Das sete atividades que compõem o setor, apenas duas conseguiram aumentar a receita entre 2014 e 2017. Região Sudeste vem perdendo participação na receita total do setor, enquanto Centro-Oeste avança.
Por Daniel Silveira, G1 — Rio de Janeiro
Postado em 28 de agosto de 2019 às 13h00m

Postado em 28 de agosto de 2019 às 13h00m
O setor de serviços, atividade de maior peso na economia brasileira, é o que mais tem sofrido os efeitos da crise do país. Dados divulgados nesta quarta-feira (28) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que entre 2014 e 2017 o faturamento das empresas de serviço encolheu 6,9%, enquanto o número de empresas caiu 1,1% e o total de pessoal ocupado foi reduzido em 5,3%.
Segundo o levantamento, trata-se de uma queda real na receita operacional líquida das empresas prestadoras de serviços não financeiros, ou seja, já considerando as perdas inflacionárias do período. Na comparação com 2016, a queda real foi de 0,2%.
“A gente esperava que o setor de serviços pudesse se recuperar. Vimos outros setores se recompondo de alguma forma, mesmo que mínima, o que não ocorreu (com os serviços). A gente percebe que tanto os serviços prestados à família quanto os serviços profissionais, administrativos e complementares não se recuperaram do cenário que abateu a economia do país”, apontou Synthia Santana, gerente de análise e disseminação do IBGE.
Nestes três anos de crise, revela o levantamento, apenas duas das sete atividades que compõem o setor de serviços registraram aumento no faturamento – os serviços de informação e comunicação, e o de outras atividades de serviços, que incluem serviços auxiliares da agricultura, pecuária, produção florestal, seguros e previdência complementar, além de serviços de esgoto e coleta.
Receita operacional líquida do setor de serviços
Entre 2014 e 2017, apenas duas das sete atividades que compõem o setor tiveram alta do faturamento.
Fonte: IBGE
Synthia avaliou que, dentre as sete atividades, a de transportes é a que tem o maior potencial para alavancar a retomada do setor de serviços no país.
"O que a gente imagina é que, diante dos dados que a gente tem, o setor de transportes tem sido bastante importante porque, além da grande participação desta atividade no setor, ela está muito atrelada à matriz logística do país", apontou.
Queda no número de empresas
Nos mesmos três anos, o Brasil viu serem fechadas cerca de 8,4 mil empresas prestadoras de serviço, o que corresponde a uma redução de 1,1%.
As atividades que mais tiveram empresas fechadas foram as de serviços de manutenção e reparação (-12,4%), serviços de informação e comunicação (-7,4%), serviços prestados às famílias (-5%) e serviços de transportes e auxiliares de transportes e correio (-3,4%).
Em contrapartida, tiveram alta no número de empresas ativas os serviços profissionais, administrativos e complementares (3,4%), outros serviços (10,6%) e, principalmente, as atividades imobiliárias (32,9%).
Questionada sobre este aumento expressivo no número de empresas ligadas às atividades imobiliárias, a pesquisadora Synthia Santana disse que a Pesquisa Anual de Serviços não é capaz de apontar as razões desse salto.
"De fato, é atípico esse movimento, mas nós não conseguimos investigá-lo. Diante desse contexto de crise, as empresas estão se reorganizando e alterando suas formas de atuação. Isso pode ter levado a esse aumento", disse.
Uma das hipóteses seria a migração de trabalhadores contratados pelas empresas passarem a atuar como pessoa jurídica a partir do cadastro como Microempreendedor Individual (MEI), incentivado pelo governo a partir de 2014.
"Nós sabemos que isso ocorreu nos serviços prestados às famílias, especificamente nos segmentos de alimentação e cuidado de idosos, nos quais a gente viu que as empresas reforçam esse novo arranjo como efetivo. Salões de beleza, por exemplo, conseguem reorganizar cabeleireiros e manicures como pessoa jurídica", apontou a pesquisadora.
Quase 700 mil empregados a menos
Em 2017, o setor de serviços ocupava cerca de 12,3 milhões de trabalhadores, 688 mil a menos que em 2014, o que corresponde a uma queda de 5,3% no período.
Segundo o levantamento do IBGE, das sete atividades do setor, somente as atividades imobiliárias tiveram aumento do pessoal ocupado – uma alta de 17,2%. Já o pior desempenho foi dos serviços de manutenção e reparação, que viram seus recursos humanos se reduzirem em 8,8% nestes três anos.
Sudeste perde participação
O levantamento do IBGE mostrou também que a Região Sudeste do país se mantém com a maior representação na prestação de serviços não financeiros do país, ou seja, é a região com a maior participação na receita operacional líquida do setor.
No entanto, essa participação tem se reduzido ao longo da crise. O IBGE destacou que essa perda se dá em decorrência do aumento no faturamento nas regiões Centro-Oeste e Nordeste. O órgão enfatizou, no entanto, que isso não provocou uma mudança estrutural do setor.
Participação das grandes regiões na receita bruta do setor de serviços em 2017
Sudeste responde pela maior fatia do setor, seguida pela Região Sul
Fonte: IBGE
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