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Regime dos aiatolás está atacando refinarias, petroleiros e instalações de produção de gás em vários países do Oriente Médio como tática para pressionar o presidente Trump
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Américo Martins
Especialista
em jornalismo internacional e fascinado pelo mundo desde sempre, foi
diretor da BBC de Londres e VP de Conteúdo da CNN; já visitou mais de 70
países
Postado em 03 de Março de 2.026 às 10h00m
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Bandeiras iranianas em dia de ataque dos EUA ao Irã • Reuters
Essas retaliações iranianas causaram espanto em boa parte do mundo. O próprio presidente Donald Trump afirmou em entrevista exclusiva à CNN que ficou surpreso com a abrangência dos ataques.
A expectativa dos americanos era a de que Teerã concentrasse sua retaliação em bases militares dos Estados Unidos na região ou diretamente contra Israel.
Em vez disso, o regime dos aiatolás ampliou o raio de ação e passou a atingir ativos estratégicos de países árabes que, em muitos casos, são aliados históricos de Washington mas que mantém também relações com o Irã.
A lógica por trás dessa escolha é estratégica.
Ao espalhar o conflito, o Irã tenta impedir que a guerra fique restrita a um embate militar direto com americanos e israelenses, confronto no qual está em clara desvantagem tecnológica e aérea.
Ao mirar em alvos econômicos, Teerã amplia o custo político do conflito e transforma o mercado de energia em campo de batalha.
E os danos já são muito sérios.
Na Arábia Saudita, drones e mísseis atingiram uma grande refinaria na costa leste do país, forçando a interrupção temporária de parte da produção.
Autoridades sauditas confirmaram danos em unidades de processamento e armazenamento, o que reduziu a capacidade de refino em centenas de milhares de barris por dia.
No Catar, um ataque contra instalações de produção de gás natural levou à suspensão parcial das operações em um dos principais complexos exportadores do mundo.
O país é um dos maiores exportadores globais de GNL (gás liquefeito), especialmente para Europa e Ásia. A paralisação, ainda que temporária, teve impacto imediato nos preços internacionais do produto, que saltaram a níveis recordes.
Além disso, o Irã prometeu “atacar e incendiar” qualquer petroleiro que tente atravessar o Estreito de Ormuz, que liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e por onde passam mais de 20% de toda a produção de petróleo mundial.
Pelo menos duas embarcações relataram danos após explosões próximas ao casco, segundo relatos de companhias de navegação.
O simples risco de bloqueio ou ataques na região já praticamente zerou o tráfego de petroleiros no local, elevou prêmios de seguro marítimo e ampliou a ansiedade no setor energético.
Para piorar, os alvos não se limitaram ao petróleo e ao gás.
Infraaestruturas civis de alto valor simbólico e econômico também foram atingidas.
O aeroporto de Dubai, um dos maiores hubs internacionais do mundo, teve operações interrompidas após um ataque que danificou áreas logísticas.
Milhares de voos na região já foram cancelados, afetando também o mercado de cargas.
Hotéis de luxo na região registraram cancelamentos em massa. O setor de turismo, já fragilizado pela instabilidade regional, sofreu novo abalo.
Tudo isso está acontecendo porque o Irã aposta que governos como os da Arábia Saudita, Catar, Emirados Árabes Unidos e Kuwait, profundamente dependentes da estabilidade energética, comercial e aérea, vão pressionar Washington a rever sua estratégia militar.
O cálculo iraniano é que uma crise prolongada no fornecimento de petróleo e gás teria impacto global, pressionaria a inflação em várias economias e poderia afetar o próprio eleitorado americano.
Há ainda um componente político regional. Teerã aposta que os governos árabes hesitarão em entrar diretamente no conflito ao lado de Israel.
Um ataque aberto contra o Irã poderia provocar reação negativa da opinião pública nesses países e desestabilizar lideranças locais. É uma aposta de alto risco, mas calculada.
Ao transformar a economia em arma de guerra, o Irã amplia o campo de batalha e manda um recado claro de que quer que o custo do conflito seja pago por toda a região e, possivelmente, pelo mundo todo.



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