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terça-feira, 20 de outubro de 2020

Nasa pousa em asteroide 'testemunha' da formação do Sistema Solar e ameaça para a Terra

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Sonda Osiris-Rex, que já orbita asteroide, realizou nesta terça-feira (20) missão para coletar amostras com grande potencial para estudo científico na Terra. 
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TOPO
Por BBC  
20/10/2020 21h12 Atualizado há 2 horas
Postado em 20 de outubro de 2020 às 23h15m

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Lançamento da sonda Osiris-Rex, em 2016, para ir atrás do asteroide Bennu — Foto: Divulgação/Nasa
Lançamento da sonda Osiris-Rex, em 2016, para ir atrás do asteroide Bennu — Foto: Divulgação/Nasa

A Nasa informou na noite desta terça-feira (20) que dados enviados do espaço indicam que a sonda Osiris-Rex conseguiu coletar com sucesso amostras do asteroide Bennu.

"Dados preliminares mostram que a missão de hoje para coleta de amostras ocorreu como planejado", escreveu a agência espacial no Twitter


A missão foi considerada uma operação de "engenharia complexa".

Conhecido desde 1999, o Bennu contém material do início do Sistema Solar e pode ter moléculas orgânicas portadoras de carbono, ingredientes essenciais para a vida na Terra, assim como minerais contendo ou formados por água. Os pesquisadores acreditam que corpos celestes como Bennu podem ter semeado a Terra com os químicos necessários para a vida.

Por isso, a coleta de seu material tem grande importância para a comunidade científica.

Na missão desta terça-feira, foi realizada uma manobra chamada TAG, sigla para "Touch-and-Go", em que a nave rapidamente aterrissa e decola com poucos segundos de intervalo — neste caso, o necessário para coletar através de um braço mecânico uma amostra pelo menos 60 gramas, o objetivo da missão.

A missão deve trazer de volta à Terra a maior amostra extraterrestre desde que astronautas da missão Apollo coletaram rochas da Lua, há 50 anos.

O Bennu contém material do início do Sistema Solar e pode ter também precursores moleculares da vida e dos Oceanos terrestres. — Foto: NASA/GODDARD/UOA via BBC
O Bennu contém material do início do Sistema Solar e pode ter também precursores moleculares da vida e dos Oceanos terrestres. — Foto: NASA/GODDARD/UOA via BBC

A Osiris-Rex, com tamanho comparável a uma van para 15 passageiros, está orbitando Bennu desde 2018, a 200 milhões de milhas (321 milhões de quilômetros) da Terra.

Já o Bennu tem a altura do prédio Empire State, em Nova York, e tem o potencial de atingir a Terra no século 22, por volta do ano 2135 — segundo a Nasa, com uma pequena chance de 1 em 2.700. Ele possivelmente carrega materiais orgânicos, carbonatos, silicatos e água absorvida que podem ser muito úteis para investigações científicas na Terra.

Espera-se que, pela distância, as amostras só cheguem à Terra a partir de 2023.

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segunda-feira, 19 de outubro de 2020

Brasil tem maior queda em índice de liberdade de expressão entre 161 países, diz relatório

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País lidera ranking de maiores quedas em classificação de liberdade de expressão de 2009 para 2019. Relatório da ONG Artigo 19 destaca que piora no índice 'se acelerou com a chegada de Jair Bolsonaro ao poder no início de 2019'.  
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Por Patrícia Figueiredo, G1 — São Paulo  
19/10/2020 10h00 Atualizado há 4 horas
Postado em 19 de outubro de 2020 às 14h15m

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Motoboys e entregadores de aplicativos ocupam a Ponte Octavio Frias, a Ponte Estaiada, na Zona Sul de São Paulo, durante protesto — Foto: Alice Vergueiro/Estadão Conteúdo
Motoboys e entregadores de aplicativos ocupam a Ponte Octavio Frias, a Ponte Estaiada, na Zona Sul de São Paulo, durante protesto — Foto: Alice Vergueiro/Estadão Conteúdo

O Brasil apresentou a maior queda no indicador de liberdade de expressão em um relatório que analisa a situação em 161 países e que foi publicado nesta segunda-feira (19) pela organização internacional de direitos humanos Artigo 19.

A queda do Brasil foi a mais expressiva em todas as comparações realizadas: o indicador caiu 18 pontos em um ano (de 2018 para 2019), recuou 39 pontos em cinco anos (de 2014 para 2019) e 43 pontos em 10 anos (de 2009 para 2019). Com 46 pontos em um total de 100, o país ocupa a 94ª posição no ranking de 161 nações, atrás de todos os países da América do Sul, exceto a Venezuela.

Segundo o relatório, a queda “se acelerou com a chegada de Jair Bolsonaro ao poder, no início de 2019, com a perda de 18 pontos em apenas um ano”.

O documento destaca ainda os efeitos da pandemia de Covid-19 na propagação de desinformação, citando como exemplo mensagens de Bolsonaro em suas redes sociais que foram, posteriormente, apagadas pelas plataformas por trazerem informações falsas.

“A pandemia de 2020 fez do Brasil um exemplo extremo de como líderes autoritários e restrições à liberdade de expressão, combinados com desinformação, representam um alto risco para a saúde pública”, afirma o relatório.

Rede social apaga posts de Bolsonaro por violarem regras
Rede social apaga posts de Bolsonaro por violarem regras

A publicação traz recomendações para reverter a tendência negativa, destacando a liberdade no ambiente de trabalho para jornalistas.

“No Brasil e no mundo, é preciso garantir um ambiente de trabalho seguro para jornalistas, livre de ataques a organizações da sociedade civil e em que a população não encontre barreiras de acesso à informação pública e a uma internet livre de violações de direitos humanos”, afirma Denise Dourado Dora, diretora-executiva da Artigo 19.

A liberdade de expressão atingiu seu menor patamar no mundo todo em 2019. Cerca de 3,9 bilhões de pessoas, o que corresponde a 51% da população mundial, vivem em países onde a garantia deste direito está em crise. De acordo com a ONG, a queda foi puxada por restrições crescentes em países com grandes populações, como a China, Índia, Turquia, Rússia, Bangladesh e Irã, e por retrocessos e quedas alarmantes em países como o Brasil, Estados Unidos, Hungria e Tanzânia

Em abril, o Brasil caiu, pelo segundo ano seguido, também no ranking de liberdade de imprensa da organização não governamental Repórteres Sem Fronteiras.

Análise do Brasil

O relatório de mais de 150 páginas dedica um capítulo inteiro a analisar a situação do Brasil. Os pesquisadores citam defensores do meio ambiente e indígenas como grupos ameaçados em termos de liberdade de expressão no país.

“A exploração [de recursos naturais] tornou-se uma parte fundamental do modelo econômico do novo presidente do Brasil, Jair Bolsonaro. Quem se opõe a ele é tachado de antipatriótico e anti-desenvolvimento”, afirma o relatório.

O documento destaca que, durante a gestão Bolsonaro, houve um relaxamento na aplicação de leis ambientais e um “grande salto no desmatamento da Amazônia”. Além disso, a organização fala sobre a morte de lideranças indígenas, como Paulo Paulino Guajajara, assassinado em novembro de 2019.

“Madeireiros ilegais emboscaram ele e outro membro da etnia Guajajara, ambos membros dos Guardiões da Floresta, um grupo que atua contra as gangues madeireiras em terras indígenas. Entre 2000 e 2018, 42 indígenas Guajajara foram assassinados em conflito com madeireiros ilegais”, afirma o relatório.

PF no Maranhão conclui inquérito sobre a morte de líder indígena
PF no Maranhão conclui inquérito sobre a morte de líder indígena

O documento também destaca a atuação do presidente contra jornalistas. Levantamento da Repórteres sem Fronteiras em julho computou 53 ataques do presidente da República a repórteres.

“Jair Bolsonaro trouxe consigo uma grande escalada em ataques verbais a jornalistas: ele pessoalmente fez 10 ataques a jornalistas por mês em 2019, dirigidos particularmente a mulheres afrodescendentes e ativistas indígenas”, diz o relatório.

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Nasa escolhe Nokia para instalar internet 4G na Lua

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Empresa finlandesa vai construir a primeira rede de celular lunar no final de 2022, com planos de migrar para o 5G no futuro. 
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Por Reuters  
19/10/2020 10h20 Atualizado há uma hora
Postado em 19 de outubro de 2020 às 11h20

            .      Post.N.\9.499    .        
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Nokia oferece equipamentos de telecomunicações para diversas operadoras do mundo. — Foto: REUTERS/Sergio Perez
Nokia oferece equipamentos de telecomunicações para diversas operadoras do mundo. — Foto: REUTERS/Sergio Perez

A empresa finlandesa Nokia foi escolhida pela Nasa, agência espacial dos Estados Unidos, para construir a primeira rede de celular na Lua.

De acordo com o anúncio feito nesta segunda-feira (19) pela companhia, o primeiro sistema de comunicação de banda larga sem fio no espaço será construído na superfície lunar no final de 2022, antes que humanos voltem para lá.

A Nasa pretende mandar humanos novamente à Lua até 2024 e trabalhar para uma presença de longo prazo no satélite por meio do programa Artemis.

A companhia fará parceria com uma empresa privada de design de naves espaciais sediada no Texas, a Intuitive Machines, para entregar o equipamento na Lua por meio de um módulo lunar.

A rede se configurará sozinha e estabelecerá um sistema de comunicações 4G/LTE na Lua, segundo a Nokia, embora o objetivo seja mudar para 5G futuramente.

A rede dará aos astronautas capacidades de comunicação por voz e vídeo e permitirá a troca de dados biométricos e telemétricos, para medição e a comunicação de informações entre sistemas, bem como a implantação e o controle remoto de veículos lunares e outros dispositivos robóticos, de acordo com a empresa.

Ela será projetada para suportar as condições extremas de lançamento e pouso lunar e para operar no espaço. Os equipamentos terão que ser enviados à Lua de uma forma extremamente compacta para atender às rígidas restrições de tamanho, peso e energia das cargas espaciais.

A Nokia disse que a rede utilizará 4G/LTE, em uso mundial na última década, em vez da mais recente tecnologia 5G, em razão do maior conhecimento sobre a primeira, bem como confiabilidade comprovada. A empresa também "buscará aplicações espaciais da tecnologia sucessora do LTE, o 5G".

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domingo, 18 de outubro de 2020

Imagens mostram lixo encontrado no estômago e corpos de animais marinhos no litoral de SP; VEJA

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Institutos divulgaram fotos que mostram impactos da ação humana em ao menos 100 animais marinhos entre janeiro e agosto deste ano.  
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Por Isabella Lima, G1 Santos  
18/10/2020 06h50 Atualizado há 4 horas
Postado em 18 de outubro de 2020 às 11h00m

            .      Post.N.\9.498    .        
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Tartaruga foi encontrada já morta com grande quantidade de lixo no estômago — Foto: Divulgação/Instituto Gremar
Tartaruga foi encontrada já morta com grande quantidade de lixo no estômago — Foto: Divulgação/Instituto Gremar

Entre janeiro e agosto deste ano, os institutos responsáveis pelo resgate e recolhimento de animais marinhos no litoral de São Paulo somaram, juntos, mais de 100 animais com sinais de interação antrópica, ou seja, ingestão de lixo. Segundo o Gremar e o Biopesca, grande parte deles morreu.

O Instituto Biopesca informou ao G1 que em 2020, até agosto, realizou aproximadamente 230 necropsias em animais marinhos encalhados em praias localizadas entre Praia Grande e Peruíbe, trecho do litoral paulista percorrido diariamente para a execução do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS). Desse total, quase 80 apresentavam interação com resíduos (presença de lixo no trato gastrointestinal ou preso de alguma forma ao corpo do animal).

Desses 80 animais, mais de 30 ingressaram vivos, mas debilitados, na maioria das vezes muito magros, e vieram a óbito. A maior parte dos animais mortos é de aves ou tartarugas marinhas.

O Instituto Gremar, por sua vez, aponta que, desde janeiro de 2020, teve 40 animais resgatados em ações pelo Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP/BS – Trecho 9) com sinais de ingestão de lixo. Cinco deles estavam vivos e outros 35 mortos.

Desses 40 animais, 23 foram encontrados com resíduo sólido identificado já em trabalho de campo (avaliação externa, preso ou próximo ao corpo): 17 répteis (5 vivos e outros 12 mortos); duas aves (mortas) e quatro mamíferos (4 mortos). Outros 17 tiveram resíduo sólido encontrado no trato gastrointestinal após exame de necropsia: oito répteis e nove aves (mortos).

Os répteis dividem-se entre tartarugas marinhas das espécies tartaruga-verde (Chelonia mydas) e tartaruga-cabeçuda (Caretta caretta). As aves dividem-se entre as espécies atobá-pardo (Sula leucogaster), gaivotão (Larus dominicanus) e pinguim-de-magalhães (Spheniscus magellanicus). Já os mamíferos eram toninhas (Pontoporia blainvillei).

Veja exemplos de alguns casos:

Pinguins-de-magalhães

Pinguim foi resgatado mas veio a óbito; plástico foi encontrado em seu estômago — Foto: Divulgação/Instituto Biopesca
Pinguim foi resgatado mas veio a óbito; plástico foi encontrado em seu estômago — Foto: Divulgação/Instituto Biopesca

O primeiro pinguim-de-magalhães ingressou ainda vivo em junho para estabilização no Instituto Biopesca, depois de ter sido resgatado durante execução do PMP-BS, em Itanhaém. Ele estava extremamente debilitado e hipotérmico, o que reforça a orientação de que estes animais não devem ser colocados no gelo.

Conforme explica o Biopesca, caso essa espécie seja encontrada pela população, os procedimentos incluem improvisar uma sombra perto do pinguim, deixando um guarda-sol próximo, se possível, e logo depois manter distância a fim de não estressá-lo. Outra ação fundamental é acionar os órgãos ambientais o mais rapidamente possível. A necropsia revelou a presença de plástico em seu estômago.

Animal tinha corda em seu estômago  — Foto: Divulgação/Instituto Biopesca
Animal tinha corda em seu estômago — Foto: Divulgação/Instituto Biopesca

O segundo pinguim da espécie também foi resgatado ainda vivo, em Itanhaém, em julho, muito debilitado e hipotérmico. Em seu esôfago, foi encontrada uma corda dobrada que, esticada, tinha mais de 80 centímetros.

Pinguins recolhidos pelo Gremar neste ano — Foto: Divulgação/Instituto Gremar
Pinguins recolhidos pelo Gremar neste ano — Foto: Divulgação/Instituto Gremar

Essa grande quantidade de pinguins-de-magalhães foi recolhida na área do Instituto Gremar, em Bertioga, e nos animais foram encontrados diversos resíduos (veja foto abaixo).

Resíduos encontrados nos pinguins — Foto: Divulgação/Instituto Gremar
Resíduos encontrados nos pinguins — Foto: Divulgação/Instituto Gremar

Tartarugas

Tartaruga estava com estômago repleto de plástico — Foto: Divulgação/Instituto Biopesca
Tartaruga estava com estômago repleto de plástico — Foto: Divulgação/Instituto Biopesca

Essa tartaruga marinha foi recolhida pelo Biopesca já sem vida em Peruíbe, em maio, com o estômago repleto de plástico, e exemplifica a pesquisa 'Ingestão de resíduos sólidos por tartarugas marinhas encalhadas no Litoral Centro-Sul do Estado de São Paulo', realizada pelo instituto. Esse estudo comprova que cerca de 80% das tartarugas-verdes examinadas pela instituição ingeriram algum tipo de resíduo sólido.

Tartaruga viva com amputação por petrecho e linha na boca  — Foto: Divulgação/Instituto Gremar
Tartaruga viva com amputação por petrecho e linha na boca — Foto: Divulgação/Instituto Gremar

Essa outra tartaruga-verde foi resgatada pelo Gremar em março deste ano, em Guarujá. Ela foi recolhida viva, com amputação por petrecho e linha na boca.

Tartaruga viva enroscada em pedaço de blusa e petrecho de pesca   — Foto: Divulgação/Instituto Gremar
Tartaruga viva enroscada em pedaço de blusa e petrecho de pesca — Foto: Divulgação/Instituto Gremar

Também da espécie, essa tartaruga foi encontrada com vida na Ponta da Praia de Santos, mas estava enroscada a um pedaço de blusa e a um petrecho de pesca. Ela foi recolhida pelo Gremar.

Toninha

Toninha foi recolhida com câmara de ar de pneu de bicicleta presa à nadadeira — Foto: Divulgação/Instituto Biopesca
Toninha foi recolhida com câmara de ar de pneu de bicicleta presa à nadadeira — Foto: Divulgação/Instituto Biopesca

Essa toninha já sem vida foi recolhida em agosto em Praia Grande. Segundo o Biopesca, tratava-se de de um macho adulto, já em avançado estado de decomposição.

Uma câmara de ar de pneu de bicicleta, já desinflada, estava amarrada à nadadeira caudal da toninha, indicando que a ação é de natureza antrópica (resultado de ação humana). Embora a maioria dos animais com resíduos em seu corpo e necropsiados pelo Biopesca pertença aos grupos de aves e tartarugas marinhas, há, também, casos de golfinhos impactados por resíduos.

Uma outra pesquisa realizada pelo instituto, intitulada 'Ingestão de resíduos sólidos por toninhas do Litoral Centro-Sul de São Paulo', também indicou o achado de material plástico nos esôfagos ou estômagos dessa espécie de golfinho, ameaçada de desaparecer da natureza nos próximos 35 anos, caso nada seja feito em favor de sua conservação.

Conforme explica o Biopesca, de um total de 90 golfinhos dessa espécie, 13 apresentaram algum tipo de lixo em seu esôfago ou estômago, de diferentes origens, entre eles embalagens plásticas. Essa é mais uma ameaça a esse animal já em vias de extinção no Brasil. O instituto afirma que não é possível afirmar que essas toninhas morreram por causa da ingestão de lixo, mas que provavelmente esse problema colabora com a morte do animal.

Toninha também foi encontrada morta com petrecho e recolhida pelo Gremar em junho deste ano em Bertioga, SP — Foto: Divulgação/Instituto Gremar
Toninha também foi encontrada morta com petrecho e recolhida pelo Gremar em junho deste ano em Bertioga, SP — Foto: Divulgação/Instituto Gremar

Ação do homem

“Nos casos dos pinguins e tartarugas exemplificados, não temos dados suficientes para afirmar se a ingestão dos resíduos foi a causadora da debilidade dos animais”, explica a médica veterinária Vanessa Ribeiro, do Instituto Biopesca.

Em relação à toninha, a especialista aponta que não é possível determinar se esse material foi preso à nadadeira caudal antes ou depois da morte do animal, porque ele já estava em avançado estado de decomposição, o que dificulta qualquer conclusão. "No entanto, esse é mais um exemplo da interação antrópica com os seres marinhos", relata Vanessa.

Os institutos Biopesca e Gremar são instituições executoras do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS), uma atividade desenvolvida para o atendimento de condicionante do licenciamento ambiental federal das atividades da Petrobras de produção e escoamento de petróleo e gás natural na Bacia de Santos, conduzido pelo Ibama.

Esse projeto tem como objetivo avaliar os possíveis impactos das atividades de produção e escoamento de petróleo sobre as aves, tartarugas e mamíferos marinhos, por meio do monitoramento das praias e do atendimento veterinário aos animais vivos e necropsia dos animais encontrados mortos. O projeto é realizado desde Laguna (SC) até Saquarema (RJ), sendo dividido em 15 trechos.

O Instituto Biopesca monitora o Trecho 8, compreendido entre Peruíbe e Praia Grande. Já o Gremar monitora o Trecho 9, compreendido entre São Vicente e Bertioga.

Para acionar o serviço de resgate de mamíferos, tartarugas e aves marinhas, vivos debilitados ou mortos, a população pode entrar em contato pelos telefones 0800-6423341 (horário comercial para ambos os institutos) ou (13) 99601-2570 (WhatsApp e chamada a cobrar para o Biopesca), e (13) 99711-4120 (para contato com o Gremar).

Ave morta e encontrada com petrecho pelo Instituto Gremar em julho deste ano em Guaratuba  — Foto: Divulgação/Instituto Gremar
Ave morta e encontrada com petrecho pelo Instituto Gremar em julho deste ano em Guaratuba — Foto: Divulgação/Instituto Gremar

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