Objetivo:
“Projetando o futuro e o desenvolvimento autossustentável da sua empresa, preparando-a para uma competitividade e lucratividade dinâmica em logística e visão de mercado, visando sempre e em primeiro lugar, a satisfação e o bem estar do consumidor-cliente."
Diferente das possibilidades existentes em 2009, quando o mundo enfrentava a recessão mas o Brasil ainda tinha condições de implantar uma política expansionista, por exemplo, o país conta com poucas alternativas para estimular seu crescimento econômico no ano que vem. Uma delas, o cenário internacional, não promete muito. Os Estados Unidos, com a queda de 2,9% no primeiro trimestre, confirmou que sua recuperação ainda será lenta. A China e a Europa tampouco apontam retomada no curto prazo. Sob essa perspectiva, 2015 pode ser um ano preocupante. Alex Luiz Ferreira, professor da Universidade de São Paulo (USP), PhD em Economia pela Universidade de Kent, destaca que, ao contrário do que se pensava, o Brasil não se desconectou de forma alguma das economias centrais, principalmente da China, com quem tem laços comerciais muito fortes, e com Estados Unidos e Europa, pelos laços financeiros. "As economias estão muito conectadas. Se houver uma desaceleração lá fora, isso vai impactar o Brasil. Isso ocorreu em 2009. Só que, naquela época, existia a possibilidade de incentivar a economia doméstica com política monetária e política fiscal, mas os sinais dos últimos anos demostram que esses canais foram enfraquecidos. Agora há uma possibilidade menor de realizar uma política expansionista", explica Ferreira. O professor de Economia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Francisco Lopreato, lembra que o quadro brasileiro é bastante complicado. "A questão é: Nós vamos crescer puxados por onde? O setor externo está difícil, o setor público, difícil - a situação não está muito favorável nas contas públicas para que o Estado amplie seus gastos; a indústria não promete muita coisa, não há perspectiva para que ela venha a ter um comportamento muito significativo no ano que vem, a ponto de trazer grande impacto no PIB. Só temos as concessões, e não sei se elas garantem uma melhora por si", alerta Lopreato. Neste ano, com a disputa eleitoral, "ninguém quer se aventurar diante do quadro de incerteza que se criou". No ano que vem, esta nuvem se afasta, mas talvez o país ainda não tenha condições de reverter o quadro. "A situação no Brasil, que já não está fácil, pode ser melhorada se Estados Unidos e China tiverem uma performance melhor. Se crescerem as barreiras e o quadro não reverter, complica bastante. A Europa briga para não cair num quadro de deflação. Tempo atrás, já imaginava que a Europa ia demorar uns 10 anos para sair do buraco. Estamos no sexto ano, e sem perspectiva. Os Estados Unidos, que até pouco tempo dava sinais interessantes, surpreendeu. A queda do PIB foi muito expressiva. A China também não está nada bem, a demanda perdeu o fôlego que tinha antes", esclarece. Como ressaltou Samuel Pessôa, economista do Ibre/FGV, durante seminário do instituto, no mesmo período do ano passado, se projetava um um crescimento da economia norte-americana em 2014 que hoje está "completamente fora do cenário" - um acréscimo de 3%. "A economia americana cresce menos no longo prazo e a recuperação cíclica dela é mais lenta do que a gente imaginaria. Evidentemente, isso tem implicações fundamentais para nós", ressaltou Pessôa na ocasião, quando o Departamento de Comércio norte-americano ainda não havia revisado a retração de 1% para 2,9%, no primeiro trimestre deste ano. >> PIB dos EUA contrai 2,9% no 1º trimestre, pior resultado desde 2009 Estados Unidos e China conversaram durante dois dias sobre como liderar uma saída global da recessão, mas não chegaram a grandes conclusões, conforme aponta reportagem publicada nesta sexta-feira (27) no alemão Die Welt. A maior realização do encontro, aponta, talvez tenha sido a constatação de que uma reconfiguração de suas economias é necessária, de forma que a China se torne menos dependente das exportações e os Estados Unidos retomem poupança e investimento para interromper o ciclo de expansão e retração - o que não chega a ser novidade. Na Europa, a recuperação é lenta e o continente ainda deve lidar com o alto desemprego por algum tempo. Enquanto os países europeus tentam lidar com o legado da recessão, líderes políticos entram em conflito. O ex-primeiro-ministro de Luxemburgo Jean-Claude Juncker foi eleito presidente da Comissão Europeia nesta sexta-feira (27). A candidatura foi apoiada pela chanceler alemã, Angela Merkel, mas criticada pelo primeiro-ministro britânico, David Cameron, que afirmou pelo Twitter que o bloco europeu se arrependerá da escolha e, em entrevista coletiva, que a nomeação pode minar as posições dos governos nacionais. Francisco Lopreato, no entanto, não acredita que o choque entre os líderes signifique uma saída do Reino Unido da União Europeia, por exemplo. "Os ingleses sabiamente, desde o começo, aceitaram o bônus e não quiseram o ônus (da União Europeia). Não abriram mão da sua moeda, foram bem inteligentes." Para a Europa, Lopreato não vê nenhuma perspectiva. O que pode mudar, ressalta, é nos Estados Unidos, no sentido dos dados do primeiro trimestre não se confirmarem no seguinte. No Brasil, o professor aposta em uma perspectiva melhor, talvez, para o segundo semestre de 2015. "Dependemos, sim, do crescimento mundial para que também aqui os investimentos cresçam. Facilita bastante se houver uma condição favorável no cenário externo. É muito difícil, hoje, uma situação em que eles não cresçam e o resto do mundo cresça. Vai crescer como? Certamente, a situação brasileira fica mais prejudicada ainda. Eu não acredito em um quadro dos mais favoráveis até, pelo menos, talvez, o segundo semestre de 2015. Não acredito que a economia brasileira vá afundar, porque temos as concessões. Mas minha aposta é mais em 2016 do que em 2015", conclui Lopreato.
Sonhar alto não é fácil. Aumenta a pressão, convida o nervosismo, atrapalha a cabeça. Mas realizá-lo é recompensador. Tudo isso a Argélia viveu nesta quinta-feira, na Arena da Baixada, em Curitiba, ao conseguir, pela primeira vez em sua história, a classificação para as oitavas de final da Copa do Mundo. Os jogadores argelinos, pouco acostumados a decisões e grandes feitos, sofreram, esbarraram em seus próprios medos, mas superaram tudo e, apoiados por uma torcida fanática, empataram por 1 a 1 diante da Rússia, tornando-se heróis nacionais. A festa nas arquibancadas foi emocionante, mas sinalizadores, que são proibidos, foram vistos no estádio.
O principal deles é Islam Slimani. Veio da cabeça do atacante o gol da classificação da Argélia, no segundo tempo, depois de Kokorin abrir o placar na etapa inicial e incutir ainda mais tensão aos norte-africanos. Mas o goleiro M’Bolhi e os incansáveis Feghouli e Brahimi também têm considerável parcela no mérito das Raposas do Deserto, que ficaram em segundo lugar no Grupo H, com quatro pontos, atrás da líder Bélgica, que venceu a Coreia do Sul por 1 a 0 e terminou a primeira fase com 100% de aproveitamento. À Rússia, eliminada, resta se preparar para 2018, quando será a sede da Copa. O sonho argelino terá um grande desafio para seguir vivo na próxima fase. A equipe enfrenta a Alemanha na próxima segunda-feira, às 17h (de Brasília), no estádio Beira-Rio, em Porto Alegre. A Bélgica pega os Estados Unidos na terça, no mesmo horário, na Arena Fonte Nova, em Salvador. Além da Argélia, a Nigéria é a outra representante africana na segunda fase do Mundial.
Slimani beija gramado ao fazer o gol de empate da Argélia diante da Rússia, em Curitiba (Foto: Reuters)
Experiência russa faz a diferença para vantagem parcial A preocupação do técnico Valid Halilhodzic com o nervosismo de seus jogadores numa partida tão decisiva foi justificada logo nos primeiros minutos. O peso do jogo logo se fez notar nas pernas dos argelinos, que corriam sem muito rumo, erravam muitos passes e se embolavam entre eles mesmos. Mais experiente, a Rússia não demorou para aproveitar. Aos cinco minutos, Kombarov desceu livre pela esquerda – seu marcador, Feghouli, estava fora de campo, sendo atendido – e cruzou na cabeça de Kokorin, que, livre entre os zagueiros, testou no ângulo, sem chance para M’Bolhi: 1 a 0 Rússia. A desvantagem foi um duro golpe para a Argélia. A tensão dos jogadores aumentou, apesar dos esforços de Feghouli e Brahimi, e passou para a área técnica, constantemente ignorada por Halilhodzic, desesperado para dar instruções a seus pupilos. As Raposas do Deserto até tinham mais posse de bola, mas forçavam os lances, davam chutões para a frente e pouco perigo ofereciam à bem postada defesa russa. As melhores chances foram em lances de bola parada, em duas cabeças de Slimani defendidas por Akinfeev. Se o rival estava atordoado, a Rússia tratou de manter a tranquilidade. Saía sempre com a bola dominada da defesa, trocava passes no meio e segurava o jogo. Sequer precisava criar espaços no ataque; bastava esperar aqueles oferecidos pelos argelinos. Mas faltou ambição aos comandados de Capello, que preferiram administrar a vantagem a ampliá-la.
Kokorin vence goleiro M'Bolhi e sai para comemorar o 1 a 0 da Rússia no primeiro tempo (Foto: Getty Images)
Pelo alto, Slimani resolve e classifica a Argélia A incapacidade em aumentar a diferença no placar fez a Rússia pagar caro. Logo no primeiro minuto do segundo tempo, com a Argélia ainda atordoada, Samedov invadiu a área e, livre, chutou em cima de M’Bolhi. Os comandados de Capello não teriam outra chance tão boa na partida. Curiosamente, a Argélia voltou tão ou mais nervosa do que na etapa inicial. Os espaços deixados eram ainda maiores, e a correria ofensiva, improdutiva. Mas, aos poucos, as Raposas do Deserto descobriram uma rota confiável para ameaçar Akinfeev: bola na área para Slimani cabecear.
Banco argelino vai à loucura com a classificação para a sequência do Mundial (Foto: Getty Images)
Forte fisicamente, o artilheiro argelino deu trabalho a Berezutskiy e Ignachevich, mas só conseguiu concluir a gol aos 14 minutos, em sua terceira tentativa. Foi o bastante, após cobrança de falta de Brahimi pela esquerda, o camisa 13 subiu mais que a zaga russa, aproveitou a saída hesitante de Akinfeev e mandou para o fundo das redes, empatando o jogo. Assim, nos poucos segundos que significaram a trajetória da bola para o gol, o nervosismo na partida trocou de lado. Com a torcida argelina em êxtase, gritando muito alto, o time norte-africano melhorou. Recuou, compactou as linhas de marcação e passou a segurar o resultado. A Rússia, por sua vez, foi à frente, mas esbarrou na pressa e em M’Bolhi, autor de boas defesas para garantir a vaga nas oitavas de final.
Argélia leva a bandeira na comemoração pela inédita classificação para as oitavas de final (Foto: Reuters)
O Banco Central baixou nesta quinta-feira (26), sua previsão para o crescimento da economia brasileira este ano: de uma expectativa de 2%, o BC agora espera que o Produto Interno Bruto (PIB) cresça 1,6% este ano.
A estimativa para a inflação de 2014, por sua vez, subiu para 6,4% – muito perto do teto de 6,5% vigente no sistema de metas de inflação. Os dados constam do relatório de inflação do segundo trimestre deste ano. Apesar da redução, a estimativa do BC para o crescimento do PIB ainda está acima do que estima o mercado financeiro, cuja expectativa de alta do Produto Interno Bruto (PIB), feita na semana passada, é de 1,16% para 2014. O valor, porém, está abaixo da estimativa feita pelo Ministério da Fazenda e presente no Orçamento deste ano, de alta de 2,5% do PIB. No ano passado, o PIB brasileiro cresceu 2,5%.
Para o BC, o consumo tende a continuar em "expansão em ritmo mais moderado do que o observado em anos recentes" e os investimentos tendem a "ganhar impulso". "O cenário de maior crescimento global, combinado com a depreciação do real, tende a favorecer o crescimento da economia brasileira", informou. O Banco Central também avaliou que, "em prazos mais longos", surgem "perspectivas mais favoráveis à competitividade da indústria, e também da agropecuária; ao mesmo tempo em que o setor de serviços "tende a crescer a taxas menores do que as registradas em anos recentes". Inflação Ao mesmo tempo em que baixou sua estimativa para o crescimento da economia brasileira, o Banco Central também passou a prever mais inflação tanto para este ano quanto para 2015. A expectativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deste ano passou de 6,1% a 6,2% para 6,4%. Para o ano que vem, a previsão para o comportamento da inflação subiu de 5,5% para um valor entre 5,7% e 6% – dependendo do cenário considerado. Mesmo com o aumento, a previsão de inflação do Banco Central ainda está um pouco abaixo do que estima o mercado financeiro. Para este ano, os economistas dos bancos esperam que o IPCA avance para 6,46% e que chegue a 6,1% em 2015. O Banco Central também admitiu nesta quinta-feira que aumentou a chance de o IPCA deste ano ficar acima do teto de 6,5% do sistema de metas de inflação. Em março, a chance de acontecer o chamado "estouro" da meta de inflação estava entre 38% e 40%. No documento divulgado nesta quinta, o BC informa que essa possibilidade passou para um valor entre 46% e 48%. Sistema de metas Pelo sistema de metas que vigora no Brasil, o BC tem de calibrar os juros para atingir as metas pré-estabelecidas, tendo por base o IPCA. Para 2014 e 2015, a meta central de inflação é de 4,5%, com um intervalo de tolerância de dois pontos percentuais para cima ou para baixo. Desse modo, o IPCA pode ficar entre 2,5% e 6,5% sem que a meta seja formalmente descumprida. Deste modo, as estimativas do BC divulgadas nesta quinta-feira mostram o IPCA longe da meta central de 4,5% estabelecida para 2014 e 2015, embora ainda esteja dentro do intervalo de tolerância existente. O teto do sistema de metas de inflação brasileiro é um dos mais altos do mundo. O aumento da expectativa de inflação do BC acontece apesar da alta dos juros básicos da economia, que subiu entre abril do ano passado e maio deste ano. Neste período, taxa Selic subiu 3,75 pontos percentuais, de 7,25% ao ano para 11% ao ano. Foram nove elevações seguidas no juro básico do país - promovidos pela própria autoridade monetária justamente com o objetivo de conter o avanço da inflação. O BC afirmou que a transmissão das ações de política monetária (altas de juros) para a inflação ocorre com defasagens. "Nesse processo, diversos canais – por exemplo, da demanda, do crédito, do câmbio, e das expectativas – estão envolvidos e operam não necessariamente com a mesma intensidade e simultaneamente", avaliou, acrescentando que antes de alcançar os preços, as altas de juros "interferem nas decisões de consumo e de investimento de famílias e de firmas". 'Fonte de risco' O BC também avaliou, no relatório de inflação, que uma "fonte de risco" para a inflação está no comportamento das expectativas para os preços, "impactadas negativamente nos últimos meses pelo nível da inflação corrente, pela dispersão de aumentos de preços, e, sobretudo, por incertezas que cercam a trajetória de preços (como o da gasolina) e tarifas de serviços públicos (por exemplo, eletricidade e ônibus urbano) com grande visibilidade". O BC também ponderou que um "risco importante" para a inflação vem do mercado de trabalho, que mostra "margem estreita de ociosidade" com possibilidade de concessão de aumentos reais de salários "incompatíveis com o crescimento da produtividade". Entretanto, observou que "antecipam-se desenvolvimentos que tendem a contribuir para o arrefecimento de riscos originados no mercado de trabalho, como a concessão de menores reajustes do salário mínimo e para os salários de servidores públicos". O banco avaliou, porém, que as pressões inflacionárias ora presentes na economia – a exemplo das decorrentes dos processos de realinhamentos de preços e de ganhos salariais incompatíveis com ganhos de produtividade – tendem a arrefecer ou, até mesmo, a se esgotarem ao longo do horizonte relevante para a política monetária, ou seja, nos próximos anos.