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segunda-feira, 7 de outubro de 2024

Nobel de Medicina 2024 vai para Victor Ambros e Gary Ruvkun pela descoberta dos microRNAs

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Vencedores, dois norte-americanos, levam o prêmio de 11 milhões de coroas suecas (cerca de R$ 5,8 milhões). As láureas em Física, Química, Literatura e Paz serão entregues ao longo da semana; já a de Economia será divulgada na próxima segunda (14).
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Por Roberto Peixoto, g1

Postado em o7 de outubro de 2024 às 07h32m

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O presidente do Comitê Nobel, Thomas Perlmann, anuncia os americanos Victor Ambros e Gary Ruvkun, que aparecem na tela, como vencedores do Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina 2024, durante uma coletiva de imprensa no Instituto Karolinska, em Estocolmo, Suécia, em 7 de outubro de 2024. — Foto: Christine Olsson/TT News Agency via AP
O presidente do Comitê Nobel, Thomas Perlmann, anuncia os americanos Victor Ambros e Gary Ruvkun, que aparecem na tela, como vencedores do Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina 2024, durante uma coletiva de imprensa no Instituto Karolinska, em Estocolmo, Suécia, em 7 de outubro de 2024. — Foto: Christine Olsson/TT News Agency via AP

Victor Ambros e Gary Ruvkun são os ganhadores do Prêmio Nobel 2024 em Medicina, anunciou a Assembleia do Nobel no Instituto Karolinska, da Suécia, nesta segunda-feira (7).

Os dois norte-americanos dividem o prêmio igualmente, que totaliza 11 milhões de coroas suecas (cerca de R$ 5,8 milhões), pela descoberta dos microRNAs e seu papel "na regulação genética pós-transcricional", um processo fundamental para o desenvolvimento das células do nosso corpo (entenda mais abaixo).

Desde 1901, mais de cem Prêmios Nobel em Fisiologia ou Medicina (como é formalmente chamado) foram distribuídos.

A distinção científica de renome mundial só não foi concedida em nove ocasiões: em 1915, 1916, 1917, 1918, 1921, 1925, 1940, 1941 e 1942.

Ao longo dos anos, das 227 pessoas agraciadas com o Nobel em Medicina, apenas 13 eram mulheres.

Ambos os laureados dividem igualmente o prêmio, recebendo metade cada um pelo impacto de suas contribuições no campo da biologia molecular, anunciou o comitê do Nobel.

Gary Ruvkun nasceu Berkeley, na Califórnia (EUA), e é médico e pesquisador vinculado ao Massachusetts General Hospital e à Harvard Medical School, em Boston (EUA), e foi premiado por sua pesquisa que revelou o papel dos microRNAs na regulação dos genes.

Segundo o Nobel, sua descoberta ajudou a entender melhor como os genes são ativados e desativados nas células.

Já Victor Ambros nasceu em Hanover, no New Hampshire (EUA), e atualmente é professor na Universidade de Massachusetts Medical School, em Worcester, Massachusetts.

Ambros compartilhou o Prêmio Nobel com Ruvkun por seu trabalho inovador na descoberta dos microRNAs, pequenas moléculas de RNA (ácido ribonucleico) que regulam a atividade genética e são fundamentais para o desenvolvimento das células.

Victor Ambros e Gary Ruvkun são os ganhadores do Prêmio Nobel 2024 em Medicina, anunciou a Assembleia do Nobel no Instituto Karolinska, da Suécia, nesta segunda-feira (7). — Foto: Nobel Assembly at Karolinska Institutet in Stockholm
Victor Ambros e Gary Ruvkun são os ganhadores do Prêmio Nobel 2024 em Medicina, anunciou a Assembleia do Nobel no Instituto Karolinska, da Suécia, nesta segunda-feira (7). — Foto: Nobel Assembly at Karolinska Institutet in Stockholm

As descobertas

O comitê do Nobel afirmou que Ambros e Ruvkun levaram o prêmio por descobrirem uma nova classe de pequenas moléculas de RNA, chamadas de microRNAs (miRNAs).

Essas moléculas são fundamentais na regulação da atividade genética, ou seja, o processo que controla como as células funcionam e se desenvolvem.

Sem os microRNAs, as células e os tecidos não se desenvolvem corretamente. Quando a regulação por microRNAs não funciona, por exemplo, ela pode levar a doenças graves, como câncer e diabetes.

Assim, a função dos microRNAs é ajudar as células a selecionar quais genes devem ser expressos, garantindo que apenas as instruções necessárias sejam ativadas em cada tipo de célula.

A evolução do SARS-CoV-2 (o vírus que causa a Covid-19), por exemplo, foi influenciada pelos microRNAs humanos.

No caso da Covid, estudos indicam que os miRNAs, tanto do hospedeiro quanto do vírus, influenciam a infecção.

Por isso, encontrar miRNAs que possam ajudar a reduzir a gravidade da Covid-19 é uma abordagem bastante promissora.

Ao g1 Thomas Perlmann, secretário-geral do comitê do Nobel de Medicina, explica que provavelmente toda doença está associada à função do microRNA.

É muito claro que distúrbios na função de microRNA estão ligados ao câncer. Na verdade, essa relação sugere que, em uma perspectiva mais ampla, microRNAs desempenham um papel fundamental em muitas condições de saúde.
— Thomas Perlmann, secretário-geral do comitê do Nobel de Medicina, em entrevista ao g1.

Embora ainda não existam tratamentos diretos desenvolvidos a partir dessa descoberta, a possibilidade de manipular os microRNAs para influenciar a expressão gênica tem o potencial de abrir novos caminhos para a criação de medicamentos, especialmente no tratamento de doenças como o câncer.

"Compreender esses mecanismos pode ser crucial para o desenvolvimento de novas abordagens terapêuticas", acrescenta Perlmann.

Ilustração mostra a estrutura de um microRNA (miRNA), destacando sua forma e composição molecular. — Foto: Nobel Assembly at Karolinska Institutet in Stockholm
Ilustração mostra a estrutura de um microRNA (miRNA), destacando sua forma e composição molecular. — Foto: Nobel Assembly at Karolinska Institutet in Stockholm

Um verme no caminho

Na década de 1980, Ambros e Ruvkun estavam interessados em entender como os genes controlam o momento de ativação das instruções genéticas, o processo que garante tudo o que as células precisam para crescer.

Para isso, eles examinaram algumas cepas mutantes do verme C. elegans, um organismo minúsculo de 1 mm de comprimento.

Alguns desses vermes, portadores do gene conhecido como lin-4, eram maiores, enquanto outros, com o gene lin-14, eram menores. Ou seja, esses genes pareciam ter um papel chave no desenvolvimento desses pequenos seres vivos.

Na década de 1980, Ambros então percebeu que o gene lin-4 parecia inibir o lin-14, mas a maneira como isso acontecia ainda era um mistério.

Enquanto isso, Ruvkun, que também estudava os genes, descobriu que o lin-4 não bloqueava sua produção, mas impedia o processo que transforma as informações do DNA do verme em proteínas, moléculas responsáveis por diversas funções no organismo.

Ao comparar suas descobertas, Ambros e Ruvkun perceberam que uma parte do lin-4 se encaixava na parte final do lin-14, que não estava relacionada à produção de proteínas.

E era essa conexão fundamental que interferia o lin-14, revelando uma nova forma de regular os genes, controlada por pequenas moléculas chamadas de microRNA.

Curiosidades sobre o Nobel de Medicina

O ganhador mais jovem foi Frederick G. Banting, que recebeu o Nobel da área em 1923, com apenas 31 anos, por ter descoberto a insulina. Já o mais velho foi Peyton Rous, premiado em 1966, aos 87 anos, por sua descoberta de vírus que causam tumores.

Entre os 227 vencedores do Prêmio Nobel de Medicina, 13 são mulheres. Um destaque especial é Barbara McClintock, a única mulher a ganhar o prêmio sozinha, em 1983, pela descoberta dos "elementos genéticos móveis".

Outras mulheres que marcaram a história do prêmio incluem Gerty Cori (1947), pelas descobertas sobre o glicogênio; Rita Levi-Montalcini (1986), pelos estudos sobre fatores de crescimento; Françoise Barré-Sinoussi (2008), pela descoberta do HIV.

Embora ninguém tenha recebido o Nobel de Medicina mais de uma vez, em outras categorias há pessoas que já foram premiadas duas vezes (entenda mais abaixo). Desde 1974, o prêmio NÃO pode ser entregue a pessoas falecidas, a menos que o óbito ocorra depois do anúncio oficial.

Um caso especial aconteceu em 2011, quando foi descoberto que o laureado Ralph Steinman havia falecido dias antes do anúncio, mas como o comitê não sabia de sua morte, ele manteve o prêmio.

Nobel 2024

A láurea em Medicina é sempre a primeira a ser anunciada. Os prêmios em Física, Química, Literatura e Paz serão entregues ao longo da semana; já a láurea em Economia será divulgada na próxima segunda (14). Veja o cronograma:

  • Medicina: segunda-feira, 7 de outubro
  • Física: terça-feira, 8 de outubro
  • Química: quarta-feira, 9 de outubro
  • Literatura: quinta-feira, 10 de outubro
  • Paz: sexta-feira, 11 de outubro
  • Economia: segunda-feira, 14 de outubro

Veja, abaixo, perguntas e respostas sobre o prêmio.

O que é o Prêmio Nobel?

A láurea foi criada pelo químico e empresário Alfred Nobel. Inventor da dinamite em 1867, o sueco doou a maior parte de sua fortuna em testamento para a criação de prêmios de física, química, medicina, literatura e paz (o prêmio de economia foi criado anos mais tarde).

O documento dizia que os prêmios deveriam ser concedidos "àqueles que, durante o ano anterior, tenham conferido o maior benefício à humanidade".

Um busto do fundador do Prêmio Nobel, Alfred Nobel, em exibição durante cerimônia de entrega da láurea em 2018, em Estocolmo. — Foto: Henrik Montgomery/Pool Photo via AP, File
Um busto do fundador do Prêmio Nobel, Alfred Nobel, em exibição durante cerimônia de entrega da láurea em 2018, em Estocolmo. — Foto: Henrik Montgomery/Pool Photo via AP, File

Contudo, hoje em dia, conforme explica Juleen Zierath, membro do Instituto Karolinska, o júri do Nobel de Medicina, essa regra não é mais tão levada à risca.

"Você pode ter feito essa descoberta em um estágio muito inicial de sua carreira de pesquisa, ou pode ter feito essa descoberta em um estágio muito avançado de sua carreira de pesquisador", ressalta a pesquisadora.

Como o prêmio é escolhido?

Todos os anos, o Comitê do Nobel envia um pedido de nomeação para membros da comunidade científica.

Isso significa que alguns candidatos elegíveis recebem um convite especial para enviar seus nomes. Sem esse convite, nenhum postulante pode concorrer ao prêmio.

"Você não pode se nomear, mas membros de comunidades científicas, reitores de faculdades de medicina, ex-laureados com o Prêmio Nobel e outros que trabalham no ramo científico mais amplo e que receberam esse pedido podem fazer uma indicação", diz Zierath. 
Quantas pessoas podem compartilhar o mesmo prêmio?

Até três pessoas podem compartilhar um Prêmio Nobel, ou uma organização pode ganhar a láurea da Paz.

A Fundação Nobel, responsável por realizar os desejos do seu fundador, ressalta que essa regra está descrita no testamento de Alfred Nobel.

A medalha do Prêmio Nobel. — Foto: The Nobel Prize Foundation
A medalha do Prêmio Nobel. — Foto: The Nobel Prize Foundation

Em nenhum caso o valor do prêmio pode ser dividido entre mais de três pessoas", destaca um trecho do documento. Alguns pesquisadores, porém, criticam essa escolha e afirmam que as descobertas científicas de hoje em dia são muito mais coletivas: um trabalho de vários pesquisadores.

A láurea pode ser concedida postumamente? Tem limite de idade?

Não, um Prêmio Nobel não pode ser concedido postumamente.

Apesar, disso, a Fundação ressalta que, desde 1974, se o destinatário do prêmio falecer após o anúncio, a láurea ainda poderá ser concedida.

Sobre o limite de idade, o prêmio também não tem uma regra a respeito.

"O que eu diria é que, na maioria das vezes, levamos muitos anos até que o campo científico reconheça que a descoberta que você fez é uma distinção que deveria ser considerada para um Prêmio Nobel. Então, às vezes você tem que ser bastante paciente", ressalta Zierath.

Nobel de Física 2023 vai para Pierre Agostini, Ferenc Krausz and Anne L’Huillier

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sábado, 5 de outubro de 2024

Brasileiro na Nasa: conheça o engenheiro responsável pela comunicação entre a Terra e os robôs da agência espacial

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Luciano Camilo é líder de telecomunicações do Laboratório de Propulsão a Jato da Nasa. Ele viu a vaga da agência em um anúncio de internet, quando já estava desiludido com a profissão.
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Por Globo Repórter

Postado em 05 de de outubro 2024 às 06h30m

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Brasileiro na Nasa: engenheiro é responsável pela comunicação entre a Terra e os robôs

O Globo Repórter desta sexta-feira (4) foi até a Califórnia, terra da ficção onde um brasileiro caminha pelas estrelas. Luciano Camilo Alexandre é engenheiro de telecomunicações do Laboratório de Propulsão a Jato da Nasa. O JPL é responsável pelas missões robóticas interplanetárias. E o país que exporta talentos para o futebol também tem um craque nesse time.

"É um sonho desde criança. Acho que todo engenheiro tem esse sonho de um dia visitar pelo menos a Nasa, mas trabalhar aqui é algo assim que eu posso dizer: um sonho realizado", diz Luciano.

Formado em Santa Rita do Sapucaí (MG), Luciano é ex-aluno de colégio agrícola. Filho de bancário e professora, o doutor em engenharia de telecomunicações viu a vaga da Nasa em um anúncio de internet, quando já estava desiludido com a profissão.

"Em 2019, eu até pensei em abandonar a engenharia. Quando eu perdi meu pai, eu tinha R$ 3 no bolso e não sabia o que ia ser da minha vida", relata emocionado.

Luciano Camilo Alexandre e o pai — Foto: Reprodução/TV Globo
Luciano Camilo Alexandre e o pai — Foto: Reprodução/TV Globo

Aos 39 anos, ele é líder de grupo na área de telecomunicação robótica.

Nós temos o planejamento de comunicação com cada espaçonave, com cada missão no espaço. Para cada missão, eu tenho como se fosse uma pista de rodovia, onde vou transmitir e receber dados, e eu tenho que garantir que nenhuma missão vai interferir na outra.

Engenheiro brasileiro é responsável pela comunicação entre a Terra e os robôs da Nasa — Foto: Reprodução/TV Globo
Engenheiro brasileiro é responsável pela comunicação entre a Terra e os robôs da Nasa — Foto: Reprodução/TV Globo

Atualmente, a Nasa tem 40 missões no espaço. Inteligência artificial e comando remoto serão as tecnologias que serão usadas numa nova missão: a visita a uma das luas de Júpiter, Europa, cuja superfície esconde um oceano congelado e pode ter sinais de vida.

"Nós estamos desenvolvendo alguns experimentos na área de telecomunicações justamente para simular um possível ambiente similar ao que a gente poderia ver lá na Europa. Então a gente tem temperaturas muito baixas, a comunicação tem que ser através de gelo, e por isso nós fomos ao Alasca e ficamos uma semana testando qual a influência do gelo no sistema de telecomunicações", diz Luciano.

Engenheiro brasileiro é responsável pela comunicação entre a Terra e os robôs da Nasa — Foto: Reprodução/TV Globo
Engenheiro brasileiro é responsável pela comunicação entre a Terra e os robôs da Nasa — Foto: Reprodução/TV Globo

Outra missão nos planos da Nasa é a Artemis, a volta do homem à Lua. E, para essa nova empreitada, a equipe do Luciano vai tentar liberar o Wi-Fi para os astronautas.

Essas frequências possam habilitar novos tipos de serviços, como, por exemplo, talvez você possa utilizar o celular, o Wi-Fi, um Bluetooth, utilizando as mesmas tecnologias que nós temos aqui na Terra, mais adaptadas ao ambiente lunar.

Missão nos planos da Nasa quer tentar liberar o Wi-Fi para os astronautas — Foto: Reprodução/TV Globo
Missão nos planos da Nasa quer tentar liberar o Wi-Fi para os astronautas — Foto: Reprodução/TV Globo

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sexta-feira, 4 de outubro de 2024

Antártica está 'ficando verde' em ritmo acelerado, alertam cientistas; veja FOTOS

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Área coberta por vegetação no continente gelado passou de menos de um quilômetro quadrado em 1986 para quase 12 quilômetros quadrados em 2021. Região, como outras áreas polares, está aquecendo mais rapidamente que a média global.
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Por Roberto Peixoto, g1

Postado em 04 de outubro de 2024 às 08h50m

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Morros de musgo na Ilha Ardley (62° S), formando elevações verdes na paisagem antártica. — Foto: Dan Charman
Morros de musgo na Ilha Ardley (62° S), formando elevações verdes na paisagem antártica. — Foto: Dan Charman

Cientistas alertaram nesta sexta-feira (4) que a Antártica está passando por um processo acelerado de "verdejamento".

Nos últimos 40 anos, a cobertura vegetal na Península Antártica aumentou mais de dez vezes:

  • isto é, a área coberta por vegetação passou de menos de um quilômetro quadrado em 1986 para quase 12 quilômetros quadrados em 2021.

As conclusões são de um estudo conduzido pelas universidades de Exeter, Hertfordshire e pelo British Antarctic Survey, publicado na revista Nature Geoscience.

E segundo a pesquisa, que utilizou imagens de sátélite para fazer a análise, a região, como outras áreas polares, está aquecendo mais rapidamente que a média global, com eventos de calor extremo cada vez mais frequentes.

Nesta semana, uma estimativa do Centro Nacional de Dados de Neve e Gelo dos EUA (NSIDC), mostrou inclusive que o continente gelado atingiu seu segundo menor pico de gelo marinho este ano (veja gráfico abaixo).

O valor equivale a uma extensão máxima de 17,16 milhões de km², o segundo menor número registrado nos 46 anos de monitoramento por satélite do centro. O recorde de mínima foi alcançado em 2023.

"Essa queda acentuada no gelo marinho do inverno austral nos últimos dois anos reforça os efeitos de um oceano excepcionalmente quente sobre o clima antártico", afirmou o pesquisador Ted Scambos, do Instituto Cooperativo de Pesquisas em Ciências Ambientais (CIRES), em um comunicado do NSIDC.

Segundo o NSIDC, essa taxa ainda é preliminar, podendo aumentar devido a condições meteorológicas.

Um relatório completo será divulgado em outubro, detalhando as possíveis causas desse fenômeno, aspectos relevantes da temporada de crescimento e comparações gráficas com o histórico de longo prazo.

Camada de gelo no mar da Antártica chega ao nível mais baixo já registrado em um mês de junho

Mas, ainda de acordo com o estudo da Nature, o que já é possível constatar com clareza é que entre 2016 e 2021, houve uma aceleração significativa no crescimento da vegetação do continente, com uma expansão de mais de 400 mil m² por ano.

Estudos anteriores, com amostras de ecossistemas dominados por musgo, já apontavam que o crescimento das plantas havia se intensificado.

As novas imagens confirmam então essa tendência generalizada de "verdejamento" em uma das regiões mais isoladas e frias do planeta.

Paisagem verde vibrante em Green Island, uma região localizada nas Ilhas Berthelot da Península Antártica. — Foto: Green Island. Credit Matt Amesbury
Paisagem verde vibrante em Green Island, uma região localizada nas Ilhas Berthelot da Península Antártica. — Foto: Green Island. Credit Matt Amesbury

"As plantas que encontramos na Península Antártica – principalmente musgos – crescem em condições possivelmente das mais extremas do planeta", afirmou Thomas Roland, pesquisador da Universidade de Exeter e um dos autores do estudo.

A paisagem ainda é quase totalmente dominada por neve, gelo e rochas, com apenas uma pequena fração colonizada por vegetação. No entanto, essa fração cresceu de forma dramática – mostrando que até mesmo essa vasta e isolada natureza selvagem está sendo impactada pelas mudanças climáticas causadas pelo homem.
— Thomas Roland, pesquisador da Universidade de Exeter.

Ainda segundo os pesquisadores, à medida que esses ecossistemas se tornam mais estáveis e o clima continua aquecendo, é provável que a vegetação se expanda ainda mais no continente.

Isto é, o solo antártico, embora pobre e quase inexistente, está cada vez mais ganhando matéria orgânica, o que pode ajudar na formação de solo e abrir caminho para outras espécies de plantas.

⚠️ Com isso, também aumenta o risco de espécies invasoras serem introduzidas por turistas, cientistas ou outros visitantes na região.

Dessa forma, no artigo, os pesquisadores reforçam a necessidade urgente de mais estudos para compreender os mecanismos climáticos e ambientais que impulsionaram essa tendência de "verdejamento" nos últimos anos.

Banco de musgo sobre uma rocha exposta em Norsel Point (64° S), adaptado às condições extremas da região. — Foto: Dan Charman
Banco de musgo sobre uma rocha exposta em Norsel Point (64° S), adaptado às condições extremas da região. — Foto: Dan Charman

"O declínio do gelo marinho na Antártica está tendo um impacto significativo no clima da Terra", diz ao g1 Francyne Elias-Piera, PhD em Ciência e Tecnologia Ambiental pela Universitat Autònoma de Barcelona, que não teve envolvimento com o estudo.

"O gelo marinho ajuda a refletir a luz solar de volta para o espaço, o que ajuda a resfriar o planeta. Ao derreter, o gelo marinho permite que mais luz solar seja absorvida pela Terra, o que pode levar a um aquecimento ainda maior".

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quinta-feira, 3 de outubro de 2024

Petróleo dispara 5% após Biden afirmar que discute ataques a instalações iranianas; entenda papel do Irã no mercado

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Preço do barril da commodity fechou acima de US$ 77. Irã tem uma das maiores refinarias de petróleo do mundo.
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Por Bruna Miato, g1

Postado em 03 de outubro de 2024 às 16h35m

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Domo de Ferro abate mísseis disparados pelo Irã em Ashkelon, em Israel, nesta terça-feira (1º). — Foto: Amir Cohen/Reuters
Domo de Ferro abate mísseis disparados pelo Irã em Ashkelon, em Israel, nesta terça-feira (1º). — Foto: Amir Cohen/Reuters

O preço do petróleo disparou mais de 5% nesta quinta-feira (3) e a cotação do barril superou os US$ 77, depois que o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, mencionou a possibilidade de Israel atacar refinarias de petróleo do Irã.

Nas últimas semanas, os bombardeios de Israel ao Líbano já deixaram quase 2 mil pessoas mortas, e na terça-feira o Irã lançou ataque contra os israelenses em resposta às recentes mortes de chefes do Hezbollah.

Biden foi questionado se apoiaria um ataque israelense às instalações petrolíferas iranianas em conversa com repórteres nesta quinta. "Estamos discutindo isso. Acho que seria um pouco...", respondeu.

Após a fala do presidente, o preço do barril de petróleo, que já estava em alta, passou a subir ainda mais. No dia, o petróleo tipo Brent avançou 5,18% e o barril fechou negociado a US$ 77,73.

Desde a última sexta-feira (27), a commodity já disparou cerca de 8%, com a intensificação dos conflitos. Entenda, abaixo, como a participação do Irã na guerra faz o preço da commodity subir.

O novo capítulo da guerra no Oriente Médio, com o Irã atacando Israel, fez com que uma preocupação para além da tragédia humanitária também tomasse conta do mundo: a produção e o preço do petróleo.

O petróleo subiu 3,85% após o Irã disparar centenas de mísseis contra o território israelense na terça-feira (1°). O preço continua avançando nesta quarta-feira (2), conforme seguem as ameaças de retaliação que chegam de Israel e dos Estados Unidos, seu maior aliado.

O Oriente Médio é uma das regiões mais importantes para a produção da commodity no mundo. Segundo o Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás, o Irã era o sétimo maior produtor de petróleo no mundo em 2023, com uma produção de 3,9 milhões de barris por dia.

Com esse número, o país respondeu por quase 5% de toda a produção mundial, que foi de 82,8 milhões de barris por dia. (veja abaixo o comparativo)

Embora sozinho pareça não ter tanta relevância na produção mundial, o Irã tem um papel-chave como membro da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep+). Esse é o cartel de petróleo mais importante do mundo, e é quem determina na prática os rumos do preço da commodity.

Entre os países membros e aliados da Opep+ estão Arábia Saudita, Kuwait, Emirados Árabes Unidos, Venezuela e Rússia, por exemplo.

Como membro da Opep+, o Irã pode influenciar e receber o apoio dos demais países do grupo caso a guerra escale ainda mais, explica Celso Grisi, professor especialista em macroeconomia da FIA Business School.

O cartel pode escolher reduzir sua produção diária de barris de petróleo para diminuir a oferta da commodity no mundo. Se a opção for pela redução, os preços do barril de petróleo no mercado internacional podem subir ainda mais.

O Irã também tem como trunfo uma das maiores reservas de petróleo do mundo, responsável por 10% de toda a disponibilidade global conhecida até aqui.

"O Irã tem um papel extremamente importante na produção de petróleo de todo o mundo e isso deriva naturalmente de uma reserva de petróleo muito grande com localização geográfica bastante estratégica", diz Grisi.

Cristian Pelizza, economista-chefe da Nippur, explica que o poder de barganha dos países do Oriente Médio vem do excedente de petróleo que produzem. Como são economias pequenas em relação aos gigantes como EUA e China, podem reduzir a produção sem medo de desabastecimento.

Economias desenvolvidas consomem muito petróleo, mesmo que também sejam grandes produtores. Assim, ainda dependem de importação para completar a demanda, em especial por combustíveis.

Outro ponto sensível é se forem aplicadas novas sanções econômicas aos países da região, como já aconteceu outras vezes. Os especialistas ouvidos pelo g1 concordam que isso poderia ser um fator de piora expressiva do preço do petróleo, por problemas de distribuição.

Tensão no Irã e economia brasileira

Estreito de Ormuz

Um aspecto final que faz do Irã uma região estratégica para o mercado de petróleo é sua localização. O Estreito de Ormuz, uma passagem que liga o Golfo Pérsico ao Oceano Índico, é uma das principais rotas do petróleo do Oriente Médio para o resto do mundo.

Pelo Estreito de Ormuz passam cerca de 20 a 30 milhões de barris de petróleo todos os dias, comenta Roberto Ardenghy, presidente do IBP.

Em outras oportunidades, como nas tensões entre Israel e Irã ocorridas em abril, o país árabe ameaçou fechar o estreito, impedindo a circulação da commodity. As ameaças nunca se concretizaram, principalmente porque colocariam o Irã em uma posição vulnerável também com os países aliados da Opep+.

O que o Irã pode fazer — e já fez — é interceptar embarcações específicas de países inimigos. De todo modo, Ardenghy destaca que essa é "uma região crítica para o escoamento do produto e qualquer tipo de problema no acesso a ao estreito pode causar problema de abastecimento global".

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