não no Vale do Silício ou em algum dos grandes centros globais de comércio, e sim no interior rural do País de Gales, no Reino Unido.

O comerciante é considerado o pioneiro do sistema de entregas por correio, setor que é avaliado atualmente em 75 bilhões de libras (R$ 527 bilhões), e que cresceu significativamente nos últimos meses devido às restrições impostas pela pandemia.

Os clientes da Pryce Jones incluíam as casas reais da Áustria, Dinamarca, Alemanha, Itália, Rússia e Reino Unido — Foto: NEWTOWN TEXTILE MUSEUM via BBC
Os clientes da Pryce Jones incluíam as casas reais da Áustria, Dinamarca, Alemanha, Itália, Rússia e Reino Unido — Foto: NEWTOWN TEXTILE MUSEUM via BBC

Estima-se que um terço de todas as compras natalinas tenham sido realizadas pela internet em 2020, devido aos fechamentos de estabelecimentos físicos em todo o mundo.

Primeiros catálogos

Antes da internet e dos serviços de entregadores, Pryce Jones utilizou o que havia de mais eficiente no seu tempo: a ferrovia e o sistema de mala direta.

Ele não tinha um aplicativo ou um site, mas em 1861 começou a distribuir catálogos — os que são considerados os primeiros catálogos compras do mundo.

O catálogo da Pryce Jones incluía roupas que estavam na moda. — Foto: NEWTOWN TEXTILE MUSEUM via BBC
O catálogo da Pryce Jones incluía roupas que estavam na moda. — Foto: NEWTOWN TEXTILE MUSEUM via BBC

Essas revistas incluíam os mais recentes lançamentos da moda, de calças a ternos de três peças, e chegavam aos seus 200 mil clientes em todo o Império Britânico e outras partes do mundo.

Jones chegou a ter um armazém com agência de correios própria próximo à ferrovia, para conectar suas instalações com o resto do mundo. Com isso, ele transformou Newtown, uma pequena cidade mercantil do País de Gales, em um "importante centro de comércio internacional".

Clientes importantes

O vendedor dava atenção especial aos seus melhores clientes.

Pryce Jones colocou uma foto de seu novo Royal Welsh Warehouse nas latas de Welsh Cream Toffees — Foto: NEWTOWN TEXTILE MUSEUM via BBC
Pryce Jones colocou uma foto de seu novo Royal Welsh Warehouse nas latas de Welsh Cream Toffees — Foto: NEWTOWN TEXTILE MUSEUM via BBC

"A 'mãe da enfermagem moderna' Florence Nightingale gostava tanto dos seus produtos que Jones deu o nome dela a um corte especial de flanela", diz o historiador John Evans.

"A rainha Victoria foi uma de suas primeiras compradoras e chegou a dizer que só usava calças de flanela galesa", acrescenta Evans.

"Na década de 1870, Pryce Jones forneceu roupas para grande parte dos monarcas da Europa e enviou flanelas para lugares tão distantes como os Estados Unidos e a Austrália. Tudo isso a partir de um lugar que muitos consideram como 'o meio do nada'. É uma história extraordinária!"

Empreendedor pioneiro

Pryce Jones reinventou a venda de roupas e levou a flanela galesa aos armários de todo o mundo.

O Royal Welsh Warehouse tem detalhes que comemoram o sucesso da Rainha Victoria e Pryce Jones em exposições — Foto: PENNY MAYES/GEOGRAPH via BBC
O Royal Welsh Warehouse tem detalhes que comemoram o sucesso da Rainha Victoria e Pryce Jones em exposições — Foto: PENNY MAYES/GEOGRAPH via BBC

A jornada de Jones até se transformar num homem de negócios internacional e receber o título de cavaleiro começou aos 12 anos, quando ele abandonou a escola para aprender com John Davies, um comerciante de tecidos de Newtown, no País de Gales.

Jones assumiu o negócio de Davies quando tinha apenas 20 anos.

Ele então abriu um novo armazém de tecidos, o Royal Welsh Warehouse, em 1859.

O vendedor começou a enviar listas de preços aos clientes, para que eles não ficassem restritos a comprar produtos somente quando estivessem em Newtown.

Pryce Jones participou de exposições em todo o mundo e ganhou várias medalhas, como esta na Feira de Viena de 1873. — Foto: NEWTOWN TEXTILE MUSEUM via BBC
Pryce Jones participou de exposições em todo o mundo e ganhou várias medalhas, como esta na Feira de Viena de 1873. — Foto: NEWTOWN TEXTILE MUSEUM via BBC

Mas ele decidiu dominar o mundo quando sua cidade foi ligada pelo trem a Londres, seis anos depois de as ferrovias chegarem ao País de Gales.

"Jones já estava enviando amostras de flanela galesa aos seus melhores clientes, mas ele viu a oportunidade de enviar encomendas pela ferrovia quando o serviço postal chegou, e o negócio floresceu", diz Evans, curador do Museu Têxtil de Newtown.

O armazém de Pryce Jones, o Royal Welsh Warehouse, ainda domina a paisagem de Newtown — Foto: JEREMY BOLWELL/GEOGRAPH via BBC
O armazém de Pryce Jones, o Royal Welsh Warehouse, ainda domina a paisagem de Newtown — Foto: JEREMY BOLWELL/GEOGRAPH via BBC

Inovações tecnológicas

O empresário pioneiro não parou por aí: sua companhia de lã em constante expansão inventou o que muitos consideram como o primeiro saco de dormir do mundo, em 1876, chamado de tapete Euklisia.

Logo ele se mudou para um armazém de tijolos vermelhos de última geração, voltado à entrega de mercadorias "o mais rápido possível".

"Era o equivalente a um armazém atual da Amazon", diz Evans.

"Foi instalado deliberadamente ao lado da estação de trens, com sua própria agência de correio e tinha inclusive seu próprio gerador de energia elétrica para alimentar a fábrica", conta o historiador.

"Ele era louco pela tecnologia. Se considera que foi a primeira pessoa em Gales a ter um telefone em casa", afirma.

A Amazon despacha 228 milhões de pacotes por ano no Reino Unido, de 17 centros de distribuição. — Foto: GETTY IMAGES via BBC
A Amazon despacha 228 milhões de pacotes por ano no Reino Unido, de 17 centros de distribuição. — Foto: GETTY IMAGES via BBC

"Foi um empreendedor pioneiro, um gênio do marketing e um inovador. Embora o edifício Pryce Jones seja destaque em Newtown hoje em dia, sua história não é muito conhecida na cidade", lamenta.

Nobreza

Jones foi nomeado cavaleiro em 1887, no Jubileu de Ouro da Rainha Victoria, celebrado em 1887, por ocasião do quinquagésimo aniversário de ascensão da monarca.

Tornou-se então Sir Pryce-Jones e passou dois mandatos como membro do Parlamento pelo distrito de Montgomery.

Os dois filhos de Jones, William Pryce-Jones e Albert Westhead Pryce-Jones, foram jogadores internacionais de futebol pelo País de Gales.

Jones morreu aos 85 anos, em 1920. Está enterrado na Igreja de Todos os Santos, nos arredores de Newtown, um templo que ele pagou para construir em 1890.

Posteriormente, sua empresa foi gravemente afetada pela Grande Depressão das décadas de 1920 e 1930 e foi comprada por outra pouco antes da Segunda Guerra Mundial.

Mesmo que ela tenha desaparecido, da próxima vez que comprar pelo correio, lembre-se que o modelo foi possível graças a pioneiros como Pryce Jones.

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sexta-feira, 1 de janeiro de 2021

Por que a economia chinesa deve passar a dos EUA em 2028, 5 anos antes do previsto

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A China deve desbancar os EUA como economia número um do mundo muito antes das estimativas anteriores feitas por um importante centro de estudos britânico. Qual é o principal motivo da mudança e quais seriam suas consequências? 
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TOPO
Por BBC

Postado em 01 de janeiro de 2021 às 17h05m


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Entre as grandes economias, a China é a única que terá crescimento econômico em 2020 — Foto: Getty Images via BBC
Entre as grandes economias, a China é a única que terá crescimento econômico em 2020 — Foto: Getty Images via BBC

A China vai desbancar os Estados Unidos como a maior economia do mundo em 2028, cinco anos antes do que o previamente previsto pelo Centro de Pesquisa Econômica e de Negócios (CEBR, na sigla em inglês).

De acordo com o centro de estudos britânico, o tratamento "habilidoso" da pandemia de Covid-19 aumentará a taxa de crescimento da China em comparação com os EUA e a Europa nos próximos anos.

Nesse novo cenário, a Índia se tornaria a terceira maior economia do mundo em 2030, lugar que o Japão ocupa atualmente.

Embora a China tenha sido o primeiro país afetado pelo vírus, economistas afirmam que o país controlou a doença por meio de ações rápidas e extremamente rígidas, estratégia que permitiu evitar a repetição de confinamentos que paralisaram a economia, como ocorreu em outras partes do mundo.

Com isso, a China é a única grande economia que evitou uma recessão em 2020 e, segundo estimativas de especialistas, alcançaria um crescimento médio anual de 5,7% entre 2021 e 2025.

No caso dos Estados Unidos, eles estimam que é provável que registre uma forte recuperação após a pandemia em 2021, embora posteriormente seu crescimento diminuirá a uma taxa de 1,9% ao ano entre 2022 e 2024, segundo as expectativas.

Embora o dano econômico nos EUA tenha sido mitigado pela política monetária e um enorme estímulo fiscal, divergências políticas sobre a quantidade de ajuda que os cidadãos receberão em um novo pacote de estímulo podem deixar cerca de 14 milhões de americanos sem a ajuda básica que eles estavam esperando.

Mudanças

Segundo as projeções do CEBR, até o ano de 2035 uma transformação terá se consolidado na balança da economia mundial, com a ascensão de outras economias emergentes como Indonésia, Brasil e Rússia.

Por outro lado, a Alemanha perderá a quarta posição que ocupa atualmente no final da década e, a partir de 2030, será a quinta economia mundial.

"Há algum tempo, um tema dominante na economia mundial tem sido a luta econômica e a influência diplomática entre os Estados Unidos e a China", observa o relatório do CEBR.

"A pandemia de Covid-19 e suas consequências econômicas certamente colocaram essa rivalidade a favor da China."

Na verdade, as estimativas sugerem que em 2023 o gigante asiático se tornaria um país de "alta renda".

Segundo o vice-presidente do CEBR, Douglas McWilliams, a economia chinesa não está se beneficiando apenas com o controle da pandemia, mas também com a aplicação de políticas agressivas voltadas para alguns setores, como a manufatura avançada.

No ano de 2035, uma transformação no balanço da economia mundial terá se consolidado — Foto: Getty Images via BBC
No ano de 2035, uma transformação no balanço da economia mundial terá se consolidado — Foto: Getty Images via BBC 

"Eles parecem tentar ter controle centralizado em um nível, mas com uma economia de mercado bastante livre em outras áreas", disse ele à BBC. "E é a parte do mercado livre que os ajuda a avançar, especialmente em áreas como tecnologia."

No entanto, apesar da expectativa de que a China se tornará a maior economia do mundo, acrescenta, o cidadão chinês médio continuará muito mais pobre do que o cidadão médio que vive nos EUA, visto que a população do país asiático é quatro vezes maior.

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quinta-feira, 31 de dezembro de 2020

Dólar e ouro lideram ranking de investimentos em 2020

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Evolução da pandemia de coronavírus e risco fiscal do Brasil dificultaram a vida do investidor brasileiro neste ano.  
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Por Luiz Guilherme Gerbelli, G1  
31/12/2020 07h25 Atualizado há uma hora
Postado em 31 de dezembro de 2020 às 09h30m


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Dólar liderou ranking de investimentos — Foto: pasja1000/Creative Commons
Dólar liderou ranking de investimentos — Foto: pasja1000/Creative Commons

Num ano marcado pela forte turbulência dos mercados financeiros globais, o dólar e o ouro foram os melhores investimentos de 2020. A moeda norte-americana avançou 28,9%, enquanto o metal registrou alta de 24,4%.

O levantamento foi realizado pelo professor do Insper Michael Viriato com base em dados da Economatica. Dólar e ouro costumam ser procurados em momentos de grandes incertezas.

Ranking dos investimentos — Foto: Economia G1
Ranking dos investimentos — Foto: Economia G1

A incerteza deste ano se explica por fatores externos e domésticos:

  • Inesperada, a pandemia de coronavírus provocou uma recessão global e, agora, coloca uma grande dúvida sobre qual será o ritmo de recuperação da atividade econômica;
  • Internamente, a falta de clareza com o rumo das contas públicas do Brasil adiciona ainda mais incerteza no cenário local.

A lanterna do ranking foi ocupada pelos fundos imobiliários (-10,7%) e pela poupança (2,1%).

A Bovespa acumulou alta de 3% em 2020, num ano de bastante volatilidade. O principal índice da bolsa de valores do Brasil, B3, chegou a recuar para o patamar de 60 mil pontos no auge da crise provocada pelo coronavírus, mas conseguiu se recuperar ao longo do ano. No último pregão do ano, por exemplo, operou em patamar recorde e superou os 120 mil pontos pela primeira vez.

"O ano de 2020 foi muito difícil, e o investidor que teve um desempenho melhor foi aquele que diversificou a carteira", afirma Viriato. "Mas o resultado final foi mais positivo do que se esperava em abril (no auge da crise)."

Para o brasileiro, o ano de 2020 foi um teste de nervos, até nos investimentos mais conservadores. Com a taxa básica de juros (Selic) num nível historicamente baixo - em 2% ao ano -, as aplicações de baixo risco tiveram dificuldade para superar a inflação.

Copom mantém taxa básica de juros em 2% ao ano
Copom mantém taxa básica de juros em 2% ao ano

Em 2020, o Certificado de Depósito Interbancário (CDI) acumulou alta de 2,7% e ficou bem abaixo da variação do Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M), conhecido por reajustar o aluguel.

Também deve perder para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Os analistas consultados pelo relatório Focus, do Banco Central, por exemplo, projetam uma alta de 4,39% para o índice em 2020.

O CDI acompanha a taxa básica de juros e serve de referência para várias aplicações de baixo risco.

"Dado tudo o que aconteceu, foi um ano ok. Pareceu um ano monótono, mas foi longe disso", diz o CEO da Garde Asset Management, Marcelo Giufrida. "Foi basicamente uma montanha russa, mas no final do ano todo mundo está chegando no mesmo ponto."

Incerteza prossegue em 2021

Em 2021, o quadro não será muito diferente. A incerteza com os rumos da pandemia deve prosseguir, assim com a dúvida se o Brasil vai ajustar as contas públicas e manter em vigor o teto de gastos, medida que limita o crescimento das despesas em relação ao ano anterior.

Se o governo não mostrar comprometimento com a credibilidade fiscal, pode haver uma piora da percepção de risco com a economia brasileira, o que levaria a uma fuga de investidores e piora nos ativos de maior risco, como dólar, por exemplo.

"O teto acabou virando o grande lastro (da política fiscal). Ele acaba amarrando a mão dos dirigentes, de que eles não podem gastar mais do que está escrito lá", afirma Giufrida.

Especialistas apontam os principais problemas para a recuperação econômica
Especialistas apontam os principais problemas para a recuperação econômica

Na política fiscal, o mercado monitora, por exemplo, quais serão os próximos passos com a área social. Com o fim do Auxílio Emergencial, o governo chegou a ensaiar a criação do Renda Cidadã, que também iria substituir o Bolsa Família, mas a proposta esbarra no limite fiscal do país.

"O ano de 2021 vai ser difícil. O Brasil tem fragilidades, e não haverá vento a favor da economia global", afirma Viriato.

Há ainda uma dúvida com relação ao comportamento da pandemia e o ritmo de vacinação no mundo contra a Covid-19. Uma imunização mais rápida pode garantir uma volta mais acelerada da economia.

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