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quinta-feira, 2 de abril de 2026

Capa da The Economist mostra Xi Jinping sorrindo com "erros" de Trump

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Reportagem ouviu diplomatas, acadêmicos e outras autoridades, que avaliaram que a guerra no Irã é um grave erro dos Estados Unidos
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Tiago Tortella, da CNN Brasil, em São Paulo
02/04/26 às 09:02 | Atualizado 02/04/26 às 09:02
Postado em 02 de Abril de 2.026 às 09h20m
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Capa da revista The Economist de 4 de abril de 2026 mostra Xi Jinping sorrindo com erros de Donald Trump  • Reprodução/The Economist

A capa da edição da revista The Economist que será publicada no sábado (4) mostra uma montagem com o presidente da China, Xi Jinping, sorrindo atrás do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com a manchete: "Nunca interrompa seu inimigo quando ele está cometendo um erro".

A matéria principal dessa edição já foi divulgada online. Na divulgação, o periódico explica que conversou com diplomatas, assessores, acadêmicos, especialistas e autoridades em exercício e outras que já deixaram os cargos na China, sendo que quase todas as fontes consideram a guerra no Irã um grave erro americano.

"Muitos chineses dizem que a guerra acelerará o declínio dos Estados Unidos. Eles veem a agressão americana como uma validação do foco do presidente Xi Jinping na segurança em detrimento do crescimento econômico", diz o texto.

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Segundo a reportagem, a visão na China é de que os Estados Unidos estão atacando o Irã porque sentem que seu poder está diminuindo.

Além disso, se a situação no Irã se tornasse caótica ou o regime do país se mantivesse no poder, os EUA poderiam passar anos combatendo no Oriente Médio -- algo que iria contra as previsões do próprio Trump de que a guerra acabaria nas próximas semanas.

O presidente americano também criticou diversas vezes durante a campanha eleitoral os conflitos em que os americanos se envolveram no Oriente Médio.

"Tudo isso desviaria a atenção dos Estados Unidos da Ásia Oriental, onde, se a China conseguir o que quer, o século XXI será moldado", escreveu a Economist.

Outro ponto destacado pela reportagem é o esforço de Xi Jinping para "proteger a China do fechamento de pontos de estrangulamento", com a criação de uma reserva estratégica de 1,3 bilhão de barris de petróleo bruto, o que seria suficiente para vários meses.

Além disso, o governo chinês teria diversificado a geração de energia para fontes nucleares, solares e eólicas, mantendo o uso de carvão extraído internamente.

A China depende fortemente do petróleo que passa pelo Estreito de Ormuz, uma via navegável no Golfo Pérsico que foi fechada pelo Irã.

De acordo com Petro Côrtes, analista da CNN Brasil, o país importa cerca de metade de seu petróleo do Oriente Médio e aproximadamente 45% do óleo consumido depende direta ou indiretamente das rotas que passam por Ormuz.

A Economist pontua também que a guerra criará oportunidades para a China, pois os países impactados pelo conflito precisarão reconstruir sua infraestrutura atacada.

Ao mesmo tempo, as fontes consultadas pela revista ponderam que, se a guerra se prolongar, os danos às exportações e à economia chinesa aumentarão. Além disso, "um planeta instável seria desconfortável para a China".

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